quinta-feira, 17 de novembro de 2011

17 de Novembro - Santa Elisabete da Hungria (Princesa)

Sebastiano Ricci - s/d

De estirpe real, era filha de André e Gertrudes, reis da Hungria, nasceu em 1207 e recebeu no batismo o nome de Elisabeth, que significa ‘casa de Deus’. Aos quatro anos de idade viaja para a Alemanha onde crescerá juntamente com a família do seu noivo, Luís, príncipe da Turíngia e sucessor do rei da Turíngia, Hermano.
Dada a sua vida simples, piedosa e desligada das pompas da corte, concluíram que a menina não seria uma boa companheira para Luís. E por isso perseguiram-na e maltrataram-na, dentro e fora do palácio.
Luís, porém, era um cristão da fibra do pai. Logo percebeu o grande valor de Elisabeth. Não se impressionava com a pressão dos príncipes e tratou de se casar o quanto antes. O que aconteceu em 1221.
A Santa não recuava diante de

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

16 de Novembro - Santa Margarida da Escócia

Aparição da Santíssima Trindade à Santa
escola Romana - 1698
Igreja de Santo André dos Escoceses, Roma

Santa Margarida nasceu na Hungria no ano de 1046, isto quando seu pai Eduardo III (de nobre família inglesa) aí vivia exilado, devido aos conflitos pelo trono da Inglaterra (o rei da Dinamarca ocupara o trono inglês). Em 1054, seu pai retornou à Inglaterra, Margarida tinha, portanto, oito ou nove anos quando conheceu a pátria inglesa. No entanto, após a morte de seu tio-avô, Santo Eduardo, em 1066, recomeçaram os conflitos: a luta entre Haroldo e Guilherme da Normandia obrigou Edgardo, irmão de Margarida, a refugiar-se novamente na Escócia com a mãe e as irmãs, tendo-lhes o pai morrido alguns anos antes.
estandarte inglês - bordado manual
séc. XIX

Vivendo na Escócia, Margarida casou-se com o rei Malcom III e buscou com os oito filhos

terça-feira, 15 de novembro de 2011

15 de Novembro - Santo Alberto Magno (Doutor da Igreja)

Tommaso da Modena - 1352
Convento dominicano de San Niccolò, Treviso

Santo Alberto representou a primeira grande expressão filosófica e científica do impacto de Aristóteles sobre a cultura ocidental latina. Ele foi um dos mais universais pensadores da Idade Média. Seus interesses iam das ciências naturais à teologia. Deixou contribuições à lógica, psicologia, metafísica, meteorologia, mineralogia, botânica e zoologia. É considerado o santo padroeiro das ciências naturais.
Estudou na Universidade de Pádua e entrou para a Ordem Dominicana em 1223. Ele foi o mais ilustre catedrático da faculdade de teologia de Paris, onde lecionou de 1245 a 1248, e nesse período São Tomás de Aquino se tornou seu discípulo. Foi chamado "Magno" porque seu pensamento científico, filosófico e teológico teve grande repercussão enquanto ainda vivia.
Santo Alberto e Santo Agostinho
gravura em metal - séc. XVII

Em 1248, ele foi nomeado para dirigir um importante centro de estudos (chamado studium generale) da ordem dominicana em Colônia, para onde foi com Tomás de Aquino, o qual retornaria em seguida a Paris para terminar os estudos.
Alberto passou grande parte da vida estudando o pensamento de Aristóteles. Ele procurou compreendê-lo distanciando-se dos estudiosos árabes, que haviam inserido suas próprias ideias nos escritos sobre o pensamento aristotélico. No entanto, ele leu os escritos dos mais importantes filósofos árabes para desenvolver suas próprias ideias em filosofia.
Sua notável compreensão de grande diversidade de textos filosóficos permitiu que ele fizesse uma das mais importantes sínteses da cultura medieval. Entre seus principais escritos científicos, podemos citar: "Sobre os Vegetais e as Plantas", "Sobre os Minerais" e "Sobre os Animais". Entre os escritos filosóficos: a "Metafísica" e suas paráfrases da "Ética", "Física" e "Política" de Aristóteles.
gravura em metal
Espanha - séc. XVII

Tanto na paráfrase de obras aristotélicas como em seus escritos originais, Alberto se mostrou um admirador da filosofia e da ciência de Aristóteles. Um de seus grandes méritos foi ter inserido o aristotelismo no pensamento cristão, orientando assim o caminho de estudos de seu ilustre discípulo Tomás de Aquino, que herdou do mestre o interesse pela metafísica e pela antropologia.
escultura em homenagem a Alberto
Colônia - Alemanha

Fonte: "Dicionário dos Filósofos", Denis Huisman, Martins Fontes, 2001.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

14 de Novembro - São Serapião de Alexandria (Mártir)

Francisco de Zurbarán - 1628
Wadsworth Athenaeum

Procedente de família cristã da nobreza inglesa, Serapião, nasceu em Londres no ano 1179 no século XII. Seu pai era Rotlando Scoth capitão da esquadra do rei Henrique III. Muito jovem já estava atuando ao lado do pai na Cruzada comandada pelo lendário Ricardo Coração de Leão. Porém, no retorno, o navio naufragou próximo de Veneza e a viagem continuou por terra. Nesse percurso, acabaram prisioneiros do duque da Áustria, Leopoldo, o Glorioso, que libertou o rei e seu pai. Mas, Serapião e os demais tiveram de ficar. 
Logo, o duque percebeu que o jovem militar além de bom militar era bom cristão, muito bondoso e caridoso. Por isso, o manteve consigo na corte. Mais tarde quando recebeu a notícia da morte dos pais, Serapião decidiu ficar na Áustria. Com os soldados do duque seguiu para a Espanha, para auxiliar o exército cristão do rei Afonso III, que lutava contra os invasores muçulmanos. Quando chegaram, eles já tinham sido expulsos. 
escola colinal espanhola - séc. XVII

Serapião decidiu ficar e servir ao exército do rei Afonso III, para continuar defendendo os cristãos. Participou de algumas cruzadas bem sucedidas, até que em 1214 o rei Afonso III morreu em combate. Ele então, voltou para a Áustria aliou-se à quinta cruzada do duque Leopoldo, que partiu em 1217 com destino à Jerusalém e depois o Egito. 
O vai e vem da vida militar em defesa dos cristãos, levou novamente Serapião para a corte espanhola, em 1220. Desta feita acompanhando Beatriz da Suécia, que ia se casar com Fernando, rei de Castilha. Foi quando conheceu o sacerdote Pedro Nolasco, santo fundador da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, os chamados frades mercedários. Estes se dedicavam em defesa da mesma fé, mas não guerreando contra os muçulmanos, e sim buscando libertar do seu poder os cristãos cativos, mesmo que para isso tivessem que empenhar suas próprias vidas. 
Juan de Roelas
Museu de Belas Artes de Sevilha

Serapião ingressou na Ordem e recebeu o hábito mercedário em 1222. Junto com Pedro Nolasco e Raimundo Nonato, santo co-fundador, realizou várias redenções. Na última, que ocorreu em Argel, na África, teve de ficar refém para libertar os cristãos que estavam quase renegando a fé, enquanto o outro padre mercedário viajou rapidamente para Barcelona para buscar o dinheiro. Mas o superior, Pedro Nolasco, estava na França, quando foi informado, escreveu uma carta ao seu substituto na direção para arrecadar esmolas em todos os conventos da Ordem e enviar o dinheiro para libertar Serapião, o mais rápido possível.
Como o regate não chegou na data marcada, os muçulmanos, disseram a Serapião que poderia ser libertado se renegasse a fé cristã. Ele recusou. Enlouquecidos, lhe deram uma morte terrível. Colocado numa cruz em forma de X, como o apóstolo André, teve todas as juntas dos seus ossos quebradas, e assim foi deixado até morre. Tudo aconteceu no dia 14 de novembro de 1240, em Argel, atual capital da Argélia. 
gravura espanhola - séc. XVII

O culto que sempre foi atribuído à Santo Serapião, protetor contra as dores de artrose, foi confirmado em 1625, pelo Papa Urbano VIII. A festa religiosa ao santo mártir mercedário ocorre no dia de sua morte.

domingo, 13 de novembro de 2011

13 de Novembro - São Diogo de Alcalá (Confessor)


Diogo nasceu em Sevilha na Espanha. Amava a vida solitária desde sua juventude, e quando resolveu ser um eremita, ganhava a vida tecendo tapetes. Mais tarde tornou-se irmão  franciscano em Arizafa.
Embora não houvesse tido uma educação formal, Diogo era procurado por seus sábios conselhos, que refletiam uma notável percepção da vida cristã. Foi enviado como missionário para as Ilhas Canárias em 1422, tornando-se Superior da Comunidade em Fortaventura, onde converteu muitas almas com suas  pregações e seu exemplo. Voltou à Espanha sem ter sido atacado ou machucado, fato extremamente raro na época.
Azulejaria portuguesa - séc. XVII
Casa Pia de Lisboa

Foi chamado a Roma em 1450 para a canonização de São Bernardino de Siena,  mas uma epidemia se alastrou entre os franciscanos e São Diego trabalhou para tratar seus irmãos até a exaustão, e milagrosamente não contraiu a doença.
Morreu em 12 de novembro de 1463 em Alcalá, Castilha (Espanha) de causas naturais. É muito venerado na Espanha, na América latina,  em especial no Peru e na Argentina. A cidade de San Diego, na Califórnia (EUA) foi assim batizada em homenagem a este santo, que foi canonizado em 1588 pelo Papa Sisto V.
São Diogo recebe o hábito franciscano
Anibale Carracci

sábado, 12 de novembro de 2011

12 de Novembro - São Josafá (Patriarca)

ícone russo - séc. XVII

A Rússia foi evangelizada pelos cristãos bizantinos pouco antes do cisma do século XI e seguiu a Igreja grega na separação de Roma, aceitando-lhe a dependência até 1589, quando se tornou autônoma com a elevação do metropolita de Moscou à dignidade de patriarca. Neste mesmo período a Rutênia havia passado do domínio russo ao polonês. Os sacerdotes ortodoxos, entrando em comunhão com Roma, puderam manter os autênticos ritos e as tradições da Igreja eslava. Neste clima ecumênico, que fazia pressagiar a composição do cisma do Oriente, nascia em 1580, de nobre família ortodoxa separada, João Kuncewycz, o futuro apóstolo da unidade dos cristãos do Oriente.
Partindo do grande dom comum aos cristãos, o batismo, João amadureceu a sua completa adesão à unidade com Roma, recebendo os outros bens, como a palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade. A Igreja russa tinha de fato conservado intacto o essencial da fé e da estrutura eclesial, como os sacramentos, a liturgia, a antiga tradição apostólica e patrística, o culto dos santos, a devoção mariana, o profundo ascetismo.
escola veneziana
Campo de Santa Maria Formosa, Veneza

Foi precisamente a espiritualidade monástica oriental, cuja influência deu início a grande florescimento de vida monástica na Europa, que trouxe João à completa união com Roma. Vestindo a batina e convertendo-se à Igreja rutena unida, teve o privilégio de ser o primeiro noviço do primeiro mosteiro basiliano unido, o da Santíssima Trindade de Vilna. Tinha vinte anos. Mudou o nome, recebendo o de Josafá, o nome bíblico do vale de Cédron, onde, segundo o profeta Joel, se reunirão as almas para o juízo final.
Enxertando a antiga espiritualidade basiliana com as novas diretivas de ação dos jesuítas, dos quais acolheu e fez seu o jovem espírito missionário, Josafá, consagrado sacerdote, em seguida eleito arquimandrita e auxiliar do arcebispo Pólozk, empreendeu enorme atividade de apostolado para a reforma da vida monástica e para a unidade dos cristãos, a ponto de merecer o apelido de "raptor de almas".
Eleito bispo, sucedeu ao arcebispo Pólozk. Foi barbaramente assassinado por um grupo de facínoras a 12 de novembro de 1623 em Vitebst, na Rússia Branca, porque o seu zelo e a sua benemérita ação pela união com a Igreja de Roma havia-lhe atraído o ódio dos ortodoxos separados.
Foi canonizado por Pio IX em 1867. A memória obrigatória, decretada no novo calendário, tem significado claramente ecumênico.
Tumba do santo
Basílica Vaticana - Roma

11 de Novembro - São Martinho de Tours (Bispo)

Relicário da cabeça do santo
séc. XIV - Museu do Louvre

"Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade", dizia Martinho, bispo de Tours, aos oitenta e um anos de idade. Ele despertou para a fé quando ainda menino e depois, mesmo soldado da cavalaria do exército romano, jamais abandonou os ensinamentos de Cristo. A sua vida foi uma verdadeira cruzada contra os pagãos e em favor do cristianismo. Quatro mil igrejas dedicadas a ele na França, e o seu nome dado a milhares de localidades, povoados e vilas; como em toda a Europa, nas Américas. Enfim, em todos os países do mundo.                
Martinho nasceu na Hungria, antiga Panônia, por volta do ano 316, e pertencia a uma família pagã. Seu pai era comandante do exército romano. Por curiosidade começou a freqüentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porém sem receber o batismo. Ao atingir a adolescência, para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial. Mas se o intuito do pai era afastá-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade. Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, atual França.         
El Greco - 1598
National Gallery of Arts de Washington

Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia, um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite, o próprio Jesus apareceu-lhe em sonho usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião. Com vinte e dois anos, já estava batizado, provavelmente pelo bispo de Amiens, afastado da vida da Corte e do exército. Tornou-se monge e discípulo do famoso bispo de Poitiers, santo Hilário, que o ordenou diácono. Mais tarde, quando voltou do exílio, em 360, doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Poitiers. Lá, Martinho fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação que Martinho construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.   
Anthony van Dijck - séc. XVII
       
No Ocidente, ao contrário do Oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização. Martinho liderou, então, a conversão de muitos e muitos habitantes da região rural. Com seus monges, ele visitava as aldeias pagãs, pregava o Evangelho, derrubava templos e ídolos e construía igrejas. Onde encontrava resistência, fundava um mosteiro. Com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia. Dizem os escritos que, nessa época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava.              
Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371, o povo aclamou-o, unanimemente, para ser o bispo. Martinho aceitou, apesar de resistir no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica: visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de converter pagãos e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade, fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier. E sua influência não se limitou a Tours, tendo se expandido por toda a França, tornando-o querido e amado por todo o povo.        
Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos. Morreu, aos oitenta e um anos, na cidade de Candes, no dia 8 de novembro de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours. 
Venerado como são Martinho de Tours, ele se tornou o primeiro santo não-mártir a receber culto oficial da Igreja e também um dos santos mais populares da Europa medieval.
anônimo holandês - 1490