segunda-feira, 10 de outubro de 2011

10 de Outubro - São Francisco de Borja (Confessor)

Escola espanhola do séc. XVIII
Palácio de Gandia - Espanha

Príncipe da Espanha, Francisco nasceu na família dos Borgia, em português Borja, no dia 28 de outubro em Gandia, Valença, Espanha. Teve o mérito redimir completamente a má fama precedente desta família desde a remota e obscura época Medieval, notadamente em Roma. Ele era parente distante do Papa Alexandre VI e sobrinho do rei católico Fernado II, de Aragão e Castela. Os Borgia de então já eram muito piedosos e castos, o que lhe garantiu uma educação esmerada, dentro dos princípios cristãos, possibilitando o pleno exercício de sua vocação de vida dedicada somente à Deus.
Alfonso Lopez de Herrera
Pinacoteca de la Professa - Cidade do México

Mesmo vivendo numa corte de luxo e de seduções mundanas, Francisco se manteve sempre firme na busca de diversões sadias e no estudo compenetrado e sério. Na infância foi pagem da corte do rei Carlos V, depois seu amigo confidente. Como não gostava dos jogos, ao contrário da maioria dos jovens fidalgos da época, cresceu entre os livros. Mas abominava os fúteis. Preferia os de cultura clássica, principalmente os de assunto religioso. Esta mesma educação ele repassou, mais tarde, pessoalmente aos seus oito filhos.
Tinha dezenove anos quando se casou com Eleonora de Castro e, aos vinte, recebeu o título de marquês. Apesar do acúmulo das atribuições políticas e administrativas, foi um pai dedicado e atencioso, levando sempre a família a freqüentar os sacramentos e a se unir nas orações diárias.
Bernardo Lorente Germán - 1726

O mesmo tino bondoso e correto utilizou para cuidar do seu povo, quando se tornou vice-rei da Catalunha. A História mostra que a administração deste príncipe espanhol foi justa, leal e cristã. Os seus súditos e serviçais o consideravam um verdadeiro pai e todos tinham acesso livre ao palácio.
Entretanto, com as sucessivas mortes do seu pai e sua esposa, os quais ele muito amava, decidiu se entregar totalmente ao serviço de Deus. Em 1548, abdicou de todos os títulos, passou a administração ao filho herdeiro, fez votos de pobreza, castidade e obediência e, entrou oficialmente para a Companhia de Jesus, ordem recém-fundada pelo também Santo Inácio de Loyola. Meses depois, o Papa quis consagra-lo cardeal, mas ele pediu para poder recusar. Porém, logo foi eleito Superior geral da companhia.
Neste cargo imprimiu as suas principais características de santidade: a humildade a mortificação e uma grande devoção à Eucaristia e à Virgem Maria. Ativo, fundou o primeiro colégio jesuíta em Roma, depois outro sua terra natal, Gandia, e mais vinte espalhados por toda a Espanha. Enviou também as primeiras missões para a América Latina espanhola. E foi um severo vigilante do carisma original dos jesuítas, impondo à todos a hora de meditação cotidiana.
São Francisco abençoa um moribundo arrependido
Goya

Morreu em 30 de setembro de 1572. Deixou como legado vários escritos sobre a espiritualidade, além do exemplo de sua santidade. Beatificado em 1624, São Francisco Borja foi elevado aos altares da Igreja em 1671. Foi assim, através dele, que o nome da família Borgia se destacou com uma glória nunca presumida.
Escola espanhola do séc. XVIII

domingo, 9 de outubro de 2011

9 de Outubro - São João Leonardo (Fundador)


São João Leonardo nasceu em Diecimo, perto de Lucca, Itália, no ano de 1541, foi o sétimo filho de Tiago e Joana Lippi. Ainda muito jovem, João Leonardo foi mandado a Lucca para aprender a arte de farmacêutico. Aos vinte e seis anos deixou a farmácia, e sob a guia de Bernardini, empreendeu os estudos eclesiásticos e na Epifania de 1571 pode celebrar sua primeira missa. Na Igreja de São João de Magione, que lhe foi confiada pelo bispo, realizou a sua grande aspiração, fundando uma escola para o ensino da doutrina cristã.
Viveu dez anos num providencial exílio romano. Aí teve a oportunidade de estreitar amizade com São Filipe Néri, com o douto cardeal Barônio e com São José Calasans, e de fazer-se apreciar pelo Papa, que lhe confiou várias missões delicadas. Esteve em Nola, em Nápoles, em Montevergine, onde era necessária a mediação de homem sábio e caridoso para levar aos antigos mosteiros a disciplina e o primitivo espiríto religioso.

Em 1574 fundou a Ordem dos Clérigos Regulares da Mãe de Deus. Reuniu em torno de sia um grupo de sacerdotes dedicados à propagação da fé nos meios não-crentes. Por este motivo é tido como o inspirador da Propaganda Fidei, ou Obra da Propaganda da Fé, atuante até nossos dias no âmbito da Santa Sé. Em 1614 a Ordem recebeu a denominação definitiva de Clérigos Regulares da Mãe de Deus, com sede junto à Igreja de Santa Maria da Rosa. O grande apóstolo do século da Reforma pagou com muitas tribulações a coragem de pregar e de sustentar, de todos os modos, a necessidade de volta à genuína prática do Evangelho, numa época de decadência geral dos costumes. Ao lado de São Filipe Néri, São José de Calesanz, São Camilo de Léllis, São João Leonardo é uma das figuras marcantes da nossa Igreja do século XVI. São João Leonardo morreu no dia 08 de Outubro de 1609, em Roma. Foi beatificado no ano de 1861, tendo a solene canonização em 17 de Abril de 1938.
Corpo do santo venerado na Igreja de Santa Maria in Portico
Roma

sábado, 8 de outubro de 2011

8 de Outubro - Santa Reparata (Virgem e mártir)

Antonio Francesco da Fossombrone - 1506
Basílica de Casoli di Chieti - Itália

Os primeiros sinais do culto de Santa Reparata datam da primeira metade do século IX, quando no ‘Martirologio di Beda’, aparece pela primeira vez descrita a sua paixão no dia 8 de outubro. Tal manuscrito é proveniente da Abadia de Lorsch, na região de Würzburg, conservado na Biblioteca Vaticana, o ‘Palatino Latino 833’. Mas a sua popularidade logo se difundiu, visto o grande número de relatos da sua ‘Passio’ escritos nas mais diversas partes do Ocidente medieval. 
Particularmente na Itália, Santa Reparata goza de grande fama e devoção, em Firenze, Atri, Napoli e Chieti. O ‘Martirologio Romano’ descreve em 8 de outubro que “Em Cesaréia da Palestina, o martírio de Reparata virgem, deu-se pela sua recusa de fazer sacrifícios aos ídolos, sob o reinado do imperador Décio, e foi submetida a diversas espécies de tortura, e finalmente, morta com um golpe de clava. Viu-se sua alma desprender-se do corpo e subir aos céus na forma de uma pomba”.
Anônimo do séc. XVIII - Chieti

Eusébio de Cesaréia, que não ignorava os tormentos sofridos pelos cristãos no reinado de Décio (250-251), diz que se Reparata tivesse sido martirizada na sua sede episcopal, ele teria sabido, mas nada escreve a respeito.

Ourivessaria napolitana - séc. XVII
No passado, foi confundida pelos estudiosos com outras santas mártires, mas é dona de uma grande iconografia, com não poucas e importantes obras de artistas como Arnolfo di Cambio, Andrea Pisano e Domenico Passignano, todas na cidade de Florença.
Anônimo do séc. XVII
Museu Capitular de Chieti

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

7 de Outubro - Nossa Senhora do Rosário


A Festa de Nossa Senhora do Rosário foi instituída pelo Papa Pio V, em 1571, quando se celebrava o aniversário da batalha naval de Lepanto.
Segundo consta, os Cristãos saíram vitoriosos porque invocaram o auxílio da Santa Mãe de Deus, rezando o Rosário.
A origem do Terço do Rosário é muito antiga: Remonta aos anacoretas orientais, que usavam pedrinhas para contar as suas orações vocais.
O Venerável Beda sugerira aos Irmãos leigos, pouco familiarizados com o Saltério latino, que se utilizassem grãos de sementes, enfiados num barbante, na recitação dos Pai-Nossos e Ave-Marias.

Segundo a crônica, em 1328, Nossa Senhora apareceu a S. Domingos de Gusmão, recomendando-lhe a recitação do Rosário para a Salvação do mundo.
Rosário significa coroa de rosas, oferecidas a Nossa Senhora.
Os principais promotores e divulgadores da devoção do Rosário, no mundo inteiro, foram os Dominicanos.

Disse-nos o Papa João Paulo II, na sua Carta Apostólica "Rosarium Virginis Mariae": «O Rosário, de fato, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica. Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio. Nele, ecoa a Oração de Maria, o Seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora, iniciada no Seu ventre virginal. Com ele, o Povo cristão frequenta a Escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do Rosto de Cristo e na experiência da profundidade do Seu Amor. Mediante o Rosário, o crente alcança graças em abundância, como se as recebesse das próprias mãos da Mãe do Redentor».



Nossa Senhora do Rosário de Pompéia


No ano  79, uma erupção do Vesúvio, vulcão que fica perto de Nápoles, sepultou sob sua lava a faustuosa cidade de Pompéia, onde a aristocracia romana tinha suas casas de férias.

No início do século XIX, já descobertas as ruínas da cidade, instalaram-se no vale próximo várias famílias de camponeses que levantaram humildes habitações e uma pobre capela.
Em 1872 chegou ao lugar Bartolo Longo, advogado da Condessa Fusco, dona daquelas terras. Longo soube, ao dialogar com os camponeses, que as coisas não iam mal, embora foi alertado sobre a presença de indivíduos de maus costumes, os que faziam com que as coisas não fossem totalmente agradáveis. Não havia polícia e  que enquanto houve um padre, este exercia certa autoridade, mas após sua morte, eram poucos os que seguiam firmes na fé, por isso na capela que tinha ficado abandonada não se rezavam mais missas. As pessoas rezavam em suas casas.
Uma noite Longo viu em sonho um amigo morto há anos atrás que lhe disse "Salva esta gente, Bartolo. Propaga o Rosário. Faz com que o rezem. Maria prometeu a salvação aos que rezassem o rosário".
Longo voltou a Nápoles e de regresso levou consigo uma boa quantidade de Rosários que repartiu entre os habitantes do vale. Ao mesmo tempo, ajudado por alguns vizinhos, dedicou-se à tarefa de consertar a Capela, à qual as pessoas começaram a freqüentar, em número crescente, a rezar o Rosário.
No  ano de 1876 decidiu-se a aumentar o  Templo. Em 1878, Longo obteve de um convento de Nápoles um quadro muito  deteriorado de Nossa Senhora do Rosário com São Domingos e Santa Rosa de Lima, que um pintor restaurou. Ignora-se porque a figura da Santa limenha foi trocada pela de Santa Catarina de Siena. Posta sobre o altar do Templo, ainda inconclusa, a Sagrada imagem começou a realizar milagres.
No dia 8 de maio de 1887, o Cardeal Mônaco de  Valleta colocou na  venerada imagem um diadema de brilhantes abençoado pelo Papa Leão XIII e em 8 de maio de 1891, houve a Consagração Solene do novo Santuário de Pompéia, que existe até hoje.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

6 de Outubro - São Bruno (Fundador)


Filho de família nobre de Colônia (Alemanha) nasceu em 1032. Quando alcançou idade foi chamado pelo Senhor ao sacerdócio, e se deixou seduzir. Amigo e admirado pelo Arcebispo de Reims, Bruno, inteligente e piedoso, começou a dar aulas na escola da Catedral deaquele local, até que já, cinquentenário e cônego, amadureceu na inspiração de servir a uma Ordem religiosa.
Após curto estágio num mosteiro beneditino, retirou-se a uma região chamada Cartuxa com a aprovação e bênção de São Hugo, Bispo de Grenoble, o qual lhe ofereceu um lugar. Isto se deu graças a um sonho que São Hugo teve. Neste sonho, apareciam-lhe sete estrelas que caíam aos seus pés para, logo em seguida, levantarem-se e desaparecerem no deserto montanhoso. Após este sonho, o Bispo recebeu a visita de Bruno que estava acompanhado por seis companheiros monges. Ao ver os sete varões, o Bispo Hugo reconheceu imediatamente neles as sete estrelas do sonho e concedeu-lhes as terras onde São Bruno iniciou a Ordem gloriosa da Cartuxa com o coração abrasado de amor por Jesus e pelo Reino de Deus. 

Com os monges companheiros, observava-se absoluto silêncio, a fim do aprofundamento na oração e à meditação das coisas divinas, ofícios litúrgicos comunitários, obediência aos superiores, trabalhos agrícolas, transcrição de manuscritos e livros piedosos.
Quando um dos discípulos de São Bruno tornou-se Papa (Urbano II), teve ele que obedecer ao Vigário de Cristo, já que o queria como assessor, porém, recusou ser Bispo e após pedir com insistência ao Sumo Pontífice, conseguiu voltar à vida religiosa, quando juntamente com amigos de Roma, fundou no sul da Itália o Mosteiro de Santa Maria da Torre, onde veio a falecer no dia 6 de outubro de 1101.
As últimas palavras foram: "Eu creio nos Santos Sacramentos da Igreja Católica, em particular, creio que o pão e o vinho consagrados, na Santa Missa, são o Corpo e Sangue, verdadeiros, de Jesus Cristo". 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

5 de Outubro - São Plácido (Mártir)


Perugino - 1500
Em seus diálogos, São Gregório, o Grande, refere-se a São Plácido, dizendo que o patrício Tertulo confiara o filho Plácido a São Bento, ao mesmo tempo que Eutício entregava o filho Mauro ao mesmo patriarca dos monges do Ocidente.
Plácido, era menino ainda, uma tarde, com São Bento, quando subiu uma colina, onde iam orar ao Senhor para suplicar chuvas, porque todos na região lutavam cotra a falta de água.
Um dia, quando o venerável Bento estava na sua cela, Plácido saiu para ir buscar água em um lago, mas ali, atirando, sem precauções, a vasilha que levava, perdeu o equilíbrio e a seguiu para dentro d’água. E aconteceu que, num instante, a corrente tomou-o e levou-o para longe da margem, a uma distância, pouco mais ou menos, dum tiro de flecha.
Ora, o homem de Deus, do interior de sua cela, instantaneamente teve conhecimento do sucesso e, depressa, chamou o filho de Eutício, dizendo: - Irmão Mauro, corre, porque aquele menino que foi buscar água no lago, nele caiu e a correnteza está a levá-lo para longe!
Coisa maravilhosa e inaudita desde o apóstolo Pedro: tendo pedido e recebido a benção, à ordem do pai, Mauro, precipita-se até o lugar em que flutua o menino e, correndo como se fora em terra firme, agarra-o pelos cabelos e puxa-o para a margem. Depois que o depositou no seco, olhando ao redor, viu que correra sobre as águas. Estupefato, tremeu, pensando numa coisa que jamais pensara poder fazer.
Mauro resgata Plácido das águas

De volta ao Padre, contou-lhe o que se passara. E o venerável Bento começou a atribuir aquilo não aos seus próprios méritos, mas à obediência. Ao contrário, Mauro dizia que o sucedido devia-se inteiramente ao mando do venerável Bento. Senão quando, assim expunham a coisa, o que fora salvo entrou na conversa, como árbitro, e declarou:
- Quanto a mim, posso dizer que, quando me tiraram das águas, vi, acima de minha cabeça, o manto do abade, e pensei que fosse ele quem me viera salvar.
São Plácido foi enviado por Bento à Sicília. Mais tarde, aprisionado pelos sarracenos, morreu nas mãos do pirata Manuca, com outros irmãos. Diz assim o resumo do martirológio:
Em Messina, na Sicília, a morte dos santos mártires Plácido, monge, discípulo de São Bento, abade; Eutíquio e Vitorino, seus irmãos; Flávia, virgem, sua irmã; Donato e Firmato, diáconos; Fausto e mais trinta monges, trucidados em defesa da fé de Nosso Senhor Jesus Cristo pelo pirata Manuca.

Em Agosto de 1588, foram descobertos no coro de São João Batista de Messina três corpos de homens e um de mulher. Eram os de Plácido, dos dois irmãos e da irmã. Depois encontraram-se outros, mas o número de trinta foi ultrapassado. Desde então, a festa de São Plácido foi instituída para toda a Igreja, e o seu nome passou a figurar no martirológio romano.
Martírio de Plácido e seus irmãos
Correggio - 1625
Galeria Nacional de Parma

Um afresco rupestre que há perto de Valerano, em Viterno, mostra-nos o Santo ao lado do grande Patriarca São Bento e de São Mauro. Trajam túnicas, trazem escapulários, e São Plácido sustenta, na mão direita, uma cruz branca.
Martírio do santo e seus irmãos
Museu de San Giovanni di Malta - Messina

terça-feira, 4 de outubro de 2011

4 de Outubro - São Francisco de Assis

Abstenho-me dos detalhes sobre sua vida. Qualquer coisa aqui publicada seria, ainda, insuficiente.




Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.



São Francisco recebe os estigmas no Monte Alverne
Pieter Paul Rubens - 1616
Museu Wallraf- Richartz - colônia

Prediação aos pássaros - Giotto
Basílica de Assis

Guido Reni - 1605
Pinacoteca Nacional - Roma

Portinari
Igreja da Pampulha- Belo Horizonte

Caravaggio - 1596