segunda-feira, 14 de novembro de 2011

14 de Novembro - São Serapião de Alexandria (Mártir)

Francisco de Zurbarán - 1628
Wadsworth Athenaeum

Procedente de família cristã da nobreza inglesa, Serapião, nasceu em Londres no ano 1179 no século XII. Seu pai era Rotlando Scoth capitão da esquadra do rei Henrique III. Muito jovem já estava atuando ao lado do pai na Cruzada comandada pelo lendário Ricardo Coração de Leão. Porém, no retorno, o navio naufragou próximo de Veneza e a viagem continuou por terra. Nesse percurso, acabaram prisioneiros do duque da Áustria, Leopoldo, o Glorioso, que libertou o rei e seu pai. Mas, Serapião e os demais tiveram de ficar. 
Logo, o duque percebeu que o jovem militar além de bom militar era bom cristão, muito bondoso e caridoso. Por isso, o manteve consigo na corte. Mais tarde quando recebeu a notícia da morte dos pais, Serapião decidiu ficar na Áustria. Com os soldados do duque seguiu para a Espanha, para auxiliar o exército cristão do rei Afonso III, que lutava contra os invasores muçulmanos. Quando chegaram, eles já tinham sido expulsos. 
escola colinal espanhola - séc. XVII

Serapião decidiu ficar e servir ao exército do rei Afonso III, para continuar defendendo os cristãos. Participou de algumas cruzadas bem sucedidas, até que em 1214 o rei Afonso III morreu em combate. Ele então, voltou para a Áustria aliou-se à quinta cruzada do duque Leopoldo, que partiu em 1217 com destino à Jerusalém e depois o Egito. 
O vai e vem da vida militar em defesa dos cristãos, levou novamente Serapião para a corte espanhola, em 1220. Desta feita acompanhando Beatriz da Suécia, que ia se casar com Fernando, rei de Castilha. Foi quando conheceu o sacerdote Pedro Nolasco, santo fundador da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, os chamados frades mercedários. Estes se dedicavam em defesa da mesma fé, mas não guerreando contra os muçulmanos, e sim buscando libertar do seu poder os cristãos cativos, mesmo que para isso tivessem que empenhar suas próprias vidas. 
Juan de Roelas
Museu de Belas Artes de Sevilha

Serapião ingressou na Ordem e recebeu o hábito mercedário em 1222. Junto com Pedro Nolasco e Raimundo Nonato, santo co-fundador, realizou várias redenções. Na última, que ocorreu em Argel, na África, teve de ficar refém para libertar os cristãos que estavam quase renegando a fé, enquanto o outro padre mercedário viajou rapidamente para Barcelona para buscar o dinheiro. Mas o superior, Pedro Nolasco, estava na França, quando foi informado, escreveu uma carta ao seu substituto na direção para arrecadar esmolas em todos os conventos da Ordem e enviar o dinheiro para libertar Serapião, o mais rápido possível.
Como o regate não chegou na data marcada, os muçulmanos, disseram a Serapião que poderia ser libertado se renegasse a fé cristã. Ele recusou. Enlouquecidos, lhe deram uma morte terrível. Colocado numa cruz em forma de X, como o apóstolo André, teve todas as juntas dos seus ossos quebradas, e assim foi deixado até morre. Tudo aconteceu no dia 14 de novembro de 1240, em Argel, atual capital da Argélia. 
gravura espanhola - séc. XVII

O culto que sempre foi atribuído à Santo Serapião, protetor contra as dores de artrose, foi confirmado em 1625, pelo Papa Urbano VIII. A festa religiosa ao santo mártir mercedário ocorre no dia de sua morte.

domingo, 13 de novembro de 2011

13 de Novembro - São Diogo de Alcalá (Confessor)


Diogo nasceu em Sevilha na Espanha. Amava a vida solitária desde sua juventude, e quando resolveu ser um eremita, ganhava a vida tecendo tapetes. Mais tarde tornou-se irmão  franciscano em Arizafa.
Embora não houvesse tido uma educação formal, Diogo era procurado por seus sábios conselhos, que refletiam uma notável percepção da vida cristã. Foi enviado como missionário para as Ilhas Canárias em 1422, tornando-se Superior da Comunidade em Fortaventura, onde converteu muitas almas com suas  pregações e seu exemplo. Voltou à Espanha sem ter sido atacado ou machucado, fato extremamente raro na época.
Azulejaria portuguesa - séc. XVII
Casa Pia de Lisboa

Foi chamado a Roma em 1450 para a canonização de São Bernardino de Siena,  mas uma epidemia se alastrou entre os franciscanos e São Diego trabalhou para tratar seus irmãos até a exaustão, e milagrosamente não contraiu a doença.
Morreu em 12 de novembro de 1463 em Alcalá, Castilha (Espanha) de causas naturais. É muito venerado na Espanha, na América latina,  em especial no Peru e na Argentina. A cidade de San Diego, na Califórnia (EUA) foi assim batizada em homenagem a este santo, que foi canonizado em 1588 pelo Papa Sisto V.
São Diogo recebe o hábito franciscano
Anibale Carracci

sábado, 12 de novembro de 2011

12 de Novembro - São Josafá (Patriarca)

ícone russo - séc. XVII

A Rússia foi evangelizada pelos cristãos bizantinos pouco antes do cisma do século XI e seguiu a Igreja grega na separação de Roma, aceitando-lhe a dependência até 1589, quando se tornou autônoma com a elevação do metropolita de Moscou à dignidade de patriarca. Neste mesmo período a Rutênia havia passado do domínio russo ao polonês. Os sacerdotes ortodoxos, entrando em comunhão com Roma, puderam manter os autênticos ritos e as tradições da Igreja eslava. Neste clima ecumênico, que fazia pressagiar a composição do cisma do Oriente, nascia em 1580, de nobre família ortodoxa separada, João Kuncewycz, o futuro apóstolo da unidade dos cristãos do Oriente.
Partindo do grande dom comum aos cristãos, o batismo, João amadureceu a sua completa adesão à unidade com Roma, recebendo os outros bens, como a palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade. A Igreja russa tinha de fato conservado intacto o essencial da fé e da estrutura eclesial, como os sacramentos, a liturgia, a antiga tradição apostólica e patrística, o culto dos santos, a devoção mariana, o profundo ascetismo.
escola veneziana
Campo de Santa Maria Formosa, Veneza

Foi precisamente a espiritualidade monástica oriental, cuja influência deu início a grande florescimento de vida monástica na Europa, que trouxe João à completa união com Roma. Vestindo a batina e convertendo-se à Igreja rutena unida, teve o privilégio de ser o primeiro noviço do primeiro mosteiro basiliano unido, o da Santíssima Trindade de Vilna. Tinha vinte anos. Mudou o nome, recebendo o de Josafá, o nome bíblico do vale de Cédron, onde, segundo o profeta Joel, se reunirão as almas para o juízo final.
Enxertando a antiga espiritualidade basiliana com as novas diretivas de ação dos jesuítas, dos quais acolheu e fez seu o jovem espírito missionário, Josafá, consagrado sacerdote, em seguida eleito arquimandrita e auxiliar do arcebispo Pólozk, empreendeu enorme atividade de apostolado para a reforma da vida monástica e para a unidade dos cristãos, a ponto de merecer o apelido de "raptor de almas".
Eleito bispo, sucedeu ao arcebispo Pólozk. Foi barbaramente assassinado por um grupo de facínoras a 12 de novembro de 1623 em Vitebst, na Rússia Branca, porque o seu zelo e a sua benemérita ação pela união com a Igreja de Roma havia-lhe atraído o ódio dos ortodoxos separados.
Foi canonizado por Pio IX em 1867. A memória obrigatória, decretada no novo calendário, tem significado claramente ecumênico.
Tumba do santo
Basílica Vaticana - Roma

11 de Novembro - São Martinho de Tours (Bispo)

Relicário da cabeça do santo
séc. XIV - Museu do Louvre

"Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade", dizia Martinho, bispo de Tours, aos oitenta e um anos de idade. Ele despertou para a fé quando ainda menino e depois, mesmo soldado da cavalaria do exército romano, jamais abandonou os ensinamentos de Cristo. A sua vida foi uma verdadeira cruzada contra os pagãos e em favor do cristianismo. Quatro mil igrejas dedicadas a ele na França, e o seu nome dado a milhares de localidades, povoados e vilas; como em toda a Europa, nas Américas. Enfim, em todos os países do mundo.                
Martinho nasceu na Hungria, antiga Panônia, por volta do ano 316, e pertencia a uma família pagã. Seu pai era comandante do exército romano. Por curiosidade começou a freqüentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porém sem receber o batismo. Ao atingir a adolescência, para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial. Mas se o intuito do pai era afastá-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade. Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, atual França.         
El Greco - 1598
National Gallery of Arts de Washington

Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia, um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite, o próprio Jesus apareceu-lhe em sonho usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião. Com vinte e dois anos, já estava batizado, provavelmente pelo bispo de Amiens, afastado da vida da Corte e do exército. Tornou-se monge e discípulo do famoso bispo de Poitiers, santo Hilário, que o ordenou diácono. Mais tarde, quando voltou do exílio, em 360, doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Poitiers. Lá, Martinho fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação que Martinho construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.   
Anthony van Dijck - séc. XVII
       
No Ocidente, ao contrário do Oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização. Martinho liderou, então, a conversão de muitos e muitos habitantes da região rural. Com seus monges, ele visitava as aldeias pagãs, pregava o Evangelho, derrubava templos e ídolos e construía igrejas. Onde encontrava resistência, fundava um mosteiro. Com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia. Dizem os escritos que, nessa época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava.              
Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371, o povo aclamou-o, unanimemente, para ser o bispo. Martinho aceitou, apesar de resistir no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica: visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de converter pagãos e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade, fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier. E sua influência não se limitou a Tours, tendo se expandido por toda a França, tornando-o querido e amado por todo o povo.        
Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos. Morreu, aos oitenta e um anos, na cidade de Candes, no dia 8 de novembro de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours. 
Venerado como são Martinho de Tours, ele se tornou o primeiro santo não-mártir a receber culto oficial da Igreja e também um dos santos mais populares da Europa medieval.
anônimo holandês - 1490

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

10 de Novembro - São Leão Magno (Papa)

Francisco de Herrera, o Jovem - séc. XVII
Museu do Prado, Madrid

Recebeu o título de "Magno", ou seja Grande, isto porque é considerado um dos maiores Papas da história da Igreja, grande no trabalho e na santidade. São Leão Magno nasceu em Toscana (Itália) no ano de 395 e depois de entrar jovem no seminário, serviu a diocese num sacerdócio santo e prestativo.
Ao ser eleito Papa, em 440, teve que evangelizar e governar a Igreja numa época brusca do Império Romano, pois já sofria com as heresias e invasões dos povos bárbaros, com suas violentas invasões. São Leão enfrentou e condenou o veneno de várias mentiras doutrinais, porém, combateu com intenso fervor o monofisismo que defendia, mentirosamente, ter Jesus Cristo uma só natureza e não a Divina e a humana em uma só pessoa como é a verdade. O Concílio de Calcedônia foi o triunfo da doutrina e da autoridade do grande Pontífice. Os 500 Bispos que o Imperador convocara, para resolverem sobra a questão do monofisismo, limitaram-se a ler a carta papal, exclamando ao mesmo tempo: "Roma falou por meio de Leão, a causa está decidida; causa finita est".
Alessandro Algardi 
Altar de São Leão Magno - Basílica do Vaticano

Quanto à dimensão social, Leão foi crescendo, já que com a vitória dos bárbaros sobre as forças do Império Romano, a última esperança era o eloquente e santo Doutor da Igreja, que conseguiu salvar da destruição a Itália, Roma e muitas pessoas. Átila ultrapassara os Alpes e entrara na Itália. O Imperador fugia e os generais romanos escondiam-se. O Papa era a única força capaz de impedir a ruína universal. São Leão sai ao encontro do conquistador bárbaro, acampado às portas de Mântua. É certo que o bárbaro abrandou-se ao ver diante de si, em atitude de suplicante, o Pontífice dos cristãos e retrocedeu com todo o seu exército.
Rafael Sanzio - Stanze di Eliodoro
Leão Magno encontra Átila
Palácio Vaticano, Roma

Dentre tantas riquezas em obras e escritos, São Leão Magno deixou-nos este grito: "Toma consciência, ó cristão da tua dignidade, já que participas da natureza Divina".

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

9 de Novembro - Dedicação da Basílica Lateranense

gravura em metal, Itália - séc. XVII
Luigi Rossini
Basílica e Palácio Lateranense


Situada no Monte Célio, o Palácio Lateranense pertencera a Fausta, mulher de Constantino. Após sua conversão, o imperador legou-a ao Papa para domicílio privado, fundando ao lado do palácio a Igreja do Latrão que se tornou Mãe e Cabeça de todas as igrejas do mundo. No dia 4 de novembro de 324, São Silvestre consagrou-a com o título de basílica do Santíssimo Salvador. Foi a primeira consagração pública de uma igreja. Muito depois, já no século XII, foi dedicada a São João Batista, a quem já era dedicado o batistério adjacente, e assim passou a se chamar basílica de São João do Latrão. Nesta basílica e no palácio foram feitos, entre os séculos IV e XVI, mais de 25 Concílios, dos quais 5 foram ecumênicos. Lá se desenvolveram as principais solenidades do ano litúrgico. Lá se ordenavam os presbíteros, se conferia o Batismo aos catecúmenos no dia de Páscoa e lá se dirigiam as procissões durante a oitava.

Lá se encontra a Cátedra do Bispo de Roma, ou seja, a basílica de São João de Latrão é a Catedral do Papa, a Igreja das igrejas e a Catedral de Roma. 
Armas de Pio V no teto da basílica



terça-feira, 8 de novembro de 2011

8 de Novembro - Quatro Santos Coroados (Mártires)

Basílica dos Santos Coroados - Roma
afresco do séc. XVI

Os quatros santos mártires coroados são: Castório, Cláudio, Nicóstrato e Sinfrônio; foram torturados e martirizados na Pannonia (hoje Hungria). Eram escultores em Sirmium (antiga Iugoslávia), e se recusaram a esculpir uma estátua pagã para o Imperador Diocleciano (243-305). Na Colina de Célio, em Roma, existe uma igreja dedicada aos  "Sancti Quatuor Coronati”, provavelmente construída no século sexto.
Teriam sido grandes escultores em pedra e trabalhavam juntos. Seu trabalho exibia um perfeito equilíbrio entre a pedra e o espaço, e o Imperador Diocleciano havia adquirido um certo número de trabalhos deles, aos quais admirava. Outros escultores, menos talentosos, com inveja, persuadiram Diocleciano a ordenar-lhes uma escultura de Aesculapius (Esculápio), deus da medicina e da cura, sabendo que eles, sendo cristãos, iriam recusar. Realmente, os escultores educadamente recusaram-se a esculpir a referida estátua. Foi-lhes, então, ordenado que oferecessem sacrifícios ao deus Sol, o que lhes era ainda menos aceitável.  Quando um oficial de Diocleciano, chamado Lampadius, que estava tentando convencer os escultores a oferecer os sacrifícios, morreu repentinamente, seus parentes culparam os quatro pela morte. Para aplacá-los Diocleciano ordenou que os escultores fossem amarrados vivos dentro de caixas de chumbo e jogados no rio, tendo-lhes, ainda, sido cravada no crânio uma coroa de pregos, daí o título “mártires coroados”.
Os corpos foram enterrados a três quilômetros de Roma. Mais tarde, o Papa Gregório Magno, um estudioso dos mártires, mencionou pela primeira vez na Igreja os "quatro mártires coroados", e o Papa Leão IV, em 841, trasladou suas relíquias para a igreja da Via Labicana. Posteriormente a igreja foi quase destruída pelo fogo, e o Papa Pascoal II a reconstruiu.
Gaspar de Crayer - 1870
heliogravura

Eles são venerados na Inglaterra, havendo uma capela a eles dedicada em Canterbury, erigida em 619. Os escultores em pedra da Idade Média tinham pelos quatro mártires uma especial veneração. São padroeiros dos escultores, dos trabalhadores em pedra e em mármore.
Nani di Banco
Orsanmichele, Florença