domingo, 7 de agosto de 2011

7 de agosto - São Caetano de Thiene


Caetano nasceu em Vicenza, na Itália, em outubro de 1480. Filho do conde Gaspar de Thiene e de Maria do Porto, desde muito jovem mostrava grande preocupação e zelo pelos pobres, abrindo asilos para os idosos e muitos hospitais para os doentes, especialmente para os incuráveis. Estudou em Pádua, onde se diplomou nas matérias jurídicas, aos vinte e quatro anos de idade. Dedicava-se ao estado eclesiástico, mas sem ordenar-se, por considerar-se indigno. Nesse meio tempo, fundou, na propriedade da família, em Rampazzo, uma igreja dedicada a Santa Maria Madalena, que ainda hoje é a paróquia daquela localidade.

Em 1506, esteve em Roma, exercendo a função de secretário particular do papa Júlio II. Na qualidade de escritor das cartas apostólicas, fez contato e conviveu com cardeais famosos, aprendendo muito com eles. Mas a principal virtude que Caetano cultivava era a humildade para observar muito bem antes de reprovar o mal alheio. Para melhor compreender, basta lembrar que ele viveu no período do esplendor renascentista, no qual o próprio Vaticano não primava pelo exemplo de moralidade e nem brilhava pela santidade dos costumes.
Assim sendo, como homem inteligente e preparado, não se retirou para um ermo; ao contrário, encorajou-se para uma ação reformadora, começando por si mesmo. Costumava dizer que "Cristo espera e ninguém se mexe". Participou do movimento laical Oratório do Divino Amor, que procurava estudar e praticar as Sagradas Escrituras. Só então, depois de muita reflexão, decidiu-se pela ordenação sacerdotal, em 1516. Tinha trinta e seis anos de idade quando celebrou sua primeira missa na basílica de Santa Maria Maior. Na ocasião, ele mesmo relatou depois, Nossa Senhora apareceu-lhe e colocou-lhe nos braços o Menino Jesus.
Visão de São Caetano - 1760
gravura em metal de Francesco Bartolozzi

Foi para Veneza em 1520, onde colaborou na fundação do hospital dos incuráveis. Três anos depois, incansável, voltou para Roma, onde, na companhia dos companheiros do Oratório, Bonifácio Colli, Paulo Consiglieri e João Pedro Carafa, bispo de Chieti, fundou a Ordem dos Teatinos Regulares, que tinha como objetivo a renovação do clero. Quando o papa Clemente VII aprovou a congregação, Caetano renunciou a todos os seus bens para dedicar-se única e exclusivamente à vida comum. O mesmo ocorreu com o bispo Carafa, que abdicou também da sua vida episcopal. Anos mais tarde, ele veio a tornar-se o papa Paulo IV, um dos grandes reformadores da Igreja.

Lactação de São Caetano - Juan Tinoco
México - séc. XVII

A nova congregação começou somente com os quatro, depois passaram para doze e esse número aumentou bastante em pouco tempo. São os primeiros clérigos regulares. Não são monges, pois são de vida ativa, porém vivendo em obediência: sob uma regra de vida comum, como religiosos, cujos membros renunciam a todos os seus bens terrenos, devendo viver de seu trabalho apostólico e de ofertas espontâneas dadas pelos fiéis, contando, apenas, com a Providência divina. Carafa foi o primeiro superior geral, embora a ideia da fundação fosse de Caetano de Thiene, que, na sua humildade, sempre se manteve de lado.
Morte se São Caetano
Andrea Vaccaro - Museu do Prado

Caetano morreu de fadiga, após uma vida de muito trabalho e sofrimento, aos sessenta e seis anos de idade, em Nápoles, no dia 7 de agosto de 1547. Foi canonizado em 1671. O seu corpo é venerado no dia de sua morte, na belíssima basílica de São Paulo Maior, mas que é chamada por todos os fiéis e peregrinos de basílica de São Caetano, localizada na praça principal da cidade.
São Caetano livra Nápoles da erupção do Vesúvio
gravura em metal - séc. XVIII

Basilica de São Paulo Maior e obelisco de São Caetano de Cosimo Fangazo
Nápoles - Itália

sábado, 6 de agosto de 2011

6 de agosto - Transfiguração do Senhor

Fra Angélico - início séc. XV
Museu San Marco - Florença

Fisicamente, Jesus se parecia como qualquer outro homem. Ele teve fome, sede, cansaço, etc. Sua divindade foi vista apenas indiretamente, em suas ações e suas palavras. Mas, numa ocasião, a glória divina de Jesus resplandeceu e se tornou visível. A história é contada em Mateus 17:1-8:

“Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. Aproximando-se deles, tocou- lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos e não temais! Então, eles, levantando os olhos, a ninguém viram, senão Jesus”.

Giovanni Bellini - 1455
Museu Correr - Veneza


“Depois de profetizar o Senhor para os Discípulos, a Sua morte na cruz, tomou Pedro, Tiago e João, seu irmão, e subiu com eles um monte alto (monte Tabor na Galiléia). Foi, então, transfigurado diante deles. O Seu rosto brilhou como o Sol e Sua vestidura tornou-se branca como a luz. Apareceram, também, Moisés e Elias, que falavam com Ele. Pedro alvitrou, então, que era bom ficar ali. Se quiser, disse ele, teremos aqui três tabernáculos, um para o Senhor, um para Moisés e outro para Elias. Enquanto ele falava, uma nuvem luminosa cobriu-os e uma voz dizia: ‘Este é Meu Filho amado em quem Me comprazo, ouviu-o’. Quando ouviram os discípulos caíram sobre seus rostos e tiveram muito receio. Veio Jesus e tocou neles dizendo: “Levantai-vos, não temais”. Levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão Jesus sozinho. Enquanto desciam do monte, recomendou-lhes Jesus que não contassem para ninguém o que viram até que ressurgisse o Filho do Homem de entre os mortos" (Mt 17, 1-10).


Rafael - Transfiguração, 1520
Museu Vaticano - Roma

No Oriente bizantino a festa de 6 de agosto, Santa Transfiguração de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo, reveste-se de uma solenidade toda especial. Essa festa é lembrada desde o século IV pelos santos Efrém, o Sírio e João Crisóstomo e, entre os hinos litúrgicos, até hoje ainda em uso entre os bizantinos, muitos são de autoria de São Cosme de Maiúma e de São João Damasceno.
Giovanni Bellini - 1487
Museu de Capodimonte - Nápoles

Botticelli - 1500
Galleria Pallavicini - Roma

Gerard David - 1520, Bruges

Igreja da Transfiguração
Monte Tabor - Israel


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

5 de agosto - Nossa Senhora das Neves ou Dedicação da Basílica de Santa Maria Maggiore

Giovanni Paolo Pannini - Santa Maria Maggiore
1744 - acervo Palazzo del Quirinale

A Virgem Maria é objeto de hiperdulia (do grego υπερδουλεια), termo teológico utilizado pelas Igrejas Católica e Ortodoxa que significa a honra e o culto de veneração especial devotados a Nossa Senhora. Tal culto à Nossa Senhora é feito através da liturgia, que é o culto oficial e obrigatório da Igreja Católica, e também, em maior intensidade, através da piedade popular, que é o culto católico privado. No campo da piedade popular, destacam-se as devoções feitas à Virgem Maria, como por exemplo o Santo Rosário, o Angelus, o Imaculado Coração de Maria, a peregrinação aos lugares onde Maria apareceu, as procissões, etc. A hiperdulia, que está inserido na dulia, diferencia-se muito da latria, que é o culto de adoração prestado e dirigido unicamente a Deus.

E para cada uma de suas muitas denominações, a Virgem foi representada nas artes plásticas e na arquitetura em todo o mundo cristioanizado.
O título de Nossa Senhora das Neves, afunda suas raízes nos primeiros séculos da Igreja romana, e está ligado ao surgimento da Basílica de Santa Maria Maggiore em Roma.

Sassetta - Il miracolo della neve
1430 - Palazzo Pitti, Florença

No século IV, sob o pontificado de Papa Libério (352-366), um nobre e rico patrício romano de nome Giovanni ao lado se sua também rica e nobre esposa, não tendo filhos, decidiu de ofertar seus bens à Virgem, para a construção de uma Igreja em sua honra. A Virgem, então, lhes apareceu em sonho, na noite entre o dia 4 e 5 de agosto, época de muito calor em Roma, indicando com um milagre o local onde deveria ser construída a Igreja.
Mathias Grünewald - O milagre da neve
1517 - Augustinermuseum de Freiburg, Alemanha

Na manhã seguinte, o casal se dirigiu ao Papa pra contar-lhe o sonho, e para a surpresa do casal, o Papa havia sonhado a mesma coisa, seguiram juntos, portanto, ao monte Esquilino, o local indicado em sonho, e o encontraram coberto de neve, no auge do verão romano. O pontífice traçou com seu báculo o perímetro da nova igreja, seguindo a superfície do terreno coberto pela neve, mandando construir o templo sob o patrocínio do nobre casal. A igreja foi chamada, de ‘Liberiana’, tomando o nome do papa, mas o povo chamou-a de “ad Nives”, da Neve.

Masolino da Panicale - Madonna della Neve
1492 - Galleria Nazionale di Capodimonte - Nápoles

detalhe da precipitação da neve

A antiga igreja foi abatida no pontificado de Sisto III (432-440) o qual, em memória do Concílio de Éfeso (431) quando foi solenemente decretada a Maternidade Divina de Maria, quis edificar em Roma a maior basílica em honra à Virgem. Na época, nenhuma igreja ou basílica superava a suntuosidade do novo templo; anos mais tarde fora-lhe dado o título de Basílica de Santa Maria Maggiore, para indicar a sua grandeza sobre todas as outras igrejas dedicadas à Maria.
Jacopo Zucchi - 1580
\museu do Vaticano

Giovanni Battista Piranesi - 1747
gravura em metal

Desde 1568 a denominação oficial da festa litúrgica de Nossa Senhora das Neves, foi modificada para “Dedicação de Santa Maria Maggiore” com celebração em 5 de agosto; o milagre da neve em agosto não mais foi citado enquanto legendário e não comprovado. Mas o culto de Nossa Senhora da Neve permaneceu e, entre os séculos XV e XVIII houve a máxima difusão de igrejas dedicadas ao seu culto.
Em Roma no dia 5 de agosto, na patriarcal Basílica de Santa Maria Maggiore, o milagre era recordado através de uma chuva de pétalas de rosa branca que caía do interior da cúpula durante a celebração litúrgica.
Madonna della Neve
Guido Reni - 1623

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

4 de agosto - São João Maria Vianney (confessor)

“Meus irmãos, não são as longas e belas orações que Deus escuta, mas as que saem do fundo do coração”.

Imagem devocional em papel - França, séc. XX

João Maria Vianney nasceu em 8 de maio de 1786 em Dardilly, aldeia a dez quilômetros ao norte de Lyon. Foi o quarto filho do casal Mateus e Maria Vianney, que tiveram 7 filhos. Desde os quatro anos, ele gostava de freqüentar a Igreja. Quando isso se tornou impossível, pelas perseguições que o Estado desencadeou, ele fazia suas orações habituais, todas as tardes, na casa dos pais.
Quando foi aberta uma escola, Vianney, adolescente a freqüentou durante dois invernos, porque ele trabalhava no campo sempre que o tempo permitia. Foi então que aprendeu a ler, escrever, contar e falar francês, pois em sua casa se falava um dialeto regional. Foi na escola que se tornou amigo do padre Fournier, e aos poucos foi crescendo nele o desejo de se tornar sacerdote. Foi necessário muita insistência, pois o pai, de forma alguma, desejava dispensar braços fortes de que a terra necessitava. Aos 20 anos seguiu para Écully, na casa de seu tio Humberto. Sabia ler, mas escrevia e falava francês muito mal. Além de aprimorar a língua pátria, precisou aprender latim, pois na época os estudos para o sacerdócio eram feitos em latim, bem assim toda a celebração litúrgica.
Em 28 de maio de 1811, com 25 anos de idade, na catedral Saint-Jean tornou-se clérigo de diocese. Por ter fama de ignorante perante os superiores, foi-lhe confiada a paróquia de Ars-em-Dombes, ou talvez porque lhe conhecessem a grandeza de alma. Em Ars, não havia pobres, só miseráveis.

João Maria Vianney chegou a Ars em uma sexta-feira, 13 de fevereiro de 1818. Veio em uma carroça trazendo alguns móveis e utensílios domésticos, alguns quadros piedosos e seu maior tesouro: sua biblioteca de cerca de trezentos volumes.
Conta-se que encontrou um pequeno pastor a quem pediu que lhe indicasse o caminho. A conversa foi difícil, pois o menino não falava francês e o dialeto de Ars diferia do de Écully. Mas acabaram por se compreenderem.  A tradição narra que o novo pároco teria dito ao garoto: "Tu me mostraste o caminho de Ars: eu te mostrarei o caminho do céu." Um pequeno monumento de bronze à entrada da aldeia lembra esse encontro.

Ele mesmo preparava suas refeições. Apenas dois pratos: umas vezes, batatas, que punha para secar ao ar livre. Outras vezes, "mata-fomes", grandes bolos de farinha de trigo escura. Um pouco de pão e água. Era o suficiente. Comia pouco.Quando lhe davam pão branco, trocava pelo escuro e distribuía o primeiro aos pobres. Dizia: "Tenho um bom físico. Depois de comer não importa o quê e de dormir duas horas, estou pronto para recomeçar." 

Imagem devocional em papel rendado - França- séc. XIX

O que mais ele valorizava era a caridade e a gentileza. Grandes somas ele dispendia auxiliando os seus paroquianos. Dinheiro que vinha da pequena herança de seu pai, que lhe enviara seu irmão Francisco e de doações de pessoas abastadas, a quem ele sensibilizava pela palavra e dedicação.

Por volta de 1830, era muito grande o afluxo de pessoas que se dirigia a Ars. Os peregrinos não tinham outro objetivo senão ver o pároco e, acima de tudo, poder confessar-se com ele. Para conseguir, esperavam horas...às vezes, a noite inteira.

Ele dormia o mínimo para atender a todos, madrugada a dentro. Vivia em extrema pobreza e austeridade, vendendo móveis , roupas e calçados seus para dar a outrem. Comovia-se com a dor alheia. Quando se punha a ouvir os penitentes que o buscavam, mais de uma vez derramava lágrimas como se estivesse chorando por si próprio. Dizia: "Eu choro o que vocês não choram."
Tanto trabalho, pouca alimentação e repouso, foram cansando o velho Cura. Ele desejava deixar a paróquia para um pouco de descanso. Mas os homens e mulheres da aldeia fizeram tal coro ao seu redor, que ele resolveu permanecer.
Ele, que em sua juventude, fora ágil, agora andava arrastando os pés. Nos dias de inverno, sentia muito frio. Em 1859, numa quinta feira do mês de agosto, dia 4, às duas da madrugada, ele faleceu tranqüilamente. Dois dias antes, já bastante debilitado fora visto a chorar. Perguntaram-lhe se estava muito cansado. "Oh, não", respondeu. "Choro pensando na grande bondade de Nosso Senhor em vir visitar-nos nos últimos momentos."

O Santo em seu leito de morte
Fotografia de Camille Dolard - 1859

O corpo incorrupto do santo venerado na Catedral de Ars

Relíquia "ex indumentae"

 
Fonte: Joulin, Marc. João Maria Vianney, o cura d'Ars. PAULINAS, 1990.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

3 de agosto - Santa Lídia


Os apóstolos Silas, Timóteo e Lucas acompanhavam Paulo em sua segunda missão na Europa, quando chegaram em Filipos, uma das principais cidades da Macedônia, que desfrutava de direitos de colônia romana. Ali encontraram uma mulher que lhes foi de grande valor. Eles já haviam passado ali alguns dias na cidade. Mas, Paulo e seus companheiros pensavam em ficar até o sábado, pelo menos. Este era o dia em que os correligionários judeus se reuniriam para as orações. Como em Filipos não havia sinagoga, o local mais provável para este encontro seria as margens do pequeno rio Gangas que passava fora da porta da cidade.
ícone grego

Assim entendendo, ao procurarem o lugar ideal para suas preces, como nos narra São Lucas nos Atos dos apóstolos, capítulo 16, eles foram para lá e começaram a falar com as mulheres que já estavam alí reunidas. Entre elas estava Lídia, uma comerciante de púrpura, nascida em Tiatira, na Ásia. Ela escutava com muita atenção, pois não era pagã idólatra, acreditava em Deus, o que quer dizer que tinha se convertido à fé dos judeus. E o Senhor abrira o seu coração para que aderisse às palavras de Paulo.

Santa Lídia - escultura no Duomo de Milão, Itália

Lídia era uma proprietária de sucesso, rica, influente e popular, exercendo sua liderança entre os filipenses e, principalmente, dentro da própria família. Isto porque a púrpura, era um corante usado em tecidos finos, como a seda e a lã de qualidade. Na época, o tecido já tingido era chamado de púrpura, e o mais valioso existente. Usado como símbolo de alta posição social era consumido apenas pela elite das cortes. Quando terminou a pregação, Lídia se tornou cristã. Com o seu testemunho, conseguiu converter e batizar toda sua família. Depois disto, ela os convidou: "Se vocês me consideram fiel ao Senhor, permaneçam em minha casa". E os forçou a aceitar.

Batismo de Lidia por São Paulo - François Mathieu, Paris


Esta, com certeza, foi a primeira e maior conquista dos primeiros apóstolos de Cristo. A casa de Lídia se tornou a primeira igreja católica no solo europeu. Lídia usou todo o seu prestígio social, sucesso comercial e poder de sua liderança para, junto de outras mulheres, levar para dentro dos lares a palavra de Cristo, difundindo assim a Boa Nova entre os filipenses. A importância de Lídia foi tão grande na missão de levar o Evangelho para o Ocidente que cativou o apóstolo Paulo, criando um forte e comovente laço de amizade cristã entre eles.
O culto à Santa Lídia é uma tradição cristã das mais antigas que a Igreja Católica tem notícia. A sua veneração é respeitada, pois seus atos são sinais evidentes de sua santidade, e é considerada a padroeira dos tintureiros.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

2 de agosto - Nossa Senhora dos Anjos

Giovanni Bellini - 1490, Madonna degli angeli rossi

Nossa Senhora dos Anjos é patrona da Ordem dos Franciscanos. É no interior da basílica a ela dedicada que está a capela de Porciúncula, local especialmente caro a São Francisco de Assis e onde o santo veio a falecer. Seu biógrafo conta que Deus havia revelado a Francisco que Nossa Senhora tinha uma predileção especial pela capela já que Porciúncula em italiano significa “pedacinho”.
Basílica de N. Srª dos Anjos, Assis (1512 - 1572)

Não se sabe ao certo a origem da capela, mas conta-se que foi construída por um grupo de peregrinos que voltava da Terra Santa e que nela era venerado uma relíquia atribuída ao túmulo de Nossa Senhora. Ao reunirem-se os fiéis para lá rezar, era possível ouvir o coro dos anjos, e foi daí que se originou a denominação Nossa Senhora dos Anjos, que anos mais tarde veio a dar nome à basílica local.
A data de 02 de agosto para celebrar Nossa Senhora dos Anjos foi determinada por ter sido o dia em que São Francisco ali recebeu a indulgência do Dia do Perdão, que ano mais tarde veio a ser celebrado pela Igreja toda por decreto do Papa Pio XII.

Madonna degli Angeli de Marco Palmezzano
Igreja dos Menores Observantes de Brisighella


Oração a Nossa Senhora dos Anjos

Augusta Rainha dos Céus e Senhora dos Anjos vós que desde o princípio recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de satanás,
humildemente vos rogamos que envieis as legiões celestes, para que, às vossas ordens, persigam os infernais espíritos, combatendo-os por toda parte, confundam a sua audácia  e os precipitem no abismo. Amém!
Nossa Senhora dos Anjos, rainha dos Frades Menores, Rogai por nós que recorremos a vós.


Mattia Preti - Madonna degli Angeli
Igreja de São Domingos de Taverna, Itália

Fonte: FERRAZ, Orlando. Maria, mãe de todos os homens. Títulos que honram Nossa Senhora. 3ª ed. 2005. Novo Rumo.

Francisco Xavier de Brito
Museu de Arte Sacra de Mariana

Indulgência da Porciúncula - Perdão de Assis (02 de Agosto)
São Francisco de Assis, em 1216 teve uma visão: O próprio Jesus lhe apareceu, acompanhado de sua Santa Mãe e lhe pedia: Francisco, vai até o meu representante, o Papa, e peça a ele esta graça: que todos os que visitarem a capela da Porciúncula (capela dedicada a Nossa Senhora dos Anjos), estando em dia com os sacramentos da Confissão e Eucaristia, e professando a Fé dos Apóstolos, possam receber o perdão completo de todas as penas dos pecados até então cometidos. O papa achou inusitado o pedido de Francisco, mas conhecendo a sua santidade, concedeu este favor, que depois foi estendido a todas as igrejas franciscanas e agora para todas as matrizes paroquiais. Esta indulgência é concedida a todos os fiéis que comparecem nessas igrejas, recebendo o perdão da Confissão e a Eucaristia, rezando a Profissão de Fé e as orações do Pai Nosso - Ave Maria e Glória, nas intenções do Santo Padre.
A Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre à tarde do dia 1 agosto e o pôr-do-sol do dia 2 agosto. Em 9 de julho de 1910, o Papa Pio X concedeu autorização aos bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública de suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). Por último, este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, em 26 março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4). Significa dizer, que atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de Jesus para toda humanidade. Assim ganharão a Indulgência, todas as pessoas que estando em:
1) "estado de graça" (sem terem cometido pecado mortal),
2) visitarem uma Igreja nos dias mencionados,
3) rezarem um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência, e rezando também, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória, pelas intenções do Santo Padre o Papa Bento XVI.
4) Poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, ou em favor de pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de serem ajudadas na conversão do coração.
5) Por outro lado, a Indulgência é "toties quoties", quer dizer, pode ser recebida tantas vezes quanto à pessoa desejar (i.e., em cada ano, fazendo visitas a diversas Igrejas das 12 horas do dia 1º de Agosto até o entardecer do dia 2 de Agosto ).
Sem dúvida, foi um precioso presente que São Francisco intercedeu junto ao Senhor, em favor de todos os corações de boa vontade que amam a Deus e almejam, com o benefício da indulgência, poder cumprir dignamente a sua missão existencial em direção ao Criador.
(fonte:http://paginas.terra.com.br/religiao/oracoes/PerdaoAssis.html)
Escola baiana do séc. XVIII
Convento de São Francisco de Salvador

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

1 de agosto - Santo Afonso Maria de Ligório

Afonso Maria Antonio João Cosme Damião Miguel Gaspar de Ligório nasceu no dia 27 de setembro de 1696, no povoado de Marianela, em Nápoles, na Itália, filho de pais cristãos, ricos e nobres, que, ao se depararem com sua inteligência privilegiada, deram-lhe todas as condições e todo o suporte para tornar-se uma pessoa brilhante. Enquanto seu pai o preparava nos estudos acadêmicos e científicos, sua mãe preocupava-se em educá-lo nos caminhos da fé e do cristianismo. Ele cresceu um cristão fervoroso, músico, poeta, escritor e, com apenas dezesseis anos de idade, doutorou-se em direito civil e eclesiástico.

Santo Afonso - gravura em metal, séc. XVIII

Passou a advogar e atender no fórum de Nápoles, porém jamais abandonou sua vida espiritual, que era muito intensa. Sempre foi muito prudente, nunca advogou para a Corte, atendia a todos, ricos ou pobres, com igual empenho. Porém atendia, em primeiro lugar, os pobres, que não tinham como pagar um advogado, não por uma questão moral, mas porque era cristão.
Depois de dez anos, tornara-se um memorável e bem sucedido advogado, cuja fama chegara aos fóruns jurídicos de toda a Itália. Entretanto, por exclusiva interferência política, perdeu uma causa de grande repercussão social, ocasionando-lhe uma violenta desilusão moral. A experiência do mundo e a forte corrupção moral já eram objeto de suas reflexões, após esse acontecimento decidiu abandonar tudo e seguir a vida religiosa.
O pai, a princípio, não concordou, mas, vendo o filho renunciar à herança e aos títulos de nobreza, com alegria no coração, aceitou sua decisão. Afonso concluiu os estudos de teologia, sendo ordenado sacerdote aos trinta anos, em 1726. Escolheu o nome de Maria para homenagear o Nosso Redentor por meio da Santíssima Mãe, aos quais dedicava toda a sua devoção, e agora também a vida.
Desde então, colocou seus muitos talentos a serviço do Povo de Deus, evidenciando ainda mais os da bondade, da caridade, da fé em Cristo e do conforto espiritual que passava a seus semelhantes. Em suas pregações, Afonso Maria usava as qualidades da oratória e colocava sua ciência a serviço do Redentor. As suas palavras eram um bálsamo aos que procuravam reconciliação e orientação, por meio do confessionário, ministério ao qual se dedicou durante todo o seu apostolado. Aos que lhe perguntavam qual era o seu lema, dizia: "Deus me enviou para evangelizar os pobres".
Para viver plenamente o seu lema, em 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, ou dos Padres Redentoristas, destinada, exclusivamente, à pregação aos pobres, às regiões de população abandonada, sob a forma de missões e retiros. Ele mesmo viajou por quase todo o sul da Itália pregando a Palavra de Deus e a devoção a Maria, entremeando sua atividade pastoral com a de escritor de livros ascéticos e teológicos. Com tudo isso, conseguiu a conversão de muitas pessoas.
Emblema dos Redentoristas criado pelo Santo

Em 1762, obedecendo à indicação do papa, aceitou ser o bispo da diocese de Santa Águeda dos Godos, diante da qual permaneceu durante treze anos. Portador de artrite degenerativa deformante, já paralítico e quase cego, retirou-se ao seu convento, onde completou sua extensa e importantíssima obra literária, composta de cento e vinte livros e tratados. Entre os mais célebres estão: "Teologia moral"; "Glórias de Maria", "Visitas ao SS. Sacramento"; além do "Tratado sobre a oração".
Escritor, escreveu 113 obras teológicas, ascéticas, místicas e pastorais que chegaram a atingir 60 edições. Também deixou escritas 1.700 cartas. Para compor a sua obra principal, a Teologia Moral, leu 800 autores, anotando em fichas. Com um anseio de saber, buscava nas livrarias de Nápoles as mais recentes obras de seu tempo, de forma constante. Homem versátil, foi também poeta, músico e pintor. Como gramático, escreveu regras gramaticais com o objetivo exclusivo de alfabetizar um irmão na Congregação. Trabalhador incansável, serviu como pedreiro na construção da primeira casa de retidos da Congregação. Com tanto trabalho e dedicação, teve ainda que enfrentar uma insidiosa enfermidade, que fez da sua vida um martírio.
Depois de doze anos de muito sofrimento físico, Afonso Maria de Ligório morreu aos noventa e um anos, no dia 1º de agosto de 1787, em Nocera dei Pagani, Salerno, Itália. Canonizado em 1839, foi declarado doutor da Igreja em 1871. O papa Pio XII proclamou santo Afonso Maria de Ligório Padroeiro dos Confessores e dos Teólogos de Teologia Moral em 1950.

Relíquias do Santo

Jesus Crucificado pintado pelo Santo

Oração

Ó Deus, que por meio do bem-aventurado Afonso Maria, Vosso Confessor e Pontífice, inflamado no zelo das almas, fecundaste a Vossa Santa Igreja, com uma nova ordem religiosa; nós Vos rogamos que, ilustrados pelos seus salutares conselhos, e fortalecidos pelos seus exemplos, possamos felizmente chegar a gozar-Vos. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
imagem devocional em papel - séc. XX