sábado, 5 de novembro de 2011

5 de Novembro - São Mamede (Mártir)

São Mamede, ou Mamede de Cesareia, é um santo venerado tanto pela Igreja Católica como pela Ortodoxa. Nasceu no séc. III, na cidade de Cesareia, que hoje tem o nome de Kayseri, na Turquia, que na altura estava sobe o poder do Imperador Romano Aureliano.
azulejaria portuguesa - séc. XIX
A sua vida começou em martírio, pois os seus pais Theodotus e Rufina, conceberam o santo enquanto estavam presos, pois praticavam a fé cristã. Mamede ficou desde cedo orfão, pois os seus pais foram executados, e ele teve a sorte de ser adotado por uma senhora rica chamada Ammia, mas aos 15 anos, Mamede fica completamente sozinho, pois a sua tutora morre e ele torna-se alvo do povo Romano. O jovem é capturado e torturado pela sua fé, pelo governador de Cesaria, e mais tarde pelo Imperador Romano Marco Aurélio, mas é aí que a história da sua santidade começa; diz-se que quando ele já estava fraco de tanto ser torturado, apareceu um anjo que libertou o pequeno Mamede, e lhe disse que devia ir a uma montanha perto de Cesaria, e assim o santo começou a sua jornada.
afresco bizantino - séc. X

No meio do caminho lhe apareceu um grupo de leões ferozes, ameaçando o santo, mas este orou a Deus, e logo os leões ficaram dóceis, como se fossem gatos, e desde aquele momento acompanharam Mamede na sua jornada.
Acompanhado pelo leão, foi visitar o Duque Alexandre, que logo o condenou à morte, acusando-o de ligações com energias do mal, que lhe tinham permitido andar com um leão domesticado. O Duque foi o mais agressivo e cruel, pegou em um tridente e espetou-o no abdómen do jovem, arrancando-lhe o estômago.
Mesmo mortalmente ferido, o santo arrastou-se até ao cume da montanha e lá Deus concedeu-lhe um novo estômago e cicatrizou a ferida, mas disse-lhe que o seu momento de entrar no reino dos céus tinha chegado, e assim sucedeu.
No século VIII as suas relíquias e a sua cabeça, foram transportadas para Langres, para a Catedral de Saint-Mammès, em França, Catedral esta que também foi o lar de muitas outras relíquias de santos martirizados na mesma época de São Mamede. É o santo patrono de Langres, dos bebês recém-nascidos e também das pessoas com problemas de ossos, especialmente na coluna, segundo a tradição popular.
Jean Cousin - 1541
São Mamede e o Duque Alexandre
Museu do Louvre

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

São Carlos Borromeu - (Bispo e confessor)


Oriundo da nobreza, Carlos Borromeu nasceu no dia 2 de outubro de 1538, tendo como pais Gilberto Borromeu e Margarida de Médicis, influentes na sociedade e na Igreja daquela época. Carlos era o segundo filho do casal e, aos doze anos, a família o entregou para servir a Deus, como era hábito naquele tempo. Tinha vocação religiosa acentuada, era penitente, piedoso e caridoso como os pobres.

Levou a sério os estudos, diplomando-se em direito canônico aos 21 anos de idade. Um ano depois, fundou uma Academia para estudos religiosos, com total aprovação de Roma. Sobrinho de Pio IV, aos 24 anos já era sacerdote e bispo de Milão. Na sua breve trajetória, deixou-se guiar apenas pela fé, atuando tanto na burocracia interna da Igreja quanto na evangelização, sem fazer distinção para uma ou para a outra. Talvez tenha sido o primeiro secretário de Estado no sentido moderno da expressão. Formado pela Universidade de Pavia, liderou uma reforma radical na organização administrativa da Igreja, que naquele período era alicerçada no nepotismo, abusos de influências e sintomas graves de corrupção e decadência moral.

Foi um dos maiores fundadores que a Igreja já teve. Criou seminários e vários institutos de utilidade pública para dar atendimento e abrigo aos pobres e doentes, o que lhe proporcionou o título de “pai dos pobres”. Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos. Tudo isto não aguenta comparação com as obras de caridade que o Arcebispo praticou, quando em 1569-1570, a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram a cidade de Milão. Não tendo mais o que dar, pedia ele próprio esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio, que teriam ficado fechadas.
Visitava os contaminados, levando-lhes o sacramento e consolo sem limites nem precauções, num trabalho incansável que lhe consumiu as energias. Chegou a flagelar-se em procissões públicas, pedindo perdão a Deus em nome de seu povo. Até que um dia foi apanhado, finalmente, pela febre, que minou seu organismo lentamente.

Morreu anos depois, dizendo-se feliz por ter seguido os ensinamentos de Cristo e poder encontrar-se com ele de coração puro. Tinha apenas 46 anos de idade, quando isso aconteceu no dia 4 de novembro de 1584, na sua sede episcopal, na Itália. O papa Paulo V canonizou-o em 1610 e designou a festa em homenagem à sua memória para o dia de sua morte.

3 de Novembro - Santa Sílvia

Sílvia era italiana, nascida em Roma em torno de 520, numa família de origem siciliana de cristãos praticantes e caridosos. Os dados sobre sua infância não são conhecidos. Porém a sua adolescência coincidiu com um difícil e turbulento período histórico, o declínio do Império Romano e a tomada do mesmo pelos bárbaros góticos.
Oratório de Santa Silvia no Monte Célio - Roma
escultura de Nicola Cordieri

Ela entrou para a família dos Anici em 538, quando se casou com o senador Jordão. Essa família romana era poderosa e influente, e muitos nomes ficaram para a história do senado italiano. Sílvia foi residir na casa do marido, um palácio que ficava nas colinas do monte Célio, onde ele vivia com suas duas irmãs, Tarsila e Emiliana.
 O casal teve dois filhos. O primeiro foi Gregório, nascido em 540, e o segundo, que o próprio irmão citava com freqüência, nunca foi conhecido o nome. As cunhadas Tarsila e Emiliana tornaram-se santas, incluídas no calendário da Igreja, E seu primogênito foi o grande papa Gregório Magno, santo, doutor da Igreja e a glória de Roma do século VI.
escultura na Matriz de Vizzini, Sicilia

Sílvia soube conduzir essa família de verdadeiros cristãos e romanos autênticos e devotos. Não permitiu que a o ambiente da Corte que freqüentavam impedisse a santificação pela fé, mantendo sempre a pureza dos costumes separada da notoriedade pública.
As cunhadas são um exemplo da figura de Sílvia, mãe providente e benfeitora, que sabia conciliar as exigências de uma família de político atuante, como era o marido Jordão, com o desejo de perfeição espiritual representado pelas duas cunhadas.
 Devido a falta de notícias precisas, a santidade de Sílvia aparece refletida através daquela de seu filho. Sem dúvida, sobre são Gregório Magno o exemplo e o ensinamento da mãe foi um peso que não se pode ignorar. Embora ele tenha escrito muito pouco sobre a mãe e as tias, nas pregações costumava citar-lhes o exemplo.
 Dados encontrados sobre a vida de Silvia relatam que, quando o senador Jordão morreu em 573, ela tratou de uma doença grave do filho Gregório, que já adulto atuava no clero, levando pessoalmente as refeições até sua completa recuperação. Depois disso, entregou o palácio onde residia para que o filho o transformasse num mosteiro.
Quando Gregório não precisou mais da sua ajuda e nem de sua orientação, Sílvia retirou-se para a vida religiosa num dos mosteiros existentes fora dos muros de Roma. No qual, com idade avançada, ela morreu serenamente, num ano incerto, mas depois de 594.
Litografia italiana - séc. XIX

 O Martirológio Romano indica o dia 3 de novembro para o culto litúrgico em lembrança da memória de santa Sílvia. Em 1604, suas relíquias foram levadas para a igreja de santos André e Gregório, construída no antigo mosteiro e palácio de monte Célio, onde o papa São Gregório Magno nasceu e santa Sílvia viveu com as duas cunhadas santas.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

2 de Novembro - Dia de Finados


Um dos cultos mais antigos e que esteve presente em quase todas as religiões, em especial as mais antigas é o culto aos mortos. A princípio era ligado aos cultos agrários e de fertilidade. Para os mais antigos, os mortos eram como sementes, e por isso eram enterrados com vistas à ressurreição.

O dia dos mortos na prática da Igreja Católica surgiu como uma ligação suplementar entre mortos e vivos. O mundo em geral, tanto religiosos como profano aderiu a tal prática. No século I, os cristãos visitavam os mortos em seus túmulos para rezar pelos que morreram, mas iam apenas ao tumulo dos mártires.

Já no século V, um dia do ano era dedicado para rezar por todos os mortos, a igreja rezava por aqueles que ninguém mais lembrava. Exatamente no século X, a Igreja Católica estabeleceu um dia oficial para os mortos (Dia de Finados). Também o abade de
 Cluny, Santo Odilon, em 998, pedia aos monges que orassem pelos mortos. Foi a partir do século XI, que os papas Silvestre II, João XVII e Leão IX passaram a forçar a comunidade a dedicar um dia aos mortos.

No século XIII, tal data passou a ser comemorada no dia 2 de novembro, pois no dia 1º de novembro é a festa de Todos os Santos (celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados).

A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar sua posição (cf. Tobias 12,12;  1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46), e se apoia em uma prática de quase dois mil anos.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

1 de Novembro - Festa de Todos os Santos


No dia 1º de novembro, a Igreja celebra a festa de Todos os Santos. Segundo a tradição, ela foi colocada neste dia, logo após 31 de outubro, porque que os celtas ingleses - pagãos -, celebravam as bruxas e os espíritos que vinham se alimentar e assustar as pessoas nesta noite (Halloween).
Nesse dia, a Igreja militante (que luta na Terra) honra a Igreja triunfante do Céu “celebrando, numa única solenidade, todos os Santos” – como diz o sacerdote na oração da Missa – para render homenagem àquela multidão de Santos que povoam o Reino dos Céus, que São João viu no Apocalipse: “Ouvi, então, o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão". "Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.” (Ap 7,4-14)
Giovan Battista Gauli - 1680
Adoração do Cordeiro Místico
Kunstmuseum - Düsseldorf

Esta imensa multidão de 144 mil, que está diante do Cordeiro, compreende todos os servos de Deus, aos quais a Igreja canonizou através da decisão infalível de algum Papa, e todos aqueles, incontáveis, que conseguiram a salvação, e que desfrutam da visão beatífica de Deus. Lá “eles intercedem por nós sem cessar”, diz uma de nossas Orações Eucarísticas. Por isso, a Igreja recomenda que os pais ponham nomes de Santos em seus filhos.
Esses 144 mil significam uma grande multidão (12 x 12 x 1000). O número doze e o número mil significavam para os judeus antigos plenitude, perfeição e abundância; não é um valor meramente aritmético, mas simbólico. A Igreja já canonizou mais de 20 mil santos, mas há muito mais que isto no Céu. No livro 'Relação dos Santos e Beatos da Igreja', eu pude relacionar, de várias fontes, quase 5mil dos mais importantes; e os coloquei em ordem alfabética.
A "Lúmen Gentium" do Vaticano II lembra que: "Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por seguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (LG 49) (§956).
Albrecht Dürer - 1511
Kunsthistorisches Museum - Viena

Na hora da morte, São Domingos de Gusmão dizia a seus frades: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”. E Santa Teresinha confirmava este ensino dizendo: “Passarei meu céu fazendo bem na terra”.
A marca dos santos são as bem–aventuranças que Jesus proclamou no Sermão da Montanha; por isso, este trecho do Evangelho de São Mateus (5,1ss) é lido nesta Missa. Os santos viveram todas as virtudes e, por isso, são exemplos de como seguir Jesus Cristo. Deus prometeu dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação.
Ícone bizantino - séc. XVIII

Esta 'Solenidade de Todos os Santos' vem do século IV. Em Antioquia, celebrava-se uma festa por todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. A celebração foi introduzida em Roma, na mesma data, no século VI, e cem anos após era fixada no dia 13 de maio pelo papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do “Panteon” dos deuses romanos a Nossa Senhora e a todos os mártires. No ano de 835, esta celebração foi transferida pelo papa Gregório IV para 1º de novembro.
Giovanni Paolo Panini - séc. XVIII
Interior do Pantheon de Roma

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 de Outubro - São Quintino (Mártir)

Domenico De Blasio - 1715
Igreja de São Quintino, Alliste (Itália)
Quintino di Vermand (? – 287) santo de origem romana, que sofreu o martírio na Gália. Deste santo existem poucos testemunhos históricos, mas segundo a sua sua hagiografia era um cidadão romano, filho de um senador de nome Zeno. Morreu na Gália para onde tinha ido na companhia de São Luciano di Beauvais. Chegado em Amiens iniciou a pregar o Evangelho e realizar milagres, mas logo foi preso por ordem do prefeito  romano Riviozaro, nomeado pelo imperador Massimiliano e feroz perseguidor dos cristãos.
Martírio do santo
Jordaens - 1650

Sempre segundo a lenda, Quintino foi acorrentado e torturado repetidas vezes, na tentativa de repudiar o cristianismo, mas sempre sem êxito. Riziovaro foi transferido para Reims, capital da Gallia Belgica, e ordenou que para lá também fosse levado Quintino, para que, mais uma vez, fosse submetido a julgamento. Todavia, durante a viagem, nas proximidades da localidade chamada Augusta Veromanduorum (a atual Saint-Quentin), Quintino conseguiu fugir milagrosamente e continuou a sua obra e evangelização. Riviozaro, não dado por vencido, mandou captura-lo, e novamente tortura-lo, até que, finalmente preso,  mandou decapitá-lo e jogou seus restos mortais nos pântanos de Somme.

Segundo a lenda, 55 anos depois, uma mulher cega de família patrícia, encontrava-se no local onde o corpo do santo fora jogado e, seguindo uma inspiração divina, encontrou milagrosamente o corpo do santo, que emergiu da água dos pântanos emanando um "odore de santidade". Ela sepultou o corpo no alto de um monte e ali ergueu uma capela para proteger a sua sepultura, e feito isso, recuperou milagrosamente a sua visão.

30 de Outubro - São Marciano de Siracusa (Bispo e mártir)

pintura no Seminário Diocesano de Siracusa

A data a sua celebração varia segundo as várias fontes que falam a seu respeito. No Ocidente foi inserido pela primeira vez no ‘Martirologio Romano’ em 14 de junho, mas no Oriente a sua memória era já conhecida e recordada, em alguns livros, no dia 30 de outubro; o ‘Calendario marmoreo di Napoli’ o cita nessa data, assim como também nas versões mais modernas do ‘Martyrologium Romanum’. As fontes mais antigas falam dele ativo no século VII, mas são carentes de certezas históricas, e baseiam-se, apenas em tradições populares locais.
Marciano era discípulo de São Pedro, em Antioquia, e por ele foi enviada à Sicília, no século I, para pregar o Evangelho. Instalou-se na cidade de Siracusa onde operou muitas conversões, muitas delas acompanhadas por milagres. Sua popularidade provocou-lhe a morte “por aqueles que na época indignamente possuíam o cetro do comando”. 
É considerado o primeiro bispo de Siracusa, e a sua mais antiga representação data do século VIII-IX, do período bizantino siciliano, e encontra-se nas Catacumbas de Santa Luzia.
Busto do Santo
Escola napolitana - 1622
Catedral de Frigento, Itália

sábado, 29 de outubro de 2011

29 de Outubro - São Narciso (Bispo)

xilogravura antiga - Espanha


Segundo Santo Eusébio, São Narciso era natural da Palestina e foi o 15º bispo de Jerusalém, eleito em 189. Presidiu ao concílio de Cesaréia (197) e encabeçou a lista de assinaturas de uma carta que o episcopado da Palestina enviara ao papa São Vitor. Nesta carta, os bispos declaravam observar os rito e usos da Igreja romana. Contam que certa vez fora acusado de um crime que não cometera. Os caluniadores confirmaram por falsos juramentos a acusação. O primeiro dissera que se estivesse mentindo que o queimassem vivo. Já o segundo chamou sobre si a praga de lepra, se o que havia dito não fosse verdade. Por fim, o terceiro jurou pela luz de seus olhos que estava falando a verdade. 
Narciso ficou muito desgostoso e resolveu deixar a cidade secretamente. Foi para o deserto de Nítria, onde viveu oculto durante 8 anos. Aconteceu, então, que abateu sobre os caluniadores o mal que cada um havia arrogado sobre si: o primeiro morreu queimado; o segundo foi consumido pela lepra; e o terceiro ficou cego. Voltando a Jerusalém resolveu reassumir juntamente com o bispo Górdio o pastoreio de seu rebanho. Morreu por volta de 212, aos 116 anos de idade.



Altar de São Narciso - Catedral de Girona, Espanha
obra do escultor Pau Costa, séc. XVIII


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

28 de Outubro - São Judas Tadeu (Apóstolo)

George de La Tour
Museu Toulouse-Lautrec - Albi

São Judas Tadeu é, sem dúvida, hoje, um dos santos mais populares. No entanto, embora figurasse entre os apóstolos de Cristo, a devoção por ele se inicia tardiamente, uma vez que foi durante muito tempo "deixado em segundo plano" em função de seu nome, que se confundia com o do "apóstolo traidor", Judas Iscariotes.
São Judas era primo de Jesus, pois era filho de Alfeu, também chamado de Cléofas, irmão de São José. Ao que se sabe, seu pai era um daqueles discípulos de Emaús, a quem Jesus apareceu naquela tarde do dia da Ressurreição. Quanto à sua mãe, ela era uma das mulheres que se encontravam ao pé da Cruz de Jesus, junto com Maria Santíssima.

Michele Annoni - 1785
Museu de História e Arte de Valtellina

São Judas - aquele mesmo apóstolo que, na Última Ceia, pergunta a Jesus por que Ele havia se manifestado a eles e não ao mundo - demonstrou sempre um grande ardor pela causa do Reino e, então, o desejo de que o Evangelho se tornasse conhecido de todos. Era o chamado à missão, típico do cristão, daquele que ama a Cristo e guarda a sua Palavra. Ele o amava, e precisava garantir que todos o fizessem também, para que fosse possível se realizar aquela resposta que Jesus lhe havia dado naquela Ceia: "se alguém me ama guardará a minha palavra e meu pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada" (Jo 14,22).
Vincenzo Damiani - séc. XVIII
Igreja de São Martino de Monselice, Itália

São Judas morreu mártir, provavelmente no dia 28 de outubro de 70. Foi perseguido graças à coerência que mantinha entre a sua fé e a sua vida, e em função da força de sua pregação, coisas que impressionavam de tal forma os pagãos que estes se convertiam "em massa". Provocando a fúria de feiticeiros, ministros pagãos e falsos profetas, estes acabaram por incitar parte da população contra o santo, que morreu, possivelmente, trucidado a golpes de machado. Esta é a maneira considerada mais provável e, por isso, a sua imagem traz frequentemente uma machadinha em suas mãos. Traz também uma Bíblia, lembrando o seu amor pela Palavra de Deus; e um colar, cuja medalha traz o rosto de Cristo, com o objetivo de destacar a sua semelhança com aquele que era seu primo.
Nicola da Urbino - 1525
Museu Cívico de Pesaro, Itália

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

27 de Outubro - São Gaudioso (Bispo)

São Gaudioso
Girolamo Romanini
National Gallery, Londres


Settimio Celio Gaudioso, bispo da Abitínia (África setentrional).Durante lo episcopado de Nostriano, perseguido por Genserico, rei ariano chefe dos vândalos, Gaudioso (coo o diácono de Cartago, Quodvultdeus) chegou exilado em Nápoles, em uma pequena barca muito danificada. Era o ano de 439.
Estabeleceu-se na acrópolis da antiga Neapolis (hoje Sant'Aniello a Caponapoli), onde no século VIII o bispo Stefano II construiu um monastério feminino em sua homenagem.
Seus restos mortais foram sepultados naquela cidade em 452 (morreu aos 70 anos), no Vale da Sanità, nas catacumbas que hoje, também, levam o seu nome. Levou para Nápoles a regra agostiniana, alguns usos litúrgicos africanos e as relíquias de Santa Restituta.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

26 de Outubro - São Demétrio de Tessalônica (Mártir)

Panselinos - 1300
Monastério de Vatopedis, Monte Athos - Grécia

Este glorioso e milagroso santo nasceu na cidade de Tessalônica (Norte da Grécia) de pais devotos e de descendência nobre. Era filho único de pais estéreis que recorreram a Deus pedindo que um filho lhes fosse dado e, portanto, era especialmente amado e educado. Seu pai era comandante militar em Tessalônica, e depois de sua morte, o imperador o promoveu ao mesmo posto em substituição ao pai. Ao fazê-lo, o imperador Maximiano, um adversário de Cristo, recomendou especialmente a Demétrio perseguir e exterminar os cristãos de Tessalônica. Demétrio, não só desobedeceu ao imperador, mas também confessava e pregava abertamente na cidade o Cristo, Senhor. Tomando conhecimento disso, o Imperador se enfureceu com Demétrio e, numa certa ocasião, ao retornar de uma guerra contra os samaritanos, foi para Tessalônica especificamente para investigar o assunto. 
ícone eslavo - 1520
Museu Saris - Bardejov (Eslováquia)

Ordenou então que Demétrio fosse chamado à sua presença, interrogando-o acerca de sua fé. Também diante do imperador Demétrio proclamou corajosamente sua fé, afirmando-se, portanto, como cristão, e, ainda mais, condenando a idolatria. Enfurecido, o imperador o condenou à prisão. Sabendo o que lhe esperava, Demétrio, entregou seus bens ao seu fiel servo Lupus para que distribuísse aos pobres. Depois foi conduzido à prisão, feliz, pois considerava o sofrer por Cristo como o lote de sua herança. Na prisão, um anjo do Senhor lhe apareceu e disse: «A paz esteja contigo, que sofres por amor a Cristo! Sê valente e forte!» Depois de vários dias, o Imperador enviou soldados à prisão para que matassem Demétrio. 
martírio do santo
pintura mural na Catedral de Tessalônica

Na prisão, os soldados imperiais encontraram Demétrio em oração, e o atravessaram com lanças. Os cristãos recolheram secretamente o seu corpo e o sepultaram. De seu túmulo passou a fluir mirra que trouxe a cura a muitos enfermos que recorriam ao lugar. Uma pequena igreja logo foi construída sobre suas relíquias. Leôncio, um nobre de Ilíria, padecendo de um mal incurável, foi plenamente restabelecido após recorrer em oração às relíquias de São Demétrio. Em gratidão, construiu uma igreja maior para substituir à anterior. O santo lhe apareceu em duas ocasiões. Quando o imperador Justiniano quis transferir as relíquias do santo, de Salônica para Constantinopla, uma faísca de fogo saiu do interior da sepultura e ouviu-se uma voz que dizia: «Deixe-as aqui e não as toques!» Assim, pois, as relíquias de São Demétrio foram mantidas sempre em Tessalônica. São Demétrio apareceu e salvou aquela cidade muitas vezes e de muitas calamidades, e os milagres são incontáveis.
1725
Igreja de São Nicolau de Voskopoja (Albânia)

Relíquias do santo
Catedral de Tessalônica


terça-feira, 25 de outubro de 2011

25 de Outubro - Santos Crispim e Crispiniano (Mártires)

Nossa Senhora no trono com os santos irmãos
Escola palermitana - séc. XV
Museu de Monreale, Itália



Crispim e Crispiniano eram irmãos de origem romana. Cresceram juntos e converteram-se ao cristianismo na adolescência. Ganhando a vida no oficio de sapateiro, eram muito populares, caridosos, e pregavam com ardor a fé que abraçaram. Quando a perseguição aos cristãos ficou mais insistente, os dois foram para a Gália, atual França. 
As tradições seculares contam que, durante a fuga, na noite de Natal, os irmãos Crispim e Crispiniano batiam nas portas buscando refúgio, mas ninguém os atendia. Finalmente, foram abrigados por uma pobre viúva que vivia com um filho. Agradecidos a Deus, quiseram recompensá-la fazendo um novo par de sapatos para o rapazinho. 
Trabalharam rápido e deixaram o presente perto da lareira. Mas antes de partir, enquanto todos ainda dormiam, Crispim e Crispiniano rezaram pedindo amparo da Providência Divina para aquela viúva e o filho. Ao amanhecer, viram que os dois tinham desaparecido e encontraram o par de sapatos cheio de moedas. 
gravura italiana - séc. XIV

Quando alcançaram o território francês, os dois irmãos estabeleceram-se na cidade de Soissons. Lá, seguiram uma rotina de dupla jornada, isto é, de dia eram missionários e à noite, em vez de dormir, trabalhavam numa oficina de calçados para sustentar-se e continuar fazendo caridade aos pobres. Quando a cruel perseguição imposta por Roma chegou a Soissons, era época do imperador Diocleciano e a Gália estava sob o governo de Rictiovaro. Os dois irmãos foram acusados e presos. Seus carrascos os torturaram até o limite, exigindo que abandonassem publicamente a fé cristã. Como não o fizeram, foram friamente degolados, ganhando a coroa do martírio. 
Martírio dos santos
Mestre de Nelken -1510
Landesmuseum, Zurique

O Martirológio Romano registra que as relíquias dos corpos desses dois nobres romanos mártires estavam sepultadas na belíssima igreja de Soissons, construída no século VI. Depois, parte delas foi transportada para Roma, onde foram guardadas na igreja de São Lourenço da via Panisperna. 

Martírio dos santos irmãos
Aert van den Bossch - 1494
Museu Nacional de Varsóvia

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

24 de Outubro - Santo Antonio Maria Claret (Fundador)

Madrid - 1857

Nasceu em 23 de dezembro de 1807, no povoado de Sallent, diocese de Vic, Barcelona, Espanha. Foi batizado no dia de Natal e recebeu o nome de Antônio Claret y Clara. Na família, aprendeu o caminho do seguimento de Cristo, a devoção a Maria e o profundo amor à eucaristia. 
Cedo aprendeu a profissão do pai e depois a de tipógrafo. Na adolescência, ouviu o chamado para servir a Deus. Assim, acrescentou o nome de "Maria" ao seu, para dar testemunho de que a ela dedicaria sua vida de religioso. E foi uma vida extraordinária dedicada ao próximo. Antônio Maria Claret trabalhou com o pai numa fábrica de tecidos e, aos vinte e um anos, depois de ter recusado empregos bem vantajosos, ingressou no Seminário de Vic, pois queria ser monge cartuxo. Mas lá percebeu sua vocação de padre missionário. 
Em 1835, recebeu a ordenação sacerdotal e foi nomeado pároco de sua cidade natal. Quatro anos depois, foi para Roma e dirigiu-se à Propaganda Fides, onde se apresentou para ser missionário apostólico. Foram anos de trabalho árduo e totalmente dedicado ao ministério pastoral na Espanha, que muitos frutos trouxeram para a Igreja. Em 1948, foi enviado para a difícil região das Ilhas Canárias. 

Capela do Silêncio, Sevilha

No entanto ansiava por uma obra mais ampla e assim, em 1849, na companhia de outros cinco jovens sacerdotes, fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, ou Padres Claretianos. Entretanto, nessa ocasião, a Igreja vivia um momento de grande dificuldade na distante diocese de Cuba, que estava vaga havia quatorze anos. No mesmo ano, o fundador foi nomeado arcebispo de lá. E mais uma vez pôde constatar que Maria jamais o abandonava. 
Era uma vítima constante de todo tipo de pressão das lojas maçônicas, que faziam oposição violenta contra o clero, além dos muitos atentados que sofreu contra a sua vida. Incendiaram uma casa que se hospedava, colocaram veneno em sua comida e bebida, assaltaram-no à mão armada e o feriram várias vezes. 
Mas monsenhor Claret sempre escapou ileso e continuou seu trabalho, sem nunca recuar. Restaurou o antigo seminário cubano, deu apoio aos negros e índios, escravos Em 1855, junto com madre Antônia Paris, fundou outra congregação religiosa, a das Irmãs de Ensino Maria Imaculada, ou Irmãs Claretianas. Fez visitas pastorais a todas as dioceses, levando nova força e ânimo, para o chamado ao trabalho cada vez mais difícil e cada vez mais necessário. Quando voltou a Madri em 1857, deixou a Igreja de Cuba mais unida, mais forte e resistente. 
Giovanni Battista Conti - 1950
Curia Geral, Roma

Voltou à Espanha porque a rainha Isabel II o chamou para ser seu confessor. Mesmo contrariado, aceitou. Nesse período, sua obra escrita cresceu muito, enriquecida com seus inúmeros sermões. Em 1868, solidário com a soberana, seguiu-a no exílio na França, onde permaneceu ao lado da família real. Contudo não parou seu trabalho de apostolado e de escritor por excelência. Encontrou, ainda, tempo e forças para fundar uma academia para os artistas, que colocou sob a proteção de são Miguel. 
Morreu com sessenta e três anos, no dia 24 de outubro de 1870, no Mosteiro de Fontfroide, França, deixando-nos uma importante e numerosa obra escrita. Beatificado pelo papa Pio XI, que o chamou de "precursor da Ação Católica do mundo moderno", foi canonizado em 1950 por Pio XII. Santo Antônio Maria Claret é festejando no dia de sua morte.

Corpo do santo, Vic, Espanha

domingo, 23 de outubro de 2011

23 de Outubro - São João de Capistrano (Pregador)

Santi Buglione - 1550
Los Angeles County Museum fo Art

João nasceu no dia 24 de junho de 1386, em Capistrano, província de Aquila, Abruzo, filho de um barão alemão e de mãe natural daquela cidade. Estudante em Perusia, formou-se e chegou a ser ótimo jurista, tanto que Ladislao de Durazzo o fez governador daquela cidade. Caiu prisioneiro dos Malatesta, sofreu uma crise religiosa e, em 1416 ,ingressou entre os Irmãos Menores. Na prisão havia meditado sobre a vaidade do mundo, como já havia feito o jovem Francisco. Já não queria voltar à vida mundana e, ao sair da prisão, ingressou na Ordem Franciscana, onde São Bernardino de Siena propunha, em nome de Jesus, a reforma para o retorno à primitiva observância da Regra.
Chegou a ser íntimo amigo do santo reformador, e mais: o defendeu aberta e vigorosamente quando, à causa da devoção ao nome de Jesus, o Santo de Siena foi acusado de heresia. Também tomou como emblema o monograma do nome de Jesus, como São Bernardino, e o levou em suas duras batalhas contra os hereges e infiéis. O Papa o nomeou inquisidor e o enviou como seu delegado à Àustria, Baviera e Polônia, onde crescia cada vez mais a heresia dos husitas.
Igreja dos Franciscanos de Cracóvia

Na Terra Santa promoveu a união dos armênios com Roma. Várias vezes foi Vigário Geral da observância; em 1430 propôs as constituições martinianas, chamadas assim em nome do papa Martino V, que são uma via intermediária entre o laxismo e o rigorismo, esperando deste modo conservar a unidade da família franciscana, o que foi inútil.
Onde fosse chamado para guiar, animar, combater, São João erguia a sua bandeira com o radiante estandarte em nome de Jesus, ou uma pesada cruz de madeira, e se lançava na disputa com firmeza e ardor. Sua atividade principal consistia na pregação e no apostolado em defesa da cristandade ameaçada pelos turcos e pelos hereges. Viajou incansavelmente por toda a Europa, teve contatos com várias personalidades tanto na Itália como no exterior. Em 1451, na Palestina, visitou os lugares santos da vida de Jesus, dos Apóstolos e de Maria.

Batalha de Belgrado - pintor húngaro, séc. XIX

Tinha 70 anos, quando em 1456 participou da batalha de Belgrado, quando a cidade foi invadida pelos turcos. Entrando entre as tropas combatentes, onde era mais incerta a sorte das armas, incitava aos cristãos a ter fé em nome de Jesus. Gritava: "Avançando ou retrocendo, golpeando ou sendo golpeado, invoquem o nome de Jesus. Só nele está a salvação e a vitória". Durante 11 dias e noites esteve sem abandonar o campo. Disciplinava militarmente suas tropas de terciários e cruzados. Esta seria a última batalha e sua última fulgurante vitória. Três meses depois, no dia 23 de outubro de 1456, morria em Vilak, próximo da moderna Stremoka Mitrovica (Iugoslávia), que no século IV foi sede de diversos concílios. Entregou a seus fiéis a cruz e o emblema do nome de Jesus que o havia servido ao extremo de suas forças.
Púlpito de São João
Catedral de Viena, séc. XVIII