quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

7 de Dezembro - Santo Ambrósio (Bispo)

mosaico bizantino - séc. V


Santo Ambrósio nasceu em Treves pelo ano 340. Ainda catecúmeno, por aclamação popular tornou-se bispo de Milão, Itália. Dedicou-se sobretudo ao estudo da Sagrada Escritura, com tanto empenho que logo a dominou.
Não era um intelectual puro, mas um ótimo administrador da comunidade cristã confiada a ele. Tornou-se um verdadeiro pai espiritual dos jovens imperadores Graciano, Valentiniano II e do temível Teodósio I, que não hesitou em repreender asperamente, exigindo dele uma penitência pública de expiação quando, para conter uma revolta, fez massacrar a população de Tessalônica.
Santo Ambrósio é o símbolo da Igreja renascente após os sofridos anos de vida escondida e das perseguições romanas. Santo Agostinho foi seu ouvinte assíduo, como refere-nos em suas Confissões, tendo sido batizado por ele.

Os seus célebres Comentários Exegéticos, antes de serem reunidos em volumes, tinham sido pregados à comunidade cristã de Milão. Sente-se aí palpitar o coração de um grande bispo, que consegue suscitar a comoção nos ouvintes com argumentações carregadas de emotividade e de interesse. Gostava de fazer o seu povo cantar e compôs um bom número de hinos, alguns dos quais ainda hoje são bastante familiares na liturgia ambrosiana.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

6 de Dezembro - São Nicolau (Bispo)

ícone russo - séc. XIX


São Nicolau Taumaturgo nasceu na cidade de Mira, na província de Lícia, um santo especialmente querido pelos ortodoxos, e em particular, pelos russos. Ele nasceu na Ásia Menor no final do séc. III. E desde a sua infância, demonstrou a sua profunda religiosidade e aproximou-se do seu tio, bispo da cidade de Patara e ainda jovem foi ordenado sacerdote.
Após a morte dos seus pais, São Nicolau herdou uma grande fortuna e começou a distribui-la entre os pobres. Ele se empenhou em ajudar secretamente, para que ninguém pudesse agradecer-lhe. Havia na cidade de Patara um rico comerciante com 3 filhas. Quando as suas filhas chegaram à maturidade, as transações comerciais do pai fracassaram e ele chegou à completa falência. Teve a ideia criminosa de usar a beleza das filhas para conseguir meios de sobrevivência. São Nicolau ficou ao par do seu plano e decidiu salvar a ele junto com as filhas de tal pecado e vergonha. Aproximando-se durante a noite da casa do comerciante falido ele jogou na janela aberta um saquinho com moedas de ouro. O comerciante, achando o ouro, com grande alegria preparou o enxoval da filha mais velha e arranjou-lhe um bom casamento. Passado um pouco de tempo, São Nicolau novamente jogou na janela um saquinho com ouro, o suficiente para o enxoval e o casamento da segunda filha. Quando o São Nicolau jogou o terceiro saquinho com ouro para a filha mais nova, o comerciante já estava à espera dele. Prostrando-se diante do Santo, agradeceu com lágrimas pela salvação da sua família de um horrível pecado e vergonha. Após o casamento das três filhas, o comerciante conseguiu recuperar os seus negócios e começou a ajudar o próximo, imitando o seu benfeitor.
Luca Giordano
Milagre de São Nicolau
Igreja de Santa Brígida - Nápoles

São Nicolau desejou visitar os lugares santos e embarcou num barco de Patara para a Palestina. O mar estava calmo, mas ao Santo foi revelado que em breve haveria uma tempestade e ele avisou aos outros viajantes. E realmente, veio uma tremenda tempestade e o barco virou um brinquedo indefeso das ondas violentas. Como todos sabiam que São Nicolau era padre, todos pediram a ele rezar pela salvação. Após a oração do Santo, o vento se acalmou e veio uma grande calmaria. Depois disto, um dos barqueiros foi derrubado pelo vento do mastro ao convés e morreu. São Nicolau o ressuscitou com suas orações.

Após a sua peregrinação aos lugares santos, São Nicolau queria se isolar num deserto e passar a sua vida inteira longe dos homens. Mas não era esta a vontade de Deus. Deus escolheu o Santo para ser o bom pastor dos homens. São Nicolau ouviu uma voz, ordenando –lhe a voltar à sua pátria e servir aos homens.
Não querendo morar na cidade onde foi tão bem conhecido, São Nicolau foi a uma cidade vizinha, Mira. Esta era a capital da província de Lícia e ali havia uma sé episcopal. O Santo se estabeleceu lá como um pobre. Como ele amava a igreja, ele ia para lá diariamente , logo que se abriam as suas portas.
Na época o bispo de Mira faleceu e os bispos vizinhos se reuniram para eleger o seu sucessor. Como eles não conseguiam chegar à unanimidade na escolha, um deles aconselhou: "O Senhor deve Ele mesmo nos indicar a pessoa certa. Assim irmãos, vamos rezar, jejuar e esperar pelo escolhido de Deus." E ao mais velho dos bispos Deus revelou que a primeira pessoa a entrar na igreja após a abertura da porta deveria ser eleito o bispo. Ele contou o seu sonho aos outros bispos e antes da missa da manhã, ficou vigiando a porta e esperando pelo eleito de Deus. São Nicolau, conforme o seu costume chegou primeiro para rezar. Vendo o Santo, o bispo perguntou a ele: "Como é seu nome?" Nicolau humildemente respondeu.
Nicola de Blasio - séc. XVIII
Museu Estadual de Mileto

"Me siga, meu filho"- disse o bispo, pegou na mão dele, conduziu-o até a igreja e avisou, que ele seria consagrado bispo de Mira. São Nicolau tinha medo de aceitar o cargo tão alto, mas teve que ceder à vontade dos bispos e do povo.
São Nicolau morreu muito velho em meados do século IV, mas com a morte dele, a sua ajuda não cessou. Durante mais de 1500 anos ele dá a sua rápida ajuda a todos, que rezam a ele. Os testemunhos da sua ajuda constituem uma vasta literatura e o amor da gente ortodoxa aumenta a cada dia.
Quando, em 1087 a província de Lícia foi devastada, o Santo apareceu no sonho a um padre em Bari, na Itália e mandou trasladar as suas relíquias para aquela cidade. Esta ordem do Santo foi rapidamente cumprida e desde aquela época, o Santo repousa na igreja de Bari. As suas relíquias vertem bálsamo, que cura os doentes. 
anônimo lombardo - séc. XVII
Milagre de São Nicolau

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

5 de Dezembro - São Geraldo de Braga (Bispo)

Portugal - séc. XVII

Geraldo de Moissac, nasceu de uma família nobre da Diocese de Cahors, em França. Foi trazido de Moissac para Toledo pelo bispo Bernardo,  de onde veio para Braga, tendo sido Arcebispo de 26 de Janeiro de 1099 até ao dia, em 5 de Dezembro de 1108, quando morreu, em Bornes (Vila Pouca de Aguiar), onde teria ido consagrar uma igreja. 
São Geraldo, teve um importante papel na reorganização da diocese de Braga depois da reconquista (nos anos que antecederam a fundação de Portugal). Em 1100 viajou para Roma com o objetivo de obter do Papa Pascoal II a restauração da Metrópole Bracarense; em 1103 voltou a Roma para obter a confirmação da jurisdição sobre todas as dioceses da Galiza, Astorga e Mondoñedo para onde fugiu o Bispado de Dume quando das invasões bárbaras, Ourense e Tui e ainda, em Portugal, sobre o Porto,  Coimbra, Lamego e Viseu. Estas duas viagens a Roma, e a definição de Braga como a autoridade metropolitana de um vasto território foram sementes da fundação da nacionalidade, o que ilustra bem o papel de Braga na fundação da mesma, papel esse, tantas vezes esquecido e porventura mal estudado. 
altar da Catedral de Braga

Conta a lenda que, no dia da sua morte, a 5 de Dezembro de 1108, “encontrava-se São Geraldo muito doente, às portas da morte, em Bornes, na terra fria, nos princípios de Dezembro, cercado o tugúrio onde se refugiara com os seus familiares, fugindo à neve que abundantemente por aquelas terras caía. Nos ardores de febre que o consumia, pede a um dos seus familiares que lhe traga algumas peças de fruta, para aplacar a sede e dar um pouco de alento ao seu debilitado corpo. Responde-lhe o seu criado que, naquele lugar e com aquele tempo invernoso, as árvores estavam despidas de folhagens e frutos. Poder-se-ia talvez encontrar ainda espalhadas pelo chão algumas castanhas e nada mais. A esta observação responde São Geraldo: "vai e procura!". Então, por uma frincha da porta por onde entrava o regelante frio, o servo viu que as árvores, lá fora, ao redor do terreiro, estavam floridas e recheadas de belos frutos”
altar da Catedral de Braga

domingo, 4 de dezembro de 2011

4 de Dezembro - Santa Bárbara (Mártir)




Antonio Ferreira - Portugal, séc, XVIII

Grande Santa e Mártir Bárbara viveu e sofreu durante o reinado do imperador Maximiano (305-311). Seu pai, um pagão de nome Dióscoro era um homem rico e ilustre da cidade fenícia de Heliópolis; como ficou viúvo muito cedo, voltou toda a sua atenção em devoção à sua filha única. Bárbara tinha uma beleza tão extraordinária que seu pai decidiu criá-la afastada dos olhos de estranhos. Para isso ele construiu uma torre, na qual ela vivia, junto de seus tutores pagãos.
Do alto da torre, ela podia vislumbrar a imensidão da criação de Deus: durante o dia, ela via colinas cobertas de florestas, rios que cortavam a terra e campinas cobertas por flores de todas as cores do arco-íris; e, a noite, o impressionante espetáculo da harmonia e majestade dos céus estrelados. Logo a jovem donzela passou a se questionar sobre o Criador de um mundo tão esplêndido e harmonioso. Aos poucos elas foi se convencendo que os ídolos pagão eram criação das mãos humanas, e embora seu pai e tutores a ensinavam a adorá-los, os ídolos não se mostravam sábios ou divinos o suficiente para terem criado o mundo. O desejo de Bárbara de conhecer o Deus Verdadeiro consumia sua alma de tal maneira que ela decidiu devotar toda a vida a isto, vivendo em castidade.
Mas a fama de sua beleza espalhou-se pela cidade, e surgiram muitos pretendentes à sua mão. E apesar das súplicas de seu pai, ela recusou, dizendo-lhe que sua persistência poderia separá-los para sempre, tendo um final trágico. Dióscoro, então, decidiu que o temperamento de sua filha havia sido afetado por sua vida reclusa – ele, então, permitiu que ela deixasse a torre, concedendo-lhe a liberdade de escolha de seus amigos e conhecidos. Foi assim que a donzela conheceu jovens cristãos na cidade, que lhe revelaram sobre os ensinamentos de Deus, a vida de Nosso Senhor, a Trindade e a Sabedoria Divina. Por intermédio da Providência Divina, após certo tempo, um padre de Alexandria, disfarçado como mercador, chegou a Heliópolis, e posteriormente veio a batizar Bárbara.
Lattanzio Querena
Igreja de Santa Maria Nascente, Agordo (itália)

Enquanto isso, um luxuoso quarto de banho estava sendo construído na casa de Dióscoro. Segundo suas ordens, os operários deveriam construir duas janelas na parede sul; mas Bárbara, aproveitando-se da ausência de seu pai, pediu-lhes para que fosse feita uma terceira janela, representando a Trindade. Sobre a entrada do quarto de banho Bárbara esculpiu em pedra uma cruz – segundo o hagiógrafo Simeão Metafrastes, certo tempo após a fonte que originalmente abastecia o quarto de banho ter secado, ela voltou a jorrar água com poderes curativos.
Quando Dióscoro retornou, expressando insatisfação com as mudanças em sua obra, sua filha lhe contou sobre seu conhecimento do Deus Triúno, sobre a salvação pelo Filho de Deus e da futilidade de adorar falsos ídolos.
Dióscoro imediatamente foi tomado pela fúria, tomando uma espada para matá-la; a jovem fugiu de seu pai, que partiu em sua perseguição; quando Santa Bárbara chegou a uma colina, nele se abriu uma caverna para escondê-la em seu interior. Após uma busca longa e sem resultados por sua filha, Dióscoro viu dois pastores em uma colina. Um deles lhe mostrou a caverna onde a Santa havia se escondido – quando a encontrou, Dióscoro lhe deu uma surra terrível, para depois mantê-la em cativeiro, em um jejum forçado. Vendo que não conseguia vencer a fé de Santa Bárbara, ele a levou para Marciano, o governador da cidade. Juntos, eles voltaram a surrá-la e chicoteá-la, salgando suas feridas. À noite, a Santa Donzela rezou com fé ao Senhor, e Ele lhe apareceu em pessoa, curando seus ferimentos. Ela, então, sofreu tormentos mais cruéis ainda.
Lucas Cranhach - séc. XVI
Martírio de Santa Bárbara

Entre a multidão que se encontrava próximo ao local da tortura, havia uma cristã moradora de Heliópolis, de nome Juliana, e seu coração havia se enchido de compaixão pelo martírio voluntário da bela e ilustre donzela.
Também desejando se sacrificar por Cristo e sua fé, e começou a denunciar os torturadores em voz alta, sendo presa logo em seguida. Ambas a Santas Mártires foram torturadas por muito tempo; após serem flageladas, foram levadas pelas ruas da cidade, em meio à zombaria e escárnio da multidão.
Após a humilhação, as fiéis seguidoras de Cristo, Santas Bárbara e Juliana foram decapitadas. O próprio Dióscoro executou Santa Bárbara. A fúria de Deus não tardou a punir seus torturadores e executores: logo em seguida, Dióscoro e Marciano foram fulminados por raios e relâmpago.
Nichlaus Gerhaert - 1465
Metropolitam Museum - Nova Iorque

sábado, 3 de dezembro de 2011

3 de Dezembro - São Sinfrônio (Patriarca)


Nativo de Damasco, Síria nasceu em 560. Ele viajava muito por todo o leste e oeste pregando o evangelho e viveu vários anos em Alexandria, colhendo material para o seu famoso trabalho chamado "Pradaria Espiritual ". Por volta de 580 ele e João Moscus entraram para o monastério de Sabás no Egito, e mais tarde, continuou a sua jornada de fé com São Theodósio na Palestina. Ele passou 10 anos em Alexandria. Após varias peregrinações a monastérios e ermidas no Egito e em Roma, estudando filosofia, escrituras e praticando estrita austeridade São Sinfrônio foi eleito patriarca de Jerusalém em 634.
Escritor eclesiástico com distinção e poeta, alguns dos seus escritos são lidos até hoje. Lutou contra a heresia monofisista. A heresia foi condenada no Concílio de Latrão em 649 e acreditava que Jesus não tinha duas naturezas, uma humana e outra divina. Naqueles tempos a cristandade tentava entender como poderia Jesus ser ao mesmo tempo Deus e homem. Teria fome? Sono? Teria mesmo sido tentado pelo demônio no deserto? Teria sido amamentado por sua mãe Maria? Teria sentido dor na cruz ? Na paixão ?
Enfim, estas questões foram debatidas mesmo após a morte de São Sinfrônio que era um ardoroso defensor do ponto de vista finalmente aceito por toda a Igreja, de que Jesus tinha uma natureza humana e outra divina. Ele enviou cartas ao Papa e ao Patriarca de Constantinopla fornecendo suas teorias sobre a questão. Seus pensamentos e raciocínios foram tão importantes que, por vezes seus escritos pareciam iluminados por Jesus ou anjos enviados para tal, tamanha era a perfeição de seu raciocínio. Ele escreveu várias homilias, doutrinas e poemas. Faleceu em 639 em Jerusalém de causas naturais.
Logo após a sua morte seu túmulo se tornou um local de peregrinação e vários milagres são creditados à sua intercessão.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

2 de Dezembro - Santa Bibiana (Virgem e mártir)

Gaetano Lapis - séc. XVIII
coleção particular



Bibiana ou Viviana viveu na época em que Roma estava sob o poder o imperador Juliano, "o apóstata". Aconteceu um dos últimos surtos de perseguição fatal aos cristãos, entre 361 e 363. O tirano que já tinha renegado seu batismo e abandonado a religião, passou a lutar pela extinção completa do cristianismo.
Começou substituindo todos os cristãos que ocupavam cargos civis por pagãos, e os mais populares e os mais perseverantes eram humilhados, torturados e, por fim mortos. No ano 363, a família de Bibiana foi executada na sua presença, porque não renunciou a fé cristã. Flaviano, seu pai morreu com uma marca na testa que o identificava como escravo. Defrosa, sua mãe foi decapitada. Ela e a irmã Demétria, antes de morrer, foram levadas para a prisão.
A primeira a morrer foi Demétria que perseverou na fé, após severos suplícios na presença da irmã. Por último foi o martírio de Bibiana, para o qual, conforme a antiga tradição, o governador local usou outra tática. Foi levada a um bordel de luxo para abandonar a religião ou ser prostituída. Mas os homens não conseguiam se aproveitar de sua beleza, pois a um simples toque, eram tomados por um surto de loucura. Bibiana então foi transferida para um asilo de loucos e lá ocorreu o inverso, os doentes eram curados. 
Gian Lorenzo Bernini
altar-mor da Igreja de Santa Bibiana - Roma

Sem renegar Cristo, foi entregue aos carrascos para ser chicoteada até a morte e o corpo jogado aos cães selvagens. Outro prodígio aconteceu naquele instante, e os animais não a tocaram. Ao contrário, mantiveram uma distância respeitosa do corpo da mártir. Os seus restos então foram recolhidos pelos demais cristãos, e enterrados ao lado dos familiares, num túmulo construído no monte Esquilino, em Roma. 
Finalmente a perseguição sangrenta acabou. A história do seu martírio ganhou a devoção dos fiéis. Santa Bibiana passou a ser incovada contra as doenças mentais e a epilepsia. O seu túmulo tornou-se meta de peregrinação e o seu bonito nome foi escolhido na hora do batismo por muitos cristãos. Também a conhecida variação, não menos bela, de Viviana se tornou popular na cristandade. 
Coluna onde Bibiana foi torturada
Igreja de Santa Bibiana - Roma

A veneração era tão intensa que o Papa Simplício mandou construir sobre a sua sepultura uma pequena igreja dedicada à ela, no ano 407. O culto ganhou um reforço maior ainda quando por volta de 1625, foi erguida sob as ruínas da antiga igreja uma basílica. Nela as relíquias de Santa Bibiana se encontram guardadas debaixo do altar-mor. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1 de Dezembro - Santo Elígio ou Elói (Bispo)

Peter Christus
Metropolitam Museum - Nova York


Santo Elígio nasceu em Limoges no ano de 588, de nobre família galo-romana, exerceu várias profissões e chegou a Bispo.
Elígio (também conhecido pelo nome de Elói) que em Paris tinha trabalhado como aprendiz junto com o superintendente de confecções de moedas reais, empenhou-se tanto e com tamanha honestidade que, com o precioso metal (ouro) que lhe foi fornecido para fazer um trono para o rei Clotário II, ele fez dois tronos, isso valeu-lhe a promoção de diretor da casa da moeda e ourives do rei. Ainda existem muitas moedas assinadas por Elígio e sabe-se que, em determinada altura, também cunhou moedas em Marselha.

nicolaus Manuel - 1515

No tempo de Dagoberto II, filho e sucessor de Clotário II, Elígio foi um dos conselheiros mais influentes do rei. Diz-se que os enviados dos príncipes estrangeiros se avistavam previamente com ele, antes de serem recebidos oficialmente pelo soberano. Era diplomata hábil e por mais de uma vez conseguiu evitar a guerra. Gozava de tanta confiança junto do rei, que não só se permitia fazer-lhe reparos sobre a indumentária descuidada, mas também sobre a sua vida privada que, como se sabe, deixava ainda mais a desejar.
O tempo que sobrava a este homem da corte, dos seus negócios e orações, de acudir aos pobres, remir cativos ou libertar escravos, empregava-o em honrar com a sua arte as relíquias dos santos. Atribuem-se-lhe os relicários feitos para S. Germano de Paris, S. Piat, S. Severino, S. Martinho, Santa Comba e Santa Genoveva. Diz-se que decorou também com trabalhos de ourivesaria o túmulo de S. Dinis. Além disso, fundou mosteiros, entre os quais um perto de Solignac em Limousin, outro dedicado a S. Martinho de Noyon e ainda outro a seis milhas de Arrás, numa colina que depois se chamou Monte de Santo Elói (Santo Elígio).

Igreja de Santo Antônio - Algarce

Em 639, morto o rei, demitiu-se de todos os cargos, para entrar na vida eclesiástica, tendo sido ordenado sacerdote por Deodato, Bispo de Mans. Foi sagrado Bispo em Ruão, no dia 14 de maio de 641, e ocupou desde então a Sé Episcopal de Noyon. Foi grande organizador, apóstolo cheio de zelo, sabedoria e bondade. A sua atividade irradiou para Flandres, Holanda e até, segundo se conta, para a Suécia e Dinamarca. Faleceu no ano de 659 com 71 anos de idade.