sexta-feira, 4 de novembro de 2011

3 de Novembro - Santa Sílvia

Sílvia era italiana, nascida em Roma em torno de 520, numa família de origem siciliana de cristãos praticantes e caridosos. Os dados sobre sua infância não são conhecidos. Porém a sua adolescência coincidiu com um difícil e turbulento período histórico, o declínio do Império Romano e a tomada do mesmo pelos bárbaros góticos.
Oratório de Santa Silvia no Monte Célio - Roma
escultura de Nicola Cordieri

Ela entrou para a família dos Anici em 538, quando se casou com o senador Jordão. Essa família romana era poderosa e influente, e muitos nomes ficaram para a história do senado italiano. Sílvia foi residir na casa do marido, um palácio que ficava nas colinas do monte Célio, onde ele vivia com suas duas irmãs, Tarsila e Emiliana.
 O casal teve dois filhos. O primeiro foi Gregório, nascido em 540, e o segundo, que o próprio irmão citava com freqüência, nunca foi conhecido o nome. As cunhadas Tarsila e Emiliana tornaram-se santas, incluídas no calendário da Igreja, E seu primogênito foi o grande papa Gregório Magno, santo, doutor da Igreja e a glória de Roma do século VI.
escultura na Matriz de Vizzini, Sicilia

Sílvia soube conduzir essa família de verdadeiros cristãos e romanos autênticos e devotos. Não permitiu que a o ambiente da Corte que freqüentavam impedisse a santificação pela fé, mantendo sempre a pureza dos costumes separada da notoriedade pública.
As cunhadas são um exemplo da figura de Sílvia, mãe providente e benfeitora, que sabia conciliar as exigências de uma família de político atuante, como era o marido Jordão, com o desejo de perfeição espiritual representado pelas duas cunhadas.
 Devido a falta de notícias precisas, a santidade de Sílvia aparece refletida através daquela de seu filho. Sem dúvida, sobre são Gregório Magno o exemplo e o ensinamento da mãe foi um peso que não se pode ignorar. Embora ele tenha escrito muito pouco sobre a mãe e as tias, nas pregações costumava citar-lhes o exemplo.
 Dados encontrados sobre a vida de Silvia relatam que, quando o senador Jordão morreu em 573, ela tratou de uma doença grave do filho Gregório, que já adulto atuava no clero, levando pessoalmente as refeições até sua completa recuperação. Depois disso, entregou o palácio onde residia para que o filho o transformasse num mosteiro.
Quando Gregório não precisou mais da sua ajuda e nem de sua orientação, Sílvia retirou-se para a vida religiosa num dos mosteiros existentes fora dos muros de Roma. No qual, com idade avançada, ela morreu serenamente, num ano incerto, mas depois de 594.
Litografia italiana - séc. XIX

 O Martirológio Romano indica o dia 3 de novembro para o culto litúrgico em lembrança da memória de santa Sílvia. Em 1604, suas relíquias foram levadas para a igreja de santos André e Gregório, construída no antigo mosteiro e palácio de monte Célio, onde o papa São Gregório Magno nasceu e santa Sílvia viveu com as duas cunhadas santas.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

2 de Novembro - Dia de Finados


Um dos cultos mais antigos e que esteve presente em quase todas as religiões, em especial as mais antigas é o culto aos mortos. A princípio era ligado aos cultos agrários e de fertilidade. Para os mais antigos, os mortos eram como sementes, e por isso eram enterrados com vistas à ressurreição.

O dia dos mortos na prática da Igreja Católica surgiu como uma ligação suplementar entre mortos e vivos. O mundo em geral, tanto religiosos como profano aderiu a tal prática. No século I, os cristãos visitavam os mortos em seus túmulos para rezar pelos que morreram, mas iam apenas ao tumulo dos mártires.

Já no século V, um dia do ano era dedicado para rezar por todos os mortos, a igreja rezava por aqueles que ninguém mais lembrava. Exatamente no século X, a Igreja Católica estabeleceu um dia oficial para os mortos (Dia de Finados). Também o abade de
 Cluny, Santo Odilon, em 998, pedia aos monges que orassem pelos mortos. Foi a partir do século XI, que os papas Silvestre II, João XVII e Leão IX passaram a forçar a comunidade a dedicar um dia aos mortos.

No século XIII, tal data passou a ser comemorada no dia 2 de novembro, pois no dia 1º de novembro é a festa de Todos os Santos (celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados).

A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar sua posição (cf. Tobias 12,12;  1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46), e se apoia em uma prática de quase dois mil anos.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

1 de Novembro - Festa de Todos os Santos


No dia 1º de novembro, a Igreja celebra a festa de Todos os Santos. Segundo a tradição, ela foi colocada neste dia, logo após 31 de outubro, porque que os celtas ingleses - pagãos -, celebravam as bruxas e os espíritos que vinham se alimentar e assustar as pessoas nesta noite (Halloween).
Nesse dia, a Igreja militante (que luta na Terra) honra a Igreja triunfante do Céu “celebrando, numa única solenidade, todos os Santos” – como diz o sacerdote na oração da Missa – para render homenagem àquela multidão de Santos que povoam o Reino dos Céus, que São João viu no Apocalipse: “Ouvi, então, o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão". "Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.” (Ap 7,4-14)
Giovan Battista Gauli - 1680
Adoração do Cordeiro Místico
Kunstmuseum - Düsseldorf

Esta imensa multidão de 144 mil, que está diante do Cordeiro, compreende todos os servos de Deus, aos quais a Igreja canonizou através da decisão infalível de algum Papa, e todos aqueles, incontáveis, que conseguiram a salvação, e que desfrutam da visão beatífica de Deus. Lá “eles intercedem por nós sem cessar”, diz uma de nossas Orações Eucarísticas. Por isso, a Igreja recomenda que os pais ponham nomes de Santos em seus filhos.
Esses 144 mil significam uma grande multidão (12 x 12 x 1000). O número doze e o número mil significavam para os judeus antigos plenitude, perfeição e abundância; não é um valor meramente aritmético, mas simbólico. A Igreja já canonizou mais de 20 mil santos, mas há muito mais que isto no Céu. No livro 'Relação dos Santos e Beatos da Igreja', eu pude relacionar, de várias fontes, quase 5mil dos mais importantes; e os coloquei em ordem alfabética.
A "Lúmen Gentium" do Vaticano II lembra que: "Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por seguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (LG 49) (§956).
Albrecht Dürer - 1511
Kunsthistorisches Museum - Viena

Na hora da morte, São Domingos de Gusmão dizia a seus frades: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”. E Santa Teresinha confirmava este ensino dizendo: “Passarei meu céu fazendo bem na terra”.
A marca dos santos são as bem–aventuranças que Jesus proclamou no Sermão da Montanha; por isso, este trecho do Evangelho de São Mateus (5,1ss) é lido nesta Missa. Os santos viveram todas as virtudes e, por isso, são exemplos de como seguir Jesus Cristo. Deus prometeu dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação.
Ícone bizantino - séc. XVIII

Esta 'Solenidade de Todos os Santos' vem do século IV. Em Antioquia, celebrava-se uma festa por todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. A celebração foi introduzida em Roma, na mesma data, no século VI, e cem anos após era fixada no dia 13 de maio pelo papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do “Panteon” dos deuses romanos a Nossa Senhora e a todos os mártires. No ano de 835, esta celebração foi transferida pelo papa Gregório IV para 1º de novembro.
Giovanni Paolo Panini - séc. XVIII
Interior do Pantheon de Roma

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 de Outubro - São Quintino (Mártir)

Domenico De Blasio - 1715
Igreja de São Quintino, Alliste (Itália)
Quintino di Vermand (? – 287) santo de origem romana, que sofreu o martírio na Gália. Deste santo existem poucos testemunhos históricos, mas segundo a sua sua hagiografia era um cidadão romano, filho de um senador de nome Zeno. Morreu na Gália para onde tinha ido na companhia de São Luciano di Beauvais. Chegado em Amiens iniciou a pregar o Evangelho e realizar milagres, mas logo foi preso por ordem do prefeito  romano Riviozaro, nomeado pelo imperador Massimiliano e feroz perseguidor dos cristãos.
Martírio do santo
Jordaens - 1650

Sempre segundo a lenda, Quintino foi acorrentado e torturado repetidas vezes, na tentativa de repudiar o cristianismo, mas sempre sem êxito. Riziovaro foi transferido para Reims, capital da Gallia Belgica, e ordenou que para lá também fosse levado Quintino, para que, mais uma vez, fosse submetido a julgamento. Todavia, durante a viagem, nas proximidades da localidade chamada Augusta Veromanduorum (a atual Saint-Quentin), Quintino conseguiu fugir milagrosamente e continuou a sua obra e evangelização. Riviozaro, não dado por vencido, mandou captura-lo, e novamente tortura-lo, até que, finalmente preso,  mandou decapitá-lo e jogou seus restos mortais nos pântanos de Somme.

Segundo a lenda, 55 anos depois, uma mulher cega de família patrícia, encontrava-se no local onde o corpo do santo fora jogado e, seguindo uma inspiração divina, encontrou milagrosamente o corpo do santo, que emergiu da água dos pântanos emanando um "odore de santidade". Ela sepultou o corpo no alto de um monte e ali ergueu uma capela para proteger a sua sepultura, e feito isso, recuperou milagrosamente a sua visão.

30 de Outubro - São Marciano de Siracusa (Bispo e mártir)

pintura no Seminário Diocesano de Siracusa

A data a sua celebração varia segundo as várias fontes que falam a seu respeito. No Ocidente foi inserido pela primeira vez no ‘Martirologio Romano’ em 14 de junho, mas no Oriente a sua memória era já conhecida e recordada, em alguns livros, no dia 30 de outubro; o ‘Calendario marmoreo di Napoli’ o cita nessa data, assim como também nas versões mais modernas do ‘Martyrologium Romanum’. As fontes mais antigas falam dele ativo no século VII, mas são carentes de certezas históricas, e baseiam-se, apenas em tradições populares locais.
Marciano era discípulo de São Pedro, em Antioquia, e por ele foi enviada à Sicília, no século I, para pregar o Evangelho. Instalou-se na cidade de Siracusa onde operou muitas conversões, muitas delas acompanhadas por milagres. Sua popularidade provocou-lhe a morte “por aqueles que na época indignamente possuíam o cetro do comando”. 
É considerado o primeiro bispo de Siracusa, e a sua mais antiga representação data do século VIII-IX, do período bizantino siciliano, e encontra-se nas Catacumbas de Santa Luzia.
Busto do Santo
Escola napolitana - 1622
Catedral de Frigento, Itália

sábado, 29 de outubro de 2011

29 de Outubro - São Narciso (Bispo)

xilogravura antiga - Espanha


Segundo Santo Eusébio, São Narciso era natural da Palestina e foi o 15º bispo de Jerusalém, eleito em 189. Presidiu ao concílio de Cesaréia (197) e encabeçou a lista de assinaturas de uma carta que o episcopado da Palestina enviara ao papa São Vitor. Nesta carta, os bispos declaravam observar os rito e usos da Igreja romana. Contam que certa vez fora acusado de um crime que não cometera. Os caluniadores confirmaram por falsos juramentos a acusação. O primeiro dissera que se estivesse mentindo que o queimassem vivo. Já o segundo chamou sobre si a praga de lepra, se o que havia dito não fosse verdade. Por fim, o terceiro jurou pela luz de seus olhos que estava falando a verdade. 
Narciso ficou muito desgostoso e resolveu deixar a cidade secretamente. Foi para o deserto de Nítria, onde viveu oculto durante 8 anos. Aconteceu, então, que abateu sobre os caluniadores o mal que cada um havia arrogado sobre si: o primeiro morreu queimado; o segundo foi consumido pela lepra; e o terceiro ficou cego. Voltando a Jerusalém resolveu reassumir juntamente com o bispo Górdio o pastoreio de seu rebanho. Morreu por volta de 212, aos 116 anos de idade.



Altar de São Narciso - Catedral de Girona, Espanha
obra do escultor Pau Costa, séc. XVIII


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

28 de Outubro - São Judas Tadeu (Apóstolo)

George de La Tour
Museu Toulouse-Lautrec - Albi

São Judas Tadeu é, sem dúvida, hoje, um dos santos mais populares. No entanto, embora figurasse entre os apóstolos de Cristo, a devoção por ele se inicia tardiamente, uma vez que foi durante muito tempo "deixado em segundo plano" em função de seu nome, que se confundia com o do "apóstolo traidor", Judas Iscariotes.
São Judas era primo de Jesus, pois era filho de Alfeu, também chamado de Cléofas, irmão de São José. Ao que se sabe, seu pai era um daqueles discípulos de Emaús, a quem Jesus apareceu naquela tarde do dia da Ressurreição. Quanto à sua mãe, ela era uma das mulheres que se encontravam ao pé da Cruz de Jesus, junto com Maria Santíssima.

Michele Annoni - 1785
Museu de História e Arte de Valtellina

São Judas - aquele mesmo apóstolo que, na Última Ceia, pergunta a Jesus por que Ele havia se manifestado a eles e não ao mundo - demonstrou sempre um grande ardor pela causa do Reino e, então, o desejo de que o Evangelho se tornasse conhecido de todos. Era o chamado à missão, típico do cristão, daquele que ama a Cristo e guarda a sua Palavra. Ele o amava, e precisava garantir que todos o fizessem também, para que fosse possível se realizar aquela resposta que Jesus lhe havia dado naquela Ceia: "se alguém me ama guardará a minha palavra e meu pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada" (Jo 14,22).
Vincenzo Damiani - séc. XVIII
Igreja de São Martino de Monselice, Itália

São Judas morreu mártir, provavelmente no dia 28 de outubro de 70. Foi perseguido graças à coerência que mantinha entre a sua fé e a sua vida, e em função da força de sua pregação, coisas que impressionavam de tal forma os pagãos que estes se convertiam "em massa". Provocando a fúria de feiticeiros, ministros pagãos e falsos profetas, estes acabaram por incitar parte da população contra o santo, que morreu, possivelmente, trucidado a golpes de machado. Esta é a maneira considerada mais provável e, por isso, a sua imagem traz frequentemente uma machadinha em suas mãos. Traz também uma Bíblia, lembrando o seu amor pela Palavra de Deus; e um colar, cuja medalha traz o rosto de Cristo, com o objetivo de destacar a sua semelhança com aquele que era seu primo.
Nicola da Urbino - 1525
Museu Cívico de Pesaro, Itália