quinta-feira, 10 de novembro de 2011

10 de Novembro - São Leão Magno (Papa)

Francisco de Herrera, o Jovem - séc. XVII
Museu do Prado, Madrid

Recebeu o título de "Magno", ou seja Grande, isto porque é considerado um dos maiores Papas da história da Igreja, grande no trabalho e na santidade. São Leão Magno nasceu em Toscana (Itália) no ano de 395 e depois de entrar jovem no seminário, serviu a diocese num sacerdócio santo e prestativo.
Ao ser eleito Papa, em 440, teve que evangelizar e governar a Igreja numa época brusca do Império Romano, pois já sofria com as heresias e invasões dos povos bárbaros, com suas violentas invasões. São Leão enfrentou e condenou o veneno de várias mentiras doutrinais, porém, combateu com intenso fervor o monofisismo que defendia, mentirosamente, ter Jesus Cristo uma só natureza e não a Divina e a humana em uma só pessoa como é a verdade. O Concílio de Calcedônia foi o triunfo da doutrina e da autoridade do grande Pontífice. Os 500 Bispos que o Imperador convocara, para resolverem sobra a questão do monofisismo, limitaram-se a ler a carta papal, exclamando ao mesmo tempo: "Roma falou por meio de Leão, a causa está decidida; causa finita est".
Alessandro Algardi 
Altar de São Leão Magno - Basílica do Vaticano

Quanto à dimensão social, Leão foi crescendo, já que com a vitória dos bárbaros sobre as forças do Império Romano, a última esperança era o eloquente e santo Doutor da Igreja, que conseguiu salvar da destruição a Itália, Roma e muitas pessoas. Átila ultrapassara os Alpes e entrara na Itália. O Imperador fugia e os generais romanos escondiam-se. O Papa era a única força capaz de impedir a ruína universal. São Leão sai ao encontro do conquistador bárbaro, acampado às portas de Mântua. É certo que o bárbaro abrandou-se ao ver diante de si, em atitude de suplicante, o Pontífice dos cristãos e retrocedeu com todo o seu exército.
Rafael Sanzio - Stanze di Eliodoro
Leão Magno encontra Átila
Palácio Vaticano, Roma

Dentre tantas riquezas em obras e escritos, São Leão Magno deixou-nos este grito: "Toma consciência, ó cristão da tua dignidade, já que participas da natureza Divina".

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

9 de Novembro - Dedicação da Basílica Lateranense

gravura em metal, Itália - séc. XVII
Luigi Rossini
Basílica e Palácio Lateranense


Situada no Monte Célio, o Palácio Lateranense pertencera a Fausta, mulher de Constantino. Após sua conversão, o imperador legou-a ao Papa para domicílio privado, fundando ao lado do palácio a Igreja do Latrão que se tornou Mãe e Cabeça de todas as igrejas do mundo. No dia 4 de novembro de 324, São Silvestre consagrou-a com o título de basílica do Santíssimo Salvador. Foi a primeira consagração pública de uma igreja. Muito depois, já no século XII, foi dedicada a São João Batista, a quem já era dedicado o batistério adjacente, e assim passou a se chamar basílica de São João do Latrão. Nesta basílica e no palácio foram feitos, entre os séculos IV e XVI, mais de 25 Concílios, dos quais 5 foram ecumênicos. Lá se desenvolveram as principais solenidades do ano litúrgico. Lá se ordenavam os presbíteros, se conferia o Batismo aos catecúmenos no dia de Páscoa e lá se dirigiam as procissões durante a oitava.

Lá se encontra a Cátedra do Bispo de Roma, ou seja, a basílica de São João de Latrão é a Catedral do Papa, a Igreja das igrejas e a Catedral de Roma. 
Armas de Pio V no teto da basílica



terça-feira, 8 de novembro de 2011

8 de Novembro - Quatro Santos Coroados (Mártires)

Basílica dos Santos Coroados - Roma
afresco do séc. XVI

Os quatros santos mártires coroados são: Castório, Cláudio, Nicóstrato e Sinfrônio; foram torturados e martirizados na Pannonia (hoje Hungria). Eram escultores em Sirmium (antiga Iugoslávia), e se recusaram a esculpir uma estátua pagã para o Imperador Diocleciano (243-305). Na Colina de Célio, em Roma, existe uma igreja dedicada aos  "Sancti Quatuor Coronati”, provavelmente construída no século sexto.
Teriam sido grandes escultores em pedra e trabalhavam juntos. Seu trabalho exibia um perfeito equilíbrio entre a pedra e o espaço, e o Imperador Diocleciano havia adquirido um certo número de trabalhos deles, aos quais admirava. Outros escultores, menos talentosos, com inveja, persuadiram Diocleciano a ordenar-lhes uma escultura de Aesculapius (Esculápio), deus da medicina e da cura, sabendo que eles, sendo cristãos, iriam recusar. Realmente, os escultores educadamente recusaram-se a esculpir a referida estátua. Foi-lhes, então, ordenado que oferecessem sacrifícios ao deus Sol, o que lhes era ainda menos aceitável.  Quando um oficial de Diocleciano, chamado Lampadius, que estava tentando convencer os escultores a oferecer os sacrifícios, morreu repentinamente, seus parentes culparam os quatro pela morte. Para aplacá-los Diocleciano ordenou que os escultores fossem amarrados vivos dentro de caixas de chumbo e jogados no rio, tendo-lhes, ainda, sido cravada no crânio uma coroa de pregos, daí o título “mártires coroados”.
Os corpos foram enterrados a três quilômetros de Roma. Mais tarde, o Papa Gregório Magno, um estudioso dos mártires, mencionou pela primeira vez na Igreja os "quatro mártires coroados", e o Papa Leão IV, em 841, trasladou suas relíquias para a igreja da Via Labicana. Posteriormente a igreja foi quase destruída pelo fogo, e o Papa Pascoal II a reconstruiu.
Gaspar de Crayer - 1870
heliogravura

Eles são venerados na Inglaterra, havendo uma capela a eles dedicada em Canterbury, erigida em 619. Os escultores em pedra da Idade Média tinham pelos quatro mártires uma especial veneração. São padroeiros dos escultores, dos trabalhadores em pedra e em mármore.
Nani di Banco
Orsanmichele, Florença

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

7 de Novembro - Todos os Santos Dominicanos


A instituição dessa festa, dedicada a todos os Santos Dominicanos, remonta ao ano de 1674. Foi um pedido do Cardeal Dominicano Vincenzo Maria Orsini, futuro Papa Bento XIII, ao Pontífice Clemente X, de quem havia recebido a púrpura, e que foi Protetor da Ordem. 
Fra Angélico - 18 Santos Dominicanos
National Gallery - Londres

A solenidade pareceu muito oportuna ao Pontífice, pois, observava “se quiséssemos dar a cada um dos seus santos filhos um dia especial. Precisaria formar um calendário apenas para eles”. 
São Domingos e os santos dominicanos
Mosteiro de Estavayer Le Lac - Suiça

O Patriarca São Domingos, numa magnífica visão que lhe revelou as belezas arcanas do céu, pode ver os seus filhos e filhas, Beatos e Santos, sob o manto da Virgem Maria, fazendo pulsar de alegria o seu coração. Doutores, Apóstolos, Mártires, Virgens. Além desses aureolados filhos da Igreja, tantos outros, muito numerosos, cujos nomes nenhuma crônica jamais nos legou, mas que souberam, porém, conduzir uma vida traçada por Domingos.
Santos dominicanos na China
(sem referência)

domingo, 6 de novembro de 2011

6 de Novembro - São Leonardo de Noblac (Confessor)

escola francesa - séc. XI

Leonardo de Noblac (ou de Noblat), nascido no século V, ao tempo do reinado do imperador Anastácio I, na região da Gália, situada ao norte de Loire, foi um nobre franco, afilhado do Rei Clóvis, convertido ao Cristianismo, juntamente com o rei, no Natal de 496.
Por ser descendente da antiga linhagem dos reis francos estava destinado a ocupar um alto posto junto dos nobres guerreiros, mas recusou-o e consagrou a sua vida ao serviço de Deus. São Remígio deu-lhe a tonsura eclesiástica e foi ordenado diácono pelo bispo de Orleans, sob proposta de São Maximino. Foi-lhe oferecida pelo rei a dignidade episcopal, mas Leonardo recusou e pediu-lhe que lhe concedesse autorização para visitar os presos do reino e libertar quantos quisesse. Mercê que lhe foi concedida.
Mestre do Espírito Santo - séc. XVI
coleção particular

Depois de converter e libertar os presos do norte tomou o caminho do sul. Ao chegar a Limoges foi detido pelo exército do rei da Aquitânia, que lhe falou da rainha que se encontrava em trabalhos de parto havia cinco dias. Logo que Leonardo orou, ela pôs o prisioneiro que retinha no seu seio em liberdade. Como recompensa foram-lhe dados terrenos na Floresta de Pauvan, onde foi construída uma capela, dedicada a Nossa Senhora, e mais tarde um mosteiro a que Leonardo deu o nome de Noblac. Curiosamente, a cidade que se foi gradualmente formando ao seu redor herdou também o seu nome, Saint-Léonard-de-Noblat na Haute-Vienne, e é atualmente Patrimônio Mundial da UNESCO, atravessada também por um dos muitos caminhos de Santiago.
Andrea Della Robbia - séc. XVI
Museu Nacional de Arte Antiga - Lisboa

sábado, 5 de novembro de 2011

5 de Novembro - São Mamede (Mártir)

São Mamede, ou Mamede de Cesareia, é um santo venerado tanto pela Igreja Católica como pela Ortodoxa. Nasceu no séc. III, na cidade de Cesareia, que hoje tem o nome de Kayseri, na Turquia, que na altura estava sobe o poder do Imperador Romano Aureliano.
azulejaria portuguesa - séc. XIX
A sua vida começou em martírio, pois os seus pais Theodotus e Rufina, conceberam o santo enquanto estavam presos, pois praticavam a fé cristã. Mamede ficou desde cedo orfão, pois os seus pais foram executados, e ele teve a sorte de ser adotado por uma senhora rica chamada Ammia, mas aos 15 anos, Mamede fica completamente sozinho, pois a sua tutora morre e ele torna-se alvo do povo Romano. O jovem é capturado e torturado pela sua fé, pelo governador de Cesaria, e mais tarde pelo Imperador Romano Marco Aurélio, mas é aí que a história da sua santidade começa; diz-se que quando ele já estava fraco de tanto ser torturado, apareceu um anjo que libertou o pequeno Mamede, e lhe disse que devia ir a uma montanha perto de Cesaria, e assim o santo começou a sua jornada.
afresco bizantino - séc. X

No meio do caminho lhe apareceu um grupo de leões ferozes, ameaçando o santo, mas este orou a Deus, e logo os leões ficaram dóceis, como se fossem gatos, e desde aquele momento acompanharam Mamede na sua jornada.
Acompanhado pelo leão, foi visitar o Duque Alexandre, que logo o condenou à morte, acusando-o de ligações com energias do mal, que lhe tinham permitido andar com um leão domesticado. O Duque foi o mais agressivo e cruel, pegou em um tridente e espetou-o no abdómen do jovem, arrancando-lhe o estômago.
Mesmo mortalmente ferido, o santo arrastou-se até ao cume da montanha e lá Deus concedeu-lhe um novo estômago e cicatrizou a ferida, mas disse-lhe que o seu momento de entrar no reino dos céus tinha chegado, e assim sucedeu.
No século VIII as suas relíquias e a sua cabeça, foram transportadas para Langres, para a Catedral de Saint-Mammès, em França, Catedral esta que também foi o lar de muitas outras relíquias de santos martirizados na mesma época de São Mamede. É o santo patrono de Langres, dos bebês recém-nascidos e também das pessoas com problemas de ossos, especialmente na coluna, segundo a tradição popular.
Jean Cousin - 1541
São Mamede e o Duque Alexandre
Museu do Louvre

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

São Carlos Borromeu - (Bispo e confessor)


Oriundo da nobreza, Carlos Borromeu nasceu no dia 2 de outubro de 1538, tendo como pais Gilberto Borromeu e Margarida de Médicis, influentes na sociedade e na Igreja daquela época. Carlos era o segundo filho do casal e, aos doze anos, a família o entregou para servir a Deus, como era hábito naquele tempo. Tinha vocação religiosa acentuada, era penitente, piedoso e caridoso como os pobres.

Levou a sério os estudos, diplomando-se em direito canônico aos 21 anos de idade. Um ano depois, fundou uma Academia para estudos religiosos, com total aprovação de Roma. Sobrinho de Pio IV, aos 24 anos já era sacerdote e bispo de Milão. Na sua breve trajetória, deixou-se guiar apenas pela fé, atuando tanto na burocracia interna da Igreja quanto na evangelização, sem fazer distinção para uma ou para a outra. Talvez tenha sido o primeiro secretário de Estado no sentido moderno da expressão. Formado pela Universidade de Pavia, liderou uma reforma radical na organização administrativa da Igreja, que naquele período era alicerçada no nepotismo, abusos de influências e sintomas graves de corrupção e decadência moral.

Foi um dos maiores fundadores que a Igreja já teve. Criou seminários e vários institutos de utilidade pública para dar atendimento e abrigo aos pobres e doentes, o que lhe proporcionou o título de “pai dos pobres”. Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos. Tudo isto não aguenta comparação com as obras de caridade que o Arcebispo praticou, quando em 1569-1570, a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram a cidade de Milão. Não tendo mais o que dar, pedia ele próprio esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio, que teriam ficado fechadas.
Visitava os contaminados, levando-lhes o sacramento e consolo sem limites nem precauções, num trabalho incansável que lhe consumiu as energias. Chegou a flagelar-se em procissões públicas, pedindo perdão a Deus em nome de seu povo. Até que um dia foi apanhado, finalmente, pela febre, que minou seu organismo lentamente.

Morreu anos depois, dizendo-se feliz por ter seguido os ensinamentos de Cristo e poder encontrar-se com ele de coração puro. Tinha apenas 46 anos de idade, quando isso aconteceu no dia 4 de novembro de 1584, na sua sede episcopal, na Itália. O papa Paulo V canonizou-o em 1610 e designou a festa em homenagem à sua memória para o dia de sua morte.