sábado, 24 de dezembro de 2011

24 de Dezembro - Santa Tarsila



A família romana Anícia teve a graça de enviar para a Igreja aquele que foi um dos grandes doutores da Igreja do Ocidente, o Papa Gregório Mágno, depois também Santo. Era um homem de estatura pequena e de saúde frágil, mas um gigante na administração e uma fortaleza espiritual. Entre seus antepassados paternos estão o imperador Olívio, o Papa e Santo Félix III e o senador Jordão, que era seu pai. 
A formação intelectual, religiosa e moral do menino Gregório ficou sob a orientação e cuidado de sua mãe, a futura Santa Sílvia e de suas tias: Tarsila, Emiliana, também Santas, e de Jordana, irmãs de seu pai, que logo faleceu. Tarsila e Emiliana eram muito unidas, além do parentesco, pelo fervor da fé em Cristo e pela caridade. As três viviam juntas na casa herdada do pai, no Monte Célio, como se estivessem num mosteiro. Tarsila era a guia de todas, orientando pela Palavra do Evangelho e pelo exemplo da caridade e da castidade. Dessa maneira os progressos na vida espiritual foram grandes. Depois, Jordana decidiu seguir a vida matrimonial, casando-se com um bom cristão, o administrador dos bens da sua família. 
Tarsila permaneceu com a opção de vida religiosa que havia escolhido. Sempre feliz, na paz do seu retiro e na entrega de seu amor a Deus, até que foi ao Seu encontro na glória de Cristo. Santo Gregório relatou que a tia Tarsila tivera uma visão de seu bisavô, o Papa Santo Félix III, o lhe teria mostrado o lugar que ocuparia no céu, com essas palavras: "Vem, que eu haverei de te receber nestas moradas de Luz". 
Após essa experiência, Tarsila ficou gravemente enferma. No seu leito de morte, ao lado da irmã Emiliana e dos parentes, pediu para que todos se afastassem dizendo: "Está chegado Jesus, meu Salvador!". Com estas palavras e sorrindo entregou sua alma a Deus. Ao ser preparada para o sepultamento, encontraram calos, duros e grossos, em seus joelhos e cotovelos, causados pelas contínuas penitências. Durante as orações, que duravam muitas horas, rezava ajoelhada e apoiada, diante de Jesus Crucificado. 
Poucos dias depois de morrer, Tarsila apareceu em sonho para sua irmã Emiliana e a convidou para celebrarem juntas a festa da Epifania no céu. E foi isso que aconteceu, Emiliana acabou morrendo na véspera do dia dos Reis. O culto a Santa Tarsila, mesmo não sendo acompanhado de fatos prodigiosos, se manteve discreto e persistente ao longo do tempo. Talvez pelo enriquecimento dos exemplos singulares narrados pelo sobrinho, Papa Santo Gregório Magno, o qual, entretanto nunca citou o ano do seu falecimento no século VI. A Igreja Católica estabeleceu o dia 24 de dezembro para as homenagens litúrgicas de Santa Tarsila, data transmitida pela tradição dos seus fiéis devotos.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

23 de Dezembro - Santo Antonio de Santana Galvão (Franciscano)

anônimo - 1850



Nascido em Guaratinguetá, em 1739, de uma família de muitas posses, descendia dos primeiros povoadores da Capitania e corria em suas veias sangue de bandeirantes. Renunciou a uma brilhante situação no mundo e ingressou na Ordem franciscana. Fundou, em 1774, juntamente com Madre Helena Maria do Espírito, o Recolhimento de Nossa Senhora da Luz, na capital paulista. Não somente formou e conduziu espiritualmente as religiosas desse mosteiro, mas também o edificou materialmente, ao longo de  48 anos de esforços contínuos.
Foi o arquiteto, o engenheiro, o mestre de obras e muitas vezes o operário da sua edificação, que somente se tornou possível porque ele incansavelmente pedia, ao povo fiel, esmolas para a magnífica construção. Sacerdote procurado e estimado por todos, era chamado "Homem da Paz e da Caridade". Entregou sua alma a Deus em 1822. Foi beatificado em 1998. Até hoje sua sepultura, na capela do mosteiro, é visitada por multidões que acorrem a lhe pedir graças e milagres, e também à procura das famosas e prodigiosas "pílulas de Frei Galvão". 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

22 de Dezembro - Santa Francisca Xavier Cabrini (Fundadora)




Nasceu em 15 de julho de 1850 Lombardia, Itália. Filha do fazendeiro Agostino Cabrini e sua esposa Stella. Diz a lenda que no dia que nasceu, um bando de pombos brancos sobrevoou a sua casa. Quem a conheceu dizia que tinha pequena estatura e grande espírito. Recebeu uma educação no convento de Arluno e foi treinada para ser uma professora. Sua mãe rezava por uma hora antes de ir para a missa e ela seguia seu exemplo, e às vezes se refugiava num local onde sozinha, podia orar tranqüila.
Tentou entrar para a Ordem com 18 anos, mas sua saúde impediu que recebesse o véu. O padre Don Serati pediu a ela que ensinasse em uma escola de meninas, "A Casa da Providência", um orfanato em Cadagono, Itália e ela lá ensinou por seis anos. Tomou os votos religiosos em 1877 e fazia tão bem seu trabalho que, quando o orfanato fechou em 1880, o Bispo de Todi pediu a ela que fundasse a Ordem das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus para cuidar das crianças pobres nas escolas e em hospitais. Diz a tradição que elas não tinham dinheiro para prover o que era necessário para as crianças, mas sempre que Francisca enviava uma das irmãs para buscar leite o pote estava sempre cheio, e se era para buscar pão o cesto de pão estava também cheio. Milagrosamente não faltava comida para as crianças. No mesmo ano ela abriu uma casa para moças e no ano seguinte abriu outra casa em Milão. Em 1887 foi a Roma para conseguir a aprovação das Regras da Ordem e permissão para abrir outra casa em Roma e conseguiu a aprovação para abrir duas casas: uma escola para crianças pobres e um orfanato, e ainda conseguiu a aprovação da Constituição da Ordem em 1888. Como havia um grande número de emigrantes italianos em Nova York o Arcebispo Corrigan enviou um convite formal a ela para ir para a América, e logo depois o Papa Leão XIII deu a sua permissão e benção para que ela fosse para os Estados Unidos.
Ela e seis outras freiras chegaram em Nova York em 1889. Elas trabalharam com os emigrantes, especialmente italianos. Ela fundou 67 instituições incluindo escolas, hospitais e orfanatos na América, Chile, Venezuela, Brasil e Argentina.

Quando ela morreu, a Ordem tinha 4.000 freiras. Ao longo de sua vida ela se naturalizou cidadã americana e assim é a primeira cidadã americana a ser canonizada.
Ela faleceu de malária em 22 de dezembro de 1917 em Chicago, Illinois, USA. Foi enterrada na Capela do Colégio Madre Cabrini em Nova York. Foi canonizada em 7 de julho de 1946 pelo Papa Pio XII
É a padroeira dos emigrantes, administradores de hospitais e órfãos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

21 de Dezembro - São Pedro Canisio (Doutor da Igreja)


Este santo, chamado "o segundo evangelizador da Alemanha" e de “martelo dos hereges”, é venerado como um dos criadores da imprensa católica e foi o primeiro do numeroso exército de escritores jesuítas.
Nasceu em Nimega, Holanda em 1521. Aos 19 anos, conseguiu a licenciatura em teologia, e para agradar a seu pai se dedicou a especializar-se em direito. Entretanto, depois de realizar alguns Exercícios Espirituais com o Padre Favro, que era companheiro de Santo Inácio, entusiasmou-se pela vida religiosa, fez votos ou juramento de permanecer sempre casto, e prometeu a Deus fazer-se jesuíta.
Foi admitido na comunidade e os primeiros anos de religioso passaram-se em Colônia, Alemanha, dedicado à oração, ao estudo, a meditação e a ajuda aos pobres. Foi muito caridoso e amável com as pessoas que lhe discutiam, mas tremendo e incisivo contra os enganos dos protestantes.
São Pedro Canisio tinha uma especial qualidade para resumir os ensinos dos grandes teólogos e apresentar as de maneira singela para que o povo pudesse entender. Conseguiu redigir dois Catecismos, a gente resumido e outro explicado. Estes dois livros foram traduzidos a 24 idiomas e na Alemanha se propagaram por centenas e milhares.
Nos trinta anos de seu incansável trabalho de missionário percorreu trinta mil quilômetros pela Alemanha, Áustria, Holanda e Itália. Parecia incansável, e a quem lhe recomendava descansar um pouco lhe respondia: "Descansaremos no céu".
Por muitas cidades da Alemanha foi fundando colégios católicos para formar religiosamente aos alunos. Além disso, ajudou a fundar numerosos seminários para a formação dos futuros sacerdotes. Alemanha, depois de São Pedro Canisio, era mais católico. São Pedro Canisio se deu conta do imenso bem que fazem as boas leituras. propôs-se formar uma associação de escritores católicos.

Estando em Friburgo em 21 de dezembro de 1597, depois de ter rezado o santo Rosário, exclamou cheio de alegria e emoção: "Olhem-na, aí esta. Aí está". E morreu. A Virgem Santíssima tinha vindo para levar-lhe ao céu. O Sumo Pontífice Pio XI, depois de canonizá-lo, declarou-o Doutor da Igreja, em 1925.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

19 de Dezembro - Santa Fausta (Mártir)




Em Cízico, na Propôntides (Ásia Menor), o natal dos santos mártires Fausta, virgem, e Evilásio, sob o imperador Maximiliano. Fausta foi suspensa e atormentada pelo próprio Evilásio, sacerdote dos ídolos, tendo sido despojada dos cabelos e raspada por humilhação. Em seguida querendo serrá-la pelo meio e não conseguindo os algozes ofendê-la, Evilásio, surpreso com isso, converteu-se a Cristo; e enquanto ele, por ordem do imperador era duramente atormentado, Fausta ferida na cabeça, traspassada com pregos por todo o corpo e colocada num tacho ardente, finalmente, junto com Evilásio, chamada por uma voz celeste, passou ao Senhor."
Assim o Martirológio Romano fixa a memória da santa de hoje. Como acontece frequentemente, estas informações foram tiradas exclusivamente das Atas, ou melhor de uma Paixão, à qual os historiadores atuais atribuem um valor quase nulo, sobretudo por algumas extravagâncias. Por outro lado a narração não ficou isenta de correções e variantes mais ou menos contemporâneas o documento foi utilizado também pelo célebre historiador são Beda o venerável no seu Martirológio, onde se leem mais ou menos as mesmas notícias já referidas. É interessante até como ele tenha acolhido juntamente duas variantes. O primeiro suplício de santa Fausta, "despojada dos cabelos e raspada por humilhação", foi ampliado por ele, sintetizando dois documentos diferentes, um dos quais atestava somente que a mártir tinha sido "despojada dos cabelos." Este suplício era evidentemente um dos números preferidos pelos verdugos, pois é recordado também no caso de outras santas virgens mártires, e o mesmo se diga da tentativa (fracassada no caso de Fausta) de serrar pelo meio, "como se fosse um pedaço de madeira," acrescenta Beda.
As próprias Atas, lembrando o suplício dos pregos, dizem com certa gozação que o corpo de Fausta, todo pregado, ficou parecido com "a sola de uma bota." A mártir de Cízico consumou o seu máximo Sacrifício somente quando a chamou "uma voz celeste." As relíquias de Fausta de Cízico foram objeto de uma dupla transladação: na metade do século VI para Narni e depois no século IX para Luca. Em Narni, de fato, o bispo de 537 a 558, são Cássio edificou um sepulcro para sua queridíssima esposa falecida também de nome Fausta. Posteriormente quis enriquecê-lo com as relíquias da santa homônima de Cízico. Começou assim a veneração de uma santa Fausta de Narni.

domingo, 18 de dezembro de 2011

18 de Dezembro - Nossa Senhora da Expectação ou do Ó



Festa católica de origem claramente espanhola, a festa de hoje é conhecida na liturgia com o nome de "Expectação do parto de Nossa Senhora", e entre o povo com o título de "Nossa Senhora do Ó". Os dois nomes têm o mesmo significado e objetivo: os anelos santos da Mãe de Deus por ver o seu Filho nascido. Anelos de milhares e milhares de gerações que suspiraram pela vinda do Salvador do mundo, desde Adão e Eva, e que se recolhem e concentram no Coração de Maria, como no mais puro e limpo dos espelhos. A Expectação (expectativa) do parto não é simplesmente a ansiedade, natural na mãe jovem que espera o seu primogênito; é o desejo inspirado e sobrenatural da "bendita entre as mulheres", que foi escolhida para Mãe Virgem do Redentor dos homens, para corredentora da humanidade. Ao esperar o seu Filho, Nossa Senhora ultrapassa os ímpetos afetivos de uma mãe comum e eleva-se ao plano universal da Economia Divina da Salvação do mundo.

imagem portuguesa - séc. XVI
Lisboa, Museu das Janelas Verdes

As antífonas maiores que põe a Igreja nos lábios dos seus sacerdotes desde hoje até a Véspera do Natal e começam sempre pela interjeição exclamativa Ó ("Ó Sabedoria... vinde ensinar-nos o caminho da salvação"; "Ó rebento da Raiz de Jessé... vinde libertar-nos, não tardeis mais"; "Ó Emanuel..., vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus"), como expoente altíssimo do fervor e ardentes desejos da Igreja, que suspira pela vinda de Jesus, inspiraram ao povo espanhol a formosa invocação de "Nossa Senhora do Ó". É ideia grande e inspirada: a Mãe de Deus, posta à frente da imensa caravana da humanidade, peregrina pelo deserto da vida, que levanta os braços suplicantes e abre o coração enternecido, para pedir ao céu que lhe envie o Justo, o Redentor. 
Capela de N. Sra. do Ó - Sabará

A festa de Nossa Senhora do Ó foi instituída no século VI pelo décimo Concílio de Toledo, ilustre na História da Igreja pela dolorosa, humilde, edificante e pública confissão de Potâmio, Bispo bracarense, pela leitura do testamento de São Martinho de Dume e pela presença simultânea de três santos de origem espanhola: Santo Eugênio III de Toledo, São Frutuoso de Braga e o então abade Santo Ildefonso.

sábado, 17 de dezembro de 2011

17 de dezembro - São Lázaro

Giuseppe Salviati - 1545


São Lázaro teve a sorte de ser o protagonista de um dos milagres mais impressionantes de Jesus Cristo, já que foi ressuscitado pelo Senhor depois de quatro dias de haver falecido.
Segundo as Sagradas Escrituras, Lázaro adoeceu gravemente e duas de suas irmãs Marta e Maria enviaram com urgência um mensageiro ao lugar onde se encontrava Jesus com a seguinte mensagem: "Aquele a quem Você ama, está doente". O santo falece e após o quarto dia chegou o Senhor. As duas irmãs saem ao encontro de Jesus em meio de lágrimas e soluços lhe dizendo: "Oh, Senhor se tivesse estado aqui! Se tivesse ouvido como te chamava Lázaro! Só uma palavra tinha em seus lábios: 'Jesus'. Não tinha outra palavra em sua boca. Chamava-te em sua agonia. Desejava tanto ver-te! Oh Senhor: se tivesse estado aqui não haveria morrido nosso irmão".
Van Gogh - 1889
Jesus responde: - "Eu sou a ressurreição e a Vida. Os que acreditam em Mim, não morrerão para sempre". Jesus, ao vê-las chorar se comoveu e também chorou. Nosso Redentor verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sentiu também a dor diante da morte de um ser querido. Os judeus que estavam ali em grande número, exclamaram: "Olhem quanto o amava!". Jesus disse: Lázaro, eu te mando, saia! E Lázaro se levantou. depois de quatro dias morto, foi ressuscitado milagrosamente e visto pela multidão que contemplou o fato.

Cássio M'Boi - séc. XX
Capela de São Lázaro de Embú das Artes, SP