segunda-feira, 12 de setembro de 2011

12 de Setembro - Santíssimo Nome de Maria

Genalogia da Virgem
anônimo, México, c. 1825

Como era de costume entre os judeus, oito dias após a Santíssima Virgem nascer, os seus pais deram-lhe, inspirados por Deus, o nome de Maria. A diocese de Cuenca, na Espanha, por aprovação do pontífice, concedida em 1513, foi a primeira a celebrar a festa. Suprimida por São Pio V, foi retomada por Sisto V, em 1671, e extendida ao Reino de Nápoles e a Milão. Inocêncio XI, em 12 de setembro de 1683, estendeu-a a Igreja Universal, em ação de graças pela vitória alcançada por João III Sobiesk, rei da polônia, sobre os turcos que tinham cercado Viena e ameaçavam o ocidente cristão. O nome de Maria, em hebraico, que dizer senhora soberana. E a Senhora é realmente Soberana, em virtude da soberania que lhe foi concedida pelo filho, Rei e Soberano do Universo. Chamamos a Maria de Nossa Senhora, pelo título que chamamos a Jesus Nosso Senhor.

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro - São Bartolomeu o Jovem (abade)


São Bartolomeu o Jovem (Rossano, 981 – Grottaferrata, 1055) foi um monge monaco italiano que desde pequeno manifestou grande interesse pela vida monástica,  tanto que seus nobres pais resolveram confiá-lo, aos sete anos, ao monges bizantinos do Mosteiro de São João Calibyta em Caloveto. Mudou-se ao doze anos para o Mosteiro de Montecassino, onde vivia São Nilo o Jovem,permanecendo ali muitos anos, e seguindo-o, em  994 para Serperi, onde viveu em oração e jejum por seis anos.
No ano 1000 acompanhou Nilo a Roma para implorar piedade ao compatriota Giovanni Filagato, autoproclamado Papa com o nome de João XVI, na presença do imperador Oto III, através da mediação do Papa Gregório V. Durante a viagem, próximo de Grottaferrata, a Virgem Maria apareceu aos dois monges, e pediu-lhes para que ali erigissem um templo e um mosteiro. O terreno foi doado por Gregório, Conde de Tuscolo, e foi utilizado o material de uma antiga villa romana na construção do templo.

Visão de Nilo e Bartolomeu
Abadia de Monferrato

Nilo morreu em 1004 e Bartolomeu cuidou da construção do mosteiro, do qual tornou-se abade, e da igreja, que foi consagrada pelo Papa João XIX nel 1024.
No Mosteiro de Grottaferrata dedicou-se à redação de hinos religiosos, que produziu em grande número. Em 1032 escreveu sua obra mais importante: a Biografia de São Nilo. Notevole importanza riveste poi il suo Typicon, codice liturgico e disciplinare del monastero. Tutti i suoi manoscritti sono ancor oggi conservati nell'Abbazia di Grottaferrata.
Os hagiógrafos enumeram numerosos milagres realizados em vida e outros post mortem. São Bartolomeu foi sepultado ao lado de São Nilo no Mosteiro de Grottaferrata, mas de seus restos mortais perdeu-se o paradeiro.

Stefano Pisani - 1840
Catedral de Rossano Calabro, Itália

sábado, 10 de setembro de 2011

10 de Setembro - Nossa Senhora da Vida

O afresco da "Madonna della Vita" representa a Virgem sentada no trono, enquanto encosta seu rosto naquele do Menino Jesus. Tal representação se refaz ao modelo do ícone Glycophilousa (do grego: aquela que beija docemente), caracterizada por uma postura de profunda ternura da mãe pelo filho.
No caso particular da Madonna della Vita, onde o menino toca com a mão o rosto da mãe, o formalismo do modelo mais antigo do ícone foi interpretado segundo as linhas da pintura gótica do século XIV. Os olhos alongados, o desenho das mãos longas e finas, assim como as cores das vestes e a composição, estão claramente ligadas à pintura bizantina, mas a rígida posição é contrastada pelos traços leves dos rostos, principalmente pela expressão sorridente da Virgem.

Por suas características estilísticas a obra foi atribuída a Simone dei Crocifissi (documentado entre 1355 - 1399), discípulo de Vitale da Bologna, ou do sobrinho Lippo di Dalmasio, ou Lippo delle Madonne (documentado entre 1375 e 1410), dois intérpretes da pintura bolonhesa dos Trezentos, particularmente ligados à produção de ícones e polípticos de devoção mariana.

Notícias históricas

Segundo a tradição uma imagem da Virgem com o menino foi afrescada na parede leste, durante a construção da primeira igreja, construída em 1286 pela Companhia de Santa Maria della Vita. Com a ricostrução de 1502, o afresco, desprovido de qualquer interesse, foi coberto por uma camada de reboco e dele foram perdidas as pistas.
Em 10 de setembro de 1614, durante os trabalhos de restauro da igreja, a antiga imagem foi redescoberta, ainda em bom estado de conservação. Tida como milagrosa, tornou-se objeto de veneração, cujo culto foi mantido por uma Confraria que a elegeu protetora do adjacente Hospital, e de seus doentes. A imagem foi recolocada em um novo altar em 1617, e o pintor  Ludovico Carracci (1555 - 1619), em sua homenagem, desenhou um novo frontão para a sua exposição.
No desabamento da construção, ocorrido em 1686, o afresco ficou ileso, e foi removido durante os trabalhos de reconstrução do prédio, ao final dos quais, foi colocado no altar onde até hoje se encontra.

Todo o dia 10 de setembro, celebra-se uma festa em memória do achado da imagem, e é também exposta no altar, uma preciosa miniatura do século XVII, contornada e coroada de diamantes, com o retrato de esmalte do Rei Sol. A jóia, atribuída a Jean Petitot (1607 - 1691), foi um presente do próprio Luís XIV (imagem acima)ao canônico Carlo Cesare Malvasia, que em 1678 lhe havia dedicado a sua obra, "Felsina Pittrice".

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

9 de Setembro - São Pedro Claver (missionário)

anônimo - séc. XVII
Igreja de São Nicolau - Estrasburgo

Nasceu em Verdu, perto de Barcelona em 1580, e logo foi estudar na Universidade de Barcelona e após formar, entrou para a Companhia de Jesus em Tarrafona em 1602. Enviado para estudar em Majorca lá conheceu e foi influenciado por Santo Afonso Rodrigues que o convenceu a embarcar com os missionários para trabalhar nas colônias espanholas do Novo Mundo. Ao chegar em Cartagena, na Colômbia, encontrou grande número de escravos da África Ocidental que tinham sido trazidos para as Américas para trabalhar nas colônias espanholas. Seu trabalho era tão desumano e as condições da escravatura tão terríveis, que Pedro prometeu "ser para sempre o escravo dos negros".
Ficou os anos que se seguiram trabalhando pelo bem dos escravos, sofrendo as mais variadas humilhações e a resistência dos oficiais locais e dos membros da sociedade colonial espanhola. Regularmente ele ia para os navios superlotados de escravos, para levar-lhes comida e tratar dos doentes. Ele também defendia os direitos deles como seres humanos. É estimado que ele tenha bitizado cerca de 300.000 africanos.
Faleceu em 9 de setembro de 1654. Beatificado pelo Papa Pio IX em 1850, foi canonizado em 15 de fevereiro de 1888 pelo Papa Leão XIII e em 1896 foi indicado como o padroeiro das missões católicas entre os negros, e da Colômbia.


Vitrais da Igreja dedicada ao santo
Cartagena - Colômbia

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

8 de Setembro - Natividade de Nossa Senhora

Natividade da Virgem - mosaico
Pietro Cavallini - 1291
Igreja de Santa Maria in Trastevere - Roma

A fonte mais antiga e tida como aceitável pela Igreja que ilustra o nascimento e a infância de Maria, é o Protoevangelho de Tiago, datável do século II d.C. No texto são descritos momentos importantes de sua vida: o casamento de seus pais Joaquim e Ana da tribo de Judá, da estirpe de Achar, a sua concepção após 20 anos sem prole, o nascimento da menina e a sua apresentação no templo de Jerusalém.
Vittore Carpaccio - 1505
Academia de Carrara
 A sorte da casa natal de Maria não é muito diferente daquela da cidade de Jerusalém, com perseguições, destruição do templo, dispersão dos judeus, e outros. Com a chegada do Imperador Constantino, e de sua mãe Helena, na primeira metade do século IV, após a liberdade dada aos católicos, abriu-se uma nova era na Terra Santa; as excavações permitiram encontrar, entre outras coisas, as ruínas de um oratório construído sobre o localo onde a tradição indicava como a casa natal de Maria.
Com o III Concílio de Éfeso, de 431, que sancionou a legitimidade do título de “Mãe de Deus”, houve um florescimento de festas marianas no calendário litúrgico, dentre as quais: a Natividade, a Apresentação no Templo, a Anunciação e a Dormição.
Giovanni di Paolo di Grazia
Palácio Doria-Pamphjli - Roma

A data da festa da Natividade de Maria foi fixada em Jerusalém, na primeira metade do século V, aos tempos do patriarca Juvenal e da imperatris Eudóxia, em 8 de setembro, na ocasião da dedicação da Basílica de Santa Maria, edificada sobre a casa natal de Maria.
A data foi escolhida tendo como base o antigo ano litúrgico, que iniciava no mês de setembro; de fato a festa precede e anuncia as festas do primeiro pólo, Natal e Epifania; era seguido do pólo cristológico, Páscoa e Pentecostes, acompanhado pela Assunção da Virgem, que encontrava-se, então, no fechamento do ano litúrgico.
De Jerusalém a festa foi levada para Constantinopla: o primeiro documento que atesta a festa é um hino composto pelo Romano Melode, composto antes de 548: como diácono ele cantava o proêmio e as estrofes, fazendo com que os demais presentes repetissem a estrofe final.

A primeira comemoração mariana conhecida em Roma é aquela da quarta-feira do Tempo IV do Advento, introduzida pelo papa Leão Magno (440-461) na liturgia romana. Por volta de 595 o papa Gregório Magno (590-604) inaugurava a oitava do Natal, considerada a primeira festa mariana da liturgia latina.
Em Roma, nos séculos V e VI, era presente uma numerosa colônia grega que introduziu no mundo latino as festas de origem oriental, dentre as quais a da Natividade. Atribui-se ao Papa Sérgio I (687-701), nascido em Antióquia e faz parte do grupo de papas de origem oriental que ocuparam a cadeira pontifícia entre os séculos VI e VII.

De Roma a festa difundiu-se para todo o Ocidente e tornou-se popular na na Idade Média. A partir do século XI a festa adquiriu importância, tornando-se festa de preceito. Em 1243 o Papa Inocêncio IV estabeleceu que a Natividade fosse uma festa obrigatória para a igreja latina. No século XIV a festa mereceu também a sua vigília, prescrita por Gregório XI (morto nel 1378), instituindo um jejum e compondo-lhe uma missa.

Culto bizantino
ícone - Rússia Central - séc. XVII
No dia 8 de setembro, celebra-se a festa da Natividade da SS. Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, que é a primeira das Doze grandes festas do ano litúrgico bizantino. Para as festas com data fixa, o ano litúrgico começa no dia 1º de setembro; tempos atrás, essa data registrava também o início do ano civil no Oriente. Esse costume tem sua origem numa tradição hebraica que fixava o início do novo ano ao Tishri, período que corresponde ao nosso setembro-outubro. Portanto a primeira grande festa litúrgica é mariana, como também a última do ano, a do 15 de agosto, como a confirmar o grande amor que tem para com a Mãe de Deus o Oriente que a viu nascer e crescer em perfeita conformidade ao plano de Deus. Também os cristãos do Ocidente celebram o nascimento de Maria Santíssima na mesma data, porém com menor solenidade. Essa festa mariana teve sua origem em Jerusalém na metade do século V, onde permanecia viva a tradição da dedicação da igreja construída no lugar onde surgia a casa dos santos Joaquim e Ana. No século VI a festa foi introduzida em Constantinopla e mais tarde em Roma.
ícone - Rússia Central - séc. XVIII

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

7 de Setembro - Santa Regina (mártir)

Santas Regina e Martina
Teto da Basílica do Cristo Rei
Lovere - Itália

Regina ou Reine, seu nome no idioma natal, viveu no século III, em Alise, antiga Gália, França. Seu nascimento foi marcado por uma tragédia familiar, especialmente para ela, porque sua mãe morreu durante o parto. Por essa razão a criança precisou de uma ama de leite, no caso uma cristã. Foi ela que a inspirou nos caminhos da verdadeira fé e da virtude. Na adolescência, a própria Regina pediu para ser batizada no cristianismo, embora o ambiente em sua casa fosse pagão.
A cada dia, tornava-se mais piedosa e tinha a convicção de que queria ser esposa de Cristo. Nunca aceitava o cortejo dos rapazes que queriam desposá-la, tanto por sua beleza física como por suas virtudes e atitudes, que sempre eram exemplares. Ela simplesmente se afastava de todos, preferindo passar a maior parte do tempo reclusa em seu quarto, em oração e penitência.
Entretanto o real martírio de Regina começou muito cedo, e em sua própria casa. O seu pai, um servidor do Império Romano chamado Olíbrio, passou a insistir para que ela aprendesse a reverenciar os deuses. Até que um dia recebeu a denuncia de que Regina era cristã. No início não acreditou, mas decidiu que iria averiguar o assunto.
Quando Olíbrio percebeu que era verdade, denunciou a própria filha ao imperador Décio, que seduziu-a com promessas vantajosas caso renegasse Cristo. Ao perceber que nada conseguiria com a bela jovem, muito menos demovê-la de sua fé, ele friamente a mandou para o suplício. Regina sofreu todos os tipos de torturas e foi decapitada.

Martírio da Santa
Jacques Callot - 1630
Auckland Art gallery

O culto a santa Regina difundiu-se por todo o mundo cristão, sendo que suas relíquias foram várias vezes transladadas para várias igrejas. Até que, no local onde foi encontrada a sua sepultura, foi construída uma capela, que atraiu grande número de fiéis que pediam por sua intercessão na cura e proteção. Logo em seguida surgiu a construção de um mosteiro e, ao longo do tempo, grande número de casas. Foi assim que nasceu a charmosa vila Sainte-Reine, isto é, Santa Rainha, na França. Esta festa secular ocorre, tradicionalmente, em todo o mundo cristão, no dia 7 de setembro.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

6 de Setembro - São Zacarias (profeta)

ícone bizantino - séc. XVI

Aparição do anjo a Zacarias
Domenico Ghirlandaio - 1486
Capela Tornabuoni - Igreja de Santa Maria Novella - Florença

Michelangelo - abóbada da Capela Sistina - Roma

São Zacarias nasceu em Galaad, membro da tribo de Levi. Zacarias cujo nome significa “o Senhor lembra”, é o profeta mais citado no Novo Testemento, depois de Isaías, penúltimo dos profetas menores, foi chamado ao ministério profético no mesmo ano de Ageu, em 520. O seu ministério durou provavelmente até o término da construção do Templo de Jerusalém, tema das suas exortações. Mediante visões e parábolas, anuncia o convite de Deus à penitência, condição para que se realizem as promessas: “Assim fala o Senhor dos exércitos: Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós.” Sua caracteristica é o messianismo, suas profecias referem-se ao futuro do povo Israel, futuro próximo entendido como tempo de benevolêncio do Senhor para com Israel.
“Eis que eu libertarei o meu povo. Reconduzi-lo-ei para habitar em Jerusalém: será o meu povo e eu serei o seu Deus, na fidelidade e na justiça.” Será um tempo de paz e de alegria e as injustiças serão eliminadas da face da terra. Zacarias teria feito muitos prodígios, acompanhado-os com profecias de conteúdo apocalíptico. Morreu muito velho e, provavelmente, foi sepultado ao lado do túmulo de Ageu.