segunda-feira, 7 de novembro de 2011

7 de Novembro - Todos os Santos Dominicanos


A instituição dessa festa, dedicada a todos os Santos Dominicanos, remonta ao ano de 1674. Foi um pedido do Cardeal Dominicano Vincenzo Maria Orsini, futuro Papa Bento XIII, ao Pontífice Clemente X, de quem havia recebido a púrpura, e que foi Protetor da Ordem. 
Fra Angélico - 18 Santos Dominicanos
National Gallery - Londres

A solenidade pareceu muito oportuna ao Pontífice, pois, observava “se quiséssemos dar a cada um dos seus santos filhos um dia especial. Precisaria formar um calendário apenas para eles”. 
São Domingos e os santos dominicanos
Mosteiro de Estavayer Le Lac - Suiça

O Patriarca São Domingos, numa magnífica visão que lhe revelou as belezas arcanas do céu, pode ver os seus filhos e filhas, Beatos e Santos, sob o manto da Virgem Maria, fazendo pulsar de alegria o seu coração. Doutores, Apóstolos, Mártires, Virgens. Além desses aureolados filhos da Igreja, tantos outros, muito numerosos, cujos nomes nenhuma crônica jamais nos legou, mas que souberam, porém, conduzir uma vida traçada por Domingos.
Santos dominicanos na China
(sem referência)

domingo, 6 de novembro de 2011

6 de Novembro - São Leonardo de Noblac (Confessor)

escola francesa - séc. XI

Leonardo de Noblac (ou de Noblat), nascido no século V, ao tempo do reinado do imperador Anastácio I, na região da Gália, situada ao norte de Loire, foi um nobre franco, afilhado do Rei Clóvis, convertido ao Cristianismo, juntamente com o rei, no Natal de 496.
Por ser descendente da antiga linhagem dos reis francos estava destinado a ocupar um alto posto junto dos nobres guerreiros, mas recusou-o e consagrou a sua vida ao serviço de Deus. São Remígio deu-lhe a tonsura eclesiástica e foi ordenado diácono pelo bispo de Orleans, sob proposta de São Maximino. Foi-lhe oferecida pelo rei a dignidade episcopal, mas Leonardo recusou e pediu-lhe que lhe concedesse autorização para visitar os presos do reino e libertar quantos quisesse. Mercê que lhe foi concedida.
Mestre do Espírito Santo - séc. XVI
coleção particular

Depois de converter e libertar os presos do norte tomou o caminho do sul. Ao chegar a Limoges foi detido pelo exército do rei da Aquitânia, que lhe falou da rainha que se encontrava em trabalhos de parto havia cinco dias. Logo que Leonardo orou, ela pôs o prisioneiro que retinha no seu seio em liberdade. Como recompensa foram-lhe dados terrenos na Floresta de Pauvan, onde foi construída uma capela, dedicada a Nossa Senhora, e mais tarde um mosteiro a que Leonardo deu o nome de Noblac. Curiosamente, a cidade que se foi gradualmente formando ao seu redor herdou também o seu nome, Saint-Léonard-de-Noblat na Haute-Vienne, e é atualmente Patrimônio Mundial da UNESCO, atravessada também por um dos muitos caminhos de Santiago.
Andrea Della Robbia - séc. XVI
Museu Nacional de Arte Antiga - Lisboa

sábado, 5 de novembro de 2011

5 de Novembro - São Mamede (Mártir)

São Mamede, ou Mamede de Cesareia, é um santo venerado tanto pela Igreja Católica como pela Ortodoxa. Nasceu no séc. III, na cidade de Cesareia, que hoje tem o nome de Kayseri, na Turquia, que na altura estava sobe o poder do Imperador Romano Aureliano.
azulejaria portuguesa - séc. XIX
A sua vida começou em martírio, pois os seus pais Theodotus e Rufina, conceberam o santo enquanto estavam presos, pois praticavam a fé cristã. Mamede ficou desde cedo orfão, pois os seus pais foram executados, e ele teve a sorte de ser adotado por uma senhora rica chamada Ammia, mas aos 15 anos, Mamede fica completamente sozinho, pois a sua tutora morre e ele torna-se alvo do povo Romano. O jovem é capturado e torturado pela sua fé, pelo governador de Cesaria, e mais tarde pelo Imperador Romano Marco Aurélio, mas é aí que a história da sua santidade começa; diz-se que quando ele já estava fraco de tanto ser torturado, apareceu um anjo que libertou o pequeno Mamede, e lhe disse que devia ir a uma montanha perto de Cesaria, e assim o santo começou a sua jornada.
afresco bizantino - séc. X

No meio do caminho lhe apareceu um grupo de leões ferozes, ameaçando o santo, mas este orou a Deus, e logo os leões ficaram dóceis, como se fossem gatos, e desde aquele momento acompanharam Mamede na sua jornada.
Acompanhado pelo leão, foi visitar o Duque Alexandre, que logo o condenou à morte, acusando-o de ligações com energias do mal, que lhe tinham permitido andar com um leão domesticado. O Duque foi o mais agressivo e cruel, pegou em um tridente e espetou-o no abdómen do jovem, arrancando-lhe o estômago.
Mesmo mortalmente ferido, o santo arrastou-se até ao cume da montanha e lá Deus concedeu-lhe um novo estômago e cicatrizou a ferida, mas disse-lhe que o seu momento de entrar no reino dos céus tinha chegado, e assim sucedeu.
No século VIII as suas relíquias e a sua cabeça, foram transportadas para Langres, para a Catedral de Saint-Mammès, em França, Catedral esta que também foi o lar de muitas outras relíquias de santos martirizados na mesma época de São Mamede. É o santo patrono de Langres, dos bebês recém-nascidos e também das pessoas com problemas de ossos, especialmente na coluna, segundo a tradição popular.
Jean Cousin - 1541
São Mamede e o Duque Alexandre
Museu do Louvre

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

São Carlos Borromeu - (Bispo e confessor)


Oriundo da nobreza, Carlos Borromeu nasceu no dia 2 de outubro de 1538, tendo como pais Gilberto Borromeu e Margarida de Médicis, influentes na sociedade e na Igreja daquela época. Carlos era o segundo filho do casal e, aos doze anos, a família o entregou para servir a Deus, como era hábito naquele tempo. Tinha vocação religiosa acentuada, era penitente, piedoso e caridoso como os pobres.

Levou a sério os estudos, diplomando-se em direito canônico aos 21 anos de idade. Um ano depois, fundou uma Academia para estudos religiosos, com total aprovação de Roma. Sobrinho de Pio IV, aos 24 anos já era sacerdote e bispo de Milão. Na sua breve trajetória, deixou-se guiar apenas pela fé, atuando tanto na burocracia interna da Igreja quanto na evangelização, sem fazer distinção para uma ou para a outra. Talvez tenha sido o primeiro secretário de Estado no sentido moderno da expressão. Formado pela Universidade de Pavia, liderou uma reforma radical na organização administrativa da Igreja, que naquele período era alicerçada no nepotismo, abusos de influências e sintomas graves de corrupção e decadência moral.

Foi um dos maiores fundadores que a Igreja já teve. Criou seminários e vários institutos de utilidade pública para dar atendimento e abrigo aos pobres e doentes, o que lhe proporcionou o título de “pai dos pobres”. Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos. Tudo isto não aguenta comparação com as obras de caridade que o Arcebispo praticou, quando em 1569-1570, a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram a cidade de Milão. Não tendo mais o que dar, pedia ele próprio esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio, que teriam ficado fechadas.
Visitava os contaminados, levando-lhes o sacramento e consolo sem limites nem precauções, num trabalho incansável que lhe consumiu as energias. Chegou a flagelar-se em procissões públicas, pedindo perdão a Deus em nome de seu povo. Até que um dia foi apanhado, finalmente, pela febre, que minou seu organismo lentamente.

Morreu anos depois, dizendo-se feliz por ter seguido os ensinamentos de Cristo e poder encontrar-se com ele de coração puro. Tinha apenas 46 anos de idade, quando isso aconteceu no dia 4 de novembro de 1584, na sua sede episcopal, na Itália. O papa Paulo V canonizou-o em 1610 e designou a festa em homenagem à sua memória para o dia de sua morte.

3 de Novembro - Santa Sílvia

Sílvia era italiana, nascida em Roma em torno de 520, numa família de origem siciliana de cristãos praticantes e caridosos. Os dados sobre sua infância não são conhecidos. Porém a sua adolescência coincidiu com um difícil e turbulento período histórico, o declínio do Império Romano e a tomada do mesmo pelos bárbaros góticos.
Oratório de Santa Silvia no Monte Célio - Roma
escultura de Nicola Cordieri

Ela entrou para a família dos Anici em 538, quando se casou com o senador Jordão. Essa família romana era poderosa e influente, e muitos nomes ficaram para a história do senado italiano. Sílvia foi residir na casa do marido, um palácio que ficava nas colinas do monte Célio, onde ele vivia com suas duas irmãs, Tarsila e Emiliana.
 O casal teve dois filhos. O primeiro foi Gregório, nascido em 540, e o segundo, que o próprio irmão citava com freqüência, nunca foi conhecido o nome. As cunhadas Tarsila e Emiliana tornaram-se santas, incluídas no calendário da Igreja, E seu primogênito foi o grande papa Gregório Magno, santo, doutor da Igreja e a glória de Roma do século VI.
escultura na Matriz de Vizzini, Sicilia

Sílvia soube conduzir essa família de verdadeiros cristãos e romanos autênticos e devotos. Não permitiu que a o ambiente da Corte que freqüentavam impedisse a santificação pela fé, mantendo sempre a pureza dos costumes separada da notoriedade pública.
As cunhadas são um exemplo da figura de Sílvia, mãe providente e benfeitora, que sabia conciliar as exigências de uma família de político atuante, como era o marido Jordão, com o desejo de perfeição espiritual representado pelas duas cunhadas.
 Devido a falta de notícias precisas, a santidade de Sílvia aparece refletida através daquela de seu filho. Sem dúvida, sobre são Gregório Magno o exemplo e o ensinamento da mãe foi um peso que não se pode ignorar. Embora ele tenha escrito muito pouco sobre a mãe e as tias, nas pregações costumava citar-lhes o exemplo.
 Dados encontrados sobre a vida de Silvia relatam que, quando o senador Jordão morreu em 573, ela tratou de uma doença grave do filho Gregório, que já adulto atuava no clero, levando pessoalmente as refeições até sua completa recuperação. Depois disso, entregou o palácio onde residia para que o filho o transformasse num mosteiro.
Quando Gregório não precisou mais da sua ajuda e nem de sua orientação, Sílvia retirou-se para a vida religiosa num dos mosteiros existentes fora dos muros de Roma. No qual, com idade avançada, ela morreu serenamente, num ano incerto, mas depois de 594.
Litografia italiana - séc. XIX

 O Martirológio Romano indica o dia 3 de novembro para o culto litúrgico em lembrança da memória de santa Sílvia. Em 1604, suas relíquias foram levadas para a igreja de santos André e Gregório, construída no antigo mosteiro e palácio de monte Célio, onde o papa São Gregório Magno nasceu e santa Sílvia viveu com as duas cunhadas santas.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

2 de Novembro - Dia de Finados


Um dos cultos mais antigos e que esteve presente em quase todas as religiões, em especial as mais antigas é o culto aos mortos. A princípio era ligado aos cultos agrários e de fertilidade. Para os mais antigos, os mortos eram como sementes, e por isso eram enterrados com vistas à ressurreição.

O dia dos mortos na prática da Igreja Católica surgiu como uma ligação suplementar entre mortos e vivos. O mundo em geral, tanto religiosos como profano aderiu a tal prática. No século I, os cristãos visitavam os mortos em seus túmulos para rezar pelos que morreram, mas iam apenas ao tumulo dos mártires.

Já no século V, um dia do ano era dedicado para rezar por todos os mortos, a igreja rezava por aqueles que ninguém mais lembrava. Exatamente no século X, a Igreja Católica estabeleceu um dia oficial para os mortos (Dia de Finados). Também o abade de
 Cluny, Santo Odilon, em 998, pedia aos monges que orassem pelos mortos. Foi a partir do século XI, que os papas Silvestre II, João XVII e Leão IX passaram a forçar a comunidade a dedicar um dia aos mortos.

No século XIII, tal data passou a ser comemorada no dia 2 de novembro, pois no dia 1º de novembro é a festa de Todos os Santos (celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados).

A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar sua posição (cf. Tobias 12,12;  1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46), e se apoia em uma prática de quase dois mil anos.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

1 de Novembro - Festa de Todos os Santos


No dia 1º de novembro, a Igreja celebra a festa de Todos os Santos. Segundo a tradição, ela foi colocada neste dia, logo após 31 de outubro, porque que os celtas ingleses - pagãos -, celebravam as bruxas e os espíritos que vinham se alimentar e assustar as pessoas nesta noite (Halloween).
Nesse dia, a Igreja militante (que luta na Terra) honra a Igreja triunfante do Céu “celebrando, numa única solenidade, todos os Santos” – como diz o sacerdote na oração da Missa – para render homenagem àquela multidão de Santos que povoam o Reino dos Céus, que São João viu no Apocalipse: “Ouvi, então, o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão". "Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.” (Ap 7,4-14)
Giovan Battista Gauli - 1680
Adoração do Cordeiro Místico
Kunstmuseum - Düsseldorf

Esta imensa multidão de 144 mil, que está diante do Cordeiro, compreende todos os servos de Deus, aos quais a Igreja canonizou através da decisão infalível de algum Papa, e todos aqueles, incontáveis, que conseguiram a salvação, e que desfrutam da visão beatífica de Deus. Lá “eles intercedem por nós sem cessar”, diz uma de nossas Orações Eucarísticas. Por isso, a Igreja recomenda que os pais ponham nomes de Santos em seus filhos.
Esses 144 mil significam uma grande multidão (12 x 12 x 1000). O número doze e o número mil significavam para os judeus antigos plenitude, perfeição e abundância; não é um valor meramente aritmético, mas simbólico. A Igreja já canonizou mais de 20 mil santos, mas há muito mais que isto no Céu. No livro 'Relação dos Santos e Beatos da Igreja', eu pude relacionar, de várias fontes, quase 5mil dos mais importantes; e os coloquei em ordem alfabética.
A "Lúmen Gentium" do Vaticano II lembra que: "Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por seguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (LG 49) (§956).
Albrecht Dürer - 1511
Kunsthistorisches Museum - Viena

Na hora da morte, São Domingos de Gusmão dizia a seus frades: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”. E Santa Teresinha confirmava este ensino dizendo: “Passarei meu céu fazendo bem na terra”.
A marca dos santos são as bem–aventuranças que Jesus proclamou no Sermão da Montanha; por isso, este trecho do Evangelho de São Mateus (5,1ss) é lido nesta Missa. Os santos viveram todas as virtudes e, por isso, são exemplos de como seguir Jesus Cristo. Deus prometeu dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação.
Ícone bizantino - séc. XVIII

Esta 'Solenidade de Todos os Santos' vem do século IV. Em Antioquia, celebrava-se uma festa por todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. A celebração foi introduzida em Roma, na mesma data, no século VI, e cem anos após era fixada no dia 13 de maio pelo papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do “Panteon” dos deuses romanos a Nossa Senhora e a todos os mártires. No ano de 835, esta celebração foi transferida pelo papa Gregório IV para 1º de novembro.
Giovanni Paolo Panini - séc. XVIII
Interior do Pantheon de Roma