terça-feira, 18 de outubro de 2011

18 de Outubro - São Lucas (Evangelista)

Bernardo Cavallino - séc. XVII
coleção particular

Lucas é um dos quatro evangelistas. O seu evangelho é reconhecido como o do amor e da misericórdia. Foi escrito sob o signo da fé, nos tempos em que isso podia custar a própria vida. Mas falou em nascimento e ressurreição, perdão e conversão, na salvação de toda a humanidade. Além do Terceiro Evangelho, escreveu os Atos dos Apóstolos, onde registrou o desenvolvimento da Igreja na comunidade primitiva, relatando os acontecimentos de Jerusalém, Antioquia e Damasco, nos deixando o testemunho do Cristo da bondade, da doçura e da paz.
Lucas nasceu em Antioquia, Síria, era um médico e pintor muito culto, convertido e batizado por São Paulo. No ano 43 já viajava ao lado do apóstolo, sendo considerado seu filho espiritual. Escreveu o seu evangelho em grego puro, quando São Paulo quis pregar a Boa Nova aos povos que falavam aquele idioma. Os dois sabiam que, lhes mostrar o caminho na própria língua, facilitaria a missão apostólica. Assim, através de seus escritos, Lucas tornou-se o relator do nascimento de Jesus, o principal biógrafo da Virgem Maria e o primeiro expressá-la através da pintura.
Quando das prisões de São Paulo, Lucas acompanhou o mestre, tanto no cárcere como nas audiências. Presença que o confortou nas masmorras e lhe deu ânimo no enfrentamento do tribunal do imperador. Na segunda e derradeira vez, Paulo escreveu a Timóteo que agora todos o haviam abandonado. Menos um. "Só Lucas está comigo" (2 Timóteo 4,11) E esta foi a última notícia certa do evangelista. 

A tradição cristã nos diz que depois do martírio de São Paulo, o discípulo, médico e amigo Lucas continuou a pregação. Ele teria seguido pela Itália, Gálias, Dalmácia e Macedônia. Mas um documento traduzido por São Jerônimo, trouxe a informação que o evangelista teria vivido até os oitenta e quatro anos de idade. A sua morte pelo martírio em Patras, na Grécia, foi apenas um legado dessa antiga tradição.


Todavia, por sua participação nos primeiros tempos, ao lado dos apóstolos escolhidos por Jesus, somada à vida de missionário, escritor, médico e pintor, se transformou num dos pilares da Igreja. 
Busto-relicário em prata
ourivesaria napolitana - séc. XVII
Museu de Praiano

Nas suas obras, Lucas se dirigia a um certo Teófilo, amigo de Deus, que tanto poderia ser um discípulo, como uma comunidade, ou todo aquele que entrava contato com a mensagem da Boa Nova, através dessa leitura. Com esse recurso literário, tornou seu evangelho uma porta de entrada para a salvação dos povos, possibilitando à todas as pessoas excluídas pela antiga lei, compartilhar no Reino de Deus.

Giorgio Vasari
São Lucas retrata a Virgem
Oratório da Annunziata - Florença

Nossa Senhora de São Lucas
imagem atribuída ao Santo
Santuário de São lucas - Bologna


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

17 de Outubro - Santo Inácio de Antioquia (Bispo e Mártir)

reconstrução do Coliseu

No centro do Coliseu romano, o bispo cristão aguarda ser trucidado pelas feras, enquanto a multidão exulta em gritos de prazer com o espetáculo sangrento que vai começar. Por sua vez, no estádio, cristãos incógnitos, misturados entre os pagãos, esperam, horrorizados, que um milagre salve o religioso. Os leões estão famintos e excitados com o sangue já derramado na arena. O bispo Inácio de Antioquia, sereno, esperava sua hora pronunciando com fervor o nome do Cristo.
Francesco Solimena - séc. XVIII
Monastério de Santa Maria della Purità - Pagani

Foi graças a Inácio que as palavras cristianismo e Igreja Católica surgiram. Era o início dos tempos que mudaram o mundo, próximo do ano 35 da era cristã quando ele nasceu. Segundo os estudiosos não era judeu e teria sido convertido pela primeira geração de cristãos, os apóstolos escolhidos pelo próprio Jesus. Cresceu e foi educado entre eles, depois sucedeu Pedro no posto de bispo de Antioquia, na Síria, considerada a terceira cidade mais importante do Império Romano, depois de Roma e Alexandria no Egito. Gostava de ser chamado Inácio Nurono. Inácio deriva do grego "ignis", fogo, e Nurono era um nome que ele mesmo deu a si, significa "o portador Deus". Deste modo viveu sua existência toda, era o portador de Deus que incendiava a fé. 
Mas sua atuação logo chamou a atenção do imperador Trajano, que decretou sua prisão e ordenou sua morte. Como cristão, deveria ser devorado pelas feras para diversão do povo ávido de sangue. O palco seria o recém-construído Coliseu.
Martírio de Inácio
Pier Leone Ghezzi - Pallazzo Barberini, Roma

A viagem de Inácio acorrentado, de Antioquia até Roma, por terra e mar, foi o apogeu de sua vida e de sua fé. Feliz por poder ser imolado em nome do Salvador da humanidade, pregou por todos os lugares onde passou, até o local do martírio. Sua prisão e condenação à morte atraíram todos os bispos, clérigos e cristãos em geral, de todas as terras que atravessou. Multidões se juntavam para ouvir suas palavras. Durante esta viagem final escreveu sete cartas que figuram entre os escritos mais notáveis da Igreja, concorrendo em importância com as do apóstolo Paulo. Em todas faz profissão de sua fé e contém ensinamentos e orientações, até hoje adotados e seguidos pelos católicos, como ele tão bem nomeou os seguidores de Jesus. 


Numa dessas cartas estava o seu especial pedido: "Deixai-me ser alimento das feras. Sou trigo de Deus. É necessário que eu seja triturado pelos dentes dos leões para me tornar um pão digno de Cristo". Sabendo que muitos de seus companheiros poderiam influenciar e conseguir seu perdão junto ao imperador, que o deixassem ser martirizado. Sabia que seu sangue frutificaria em novas conversões e que seu exemplo tocaria o coração dos que, mesmo já convertidos, ainda temiam assumir e propagar sua religião. 
Em Roma, uma festa que duraria cento e vinte dias tinha prosseguimento. Mais de dez mil gladiadores dariam sua vida como diversão popular naquela comemoração pela vitória em uma batalha. Chegada a vez de Inácio, seus seguidores e discípulos esperavam ainda o milagre. Mas este não viria, mesmo porque, assim desejava o bispo mártir. Era o dia 17 de outubro de 107 sua trajetória acabava de entrar para a história da humanidade e da Igreja.


G. Dimov - séc. XX
Sofia, Bulgária


domingo, 16 de outubro de 2011

16 de Outubro - Santa Edwiges

anônimo - 1480
Museu Spretzu, Silésia

Santa Edwiges nasceu em 1174, na Silésia, na Europa Central região entre a Alemanha Oriental e a Polônia. Filha de Bertoldo de Andech, Marquês de Meran e Conde do Tirol e de Inês, filha do Conde de Rottech, família muito numerosa e dotada de grandes riquezas e poderes. Edwiges foi criada com carinho, conforto e uma boa base religiosa. Aos seis anos foi internada no Mosteiro de Kicing, onde recebeu uma rígida educação, aprendeu as Sagradas Escrituras e foi preparada para vida.
Ao completar doze anos, seu pai arranjou-lhe um noivo chamado Henrique, Duque da Silésia, mais tarde Duque da Polônia. Seu encantamento foi grande ao conhecer a noiva, dotada de grande beleza interior. Seu casamento aconteceu no ano de 1186, com a presença de nobres famílias, marcando a época com longas comemorações de grande estilo. Edwiges tornou-se a grande Duquesa da Silésia e da Polônia.
miniatura medieval
Victoria and Albert Museum, Londres

Em seu novo lar, ela assumiu seu papel de dona de casa, e em pouco tempo conquistou todos os que estavam sobre suas ordens através da forma carinhosa de tratá-los. Transformou seu lar num grande templo de Deus, onde era respeitada e amada por todos. Aos treze anos foi mãe pela primeira vez, trazendo felicidade e luz; com o passar do tempo sua família cresceu ainda mais, gerando seis filhos. Alguns anos passaram, e por razões de rivalidades, ocorreram grandes conflitos no seio de sua família. Infelizmente por causa destas contendas a Duquesa Edwiges derramou muitas lágrimas. Apesar de todo sofrimento encontrou na sua fé em Deus as forças para consolar parentes seus mais próximos. Com o passar do tempo Edwiges desapegou-se das coisas materiais e foi morar com seus amigos nas dependências do Mosteiro.
Seu marido tinha construído o Mosteiro de Trebnitz, e após sua morte, Edwiges continuou sua obra com dedicação. Ela dedicou inteiramente sua vida aos pobres, doentes e aos trabalhos monásticos. Foi a personificação da humildade, amor, solidariedade, caridade e fé! Era fiel a todas as regras monásticas, mas não fez os votos religiosos! Pois queria beneficiar, pessoalmente e melhor, seus irmãos com suas riquezas.
anônimo alemão do séc. XIV

Ela possuía virtudes de grande nobreza celestial, e as punha em prática sempre nos momentos conturbados em que conservava sua serenidade e paciência. Sua vida foi bastante austera, com penitências e jejuns. Dedicou-se à oração e seguia os exemplos dos Santos de sua Igreja. Quando Edwiges se recolhia para orar entrava em estado de graça que a fazia levitar, e certa vez foi flagrada por um Ministro de nome Boguslau que ficou deslumbrado com o quadro angelical que vira.
Sua missão na terra, com seus irmãos carentes de pão material e espiritual, consumiu inteiramente sua vida; ela renunciou a tudo para seguir os ensinamentos de Deus. Certo dia Edwiges recebeu a nobre visita de uma senhora chamada Myleísa, e passaram muito tempo a conversar. Quando chegou a hora da despedida Edwiges queria beijá-la pela última vez, pois já previa sua ida para a eternidade.
Quando se aproximava o momento de sua passagem, avisou a todos do seu convívio, chamou seu confessor Frei Mateus para ministrar-lhe o Sacramento da Unção dos Enfermos.
Escola cusquenha - séc. XX
coleção particular

 Foram dias de preparação para o dia de sua partida, com muitas orações. Edwiges recebeu visitas de muitos Santos, foram momentos de graça e luz para todos, e finalmente no dia 15 de Outubro de 1243 ela caminhou rumo ao Pai Celestial. Após sua morte milhares de pessoas conseguiram muitas graças por sua intercessão, e foram feitos longos estudos de sua vida e finalmente foi canonizada em 15 de Outubro de 1267. Podendo ser chamada de Santa Edwiges “Protetora dos Endividados”.

sábado, 15 de outubro de 2011

15 de Outubro - Santa Teresa d'Ávila (Doutora da Igreja)

Busto relicário da Santa
Catedral de Guadiz, Espanha
anônimo, séc. XVII


Teresa de Cepeda e Ahumada nasceu em 28 de Março de 1515 em Gotarrendura – na província de Ávila, Espanha, numa família da baixa nobreza.
Aos sete anos, gostava muito de ler histórias dos santos. Seu irmão Rodrigo tinha quase a sua idade, por isto costumavam brincar juntos. As duas crianças viviam pensando na eternidade, admiravam a coragem dos santos na conquista da glória eterna. Achavam que os mártires tinham alcançado a glória muito facilmente e decidiram partir para o país dos mouros com a esperança de morrer pela fé. A mãe de Teresa faleceu quando esta tinha quatorze anos:
”Quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha”.
Ao completar quinze anos, o pai levou-a a estudar no Convento das Agostinianas de Ávila. Um ano e meio mais tarde, Teresa adoeceu e seu pai a levou para casa. A jovem começou a pensar seriamente na vida religiosa que a atraía por um lado e a repugnava por outro. O que a ajudou na decisão foi a leitura das ”Cartas” de São Jerônimo. A jovem comunica ao pai que desejava tornar-se religiosa, mas este pediu-lhe para esperar que ele morresse para ingressar no convento. Em uma madrugada, com 20 anos, ela fugiu para o Convento Carmelita de Encarnación, em Ávila, com a intenção de não voltar para casa. Um ano depois fez a profissão dos votos. Pouco depois, piorou de uma enfermidade que começara a molestá-la antes de professar. Seu pai a retirou do convento. Os médicos, apesar de todos os tratamentos, deram-se por vencidos e a enfermidade, provavelmente impaludismo, se agravou. Teresa conseguiu suportar aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro: ”O terceiro alfabeto espiritual”, do Padre Francisco de Osuna. Teresa seguiu as instruções da pequena obra e começou a praticar a oração mental. Finalmente, após três anos, ela recuperou a saúde e retornou ao Carmelo.
seguidor de Caravaggio
coleção particular

Sua prudência, amabilidade e caridade conquistavam a todos. Segundo o costume dos conventos espanhóis da época, as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora. Teresa passava grande parte de seu tempo conversando no locutório. Isto a levou a descuidar-se da oração mental. Vivia desculpando-se dizendo que suas enfermidades a impediam de meditar.
Pouco depois da morte de seu pai, o confessor de Teresa fê-la ver o perigo em que se achava sua alma e aconselhou-a a voltar à prática da oração. Desde então, a santa jamais a abandonou. No entanto, ainda não se decidira a entregar-se totalmente a Deus nem a renunciar totalmente às horas que passava no locutório trocando conversas e presentes com os visitantes. Curioso notar que, em todos estes anos de indecisão no serviço de Deus, Santa Teresa jamais se cansava de prestar atenção aos sermões, ”por piores que fossem”.
Êxtase de Santa Teresa
Catedral de Buenos Aires

Cada vez mais convencida de sua indignidade, Teresa invocava com freqüência os grandes santos penitentes, Santo Agostinho e Santa Maria Madalena, aos quais estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa. O primeiro foi a leitura das ”Confissões” de Santo Agostinho. O segundo foi um chamamento à penitência que ela experimentou diante de um quadro da Paixão do Senhor: ”Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro… e desde então muito progredi na vida espiritual”. Sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensangüentado em agonia. Certa ocasião, ao deter-se sob um crucifixo muito ensanguentado, perguntou: ”Senhor, quem vos colocou aí?” Pareceu-lhe ouvir uma voz: ”Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa”. Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e nas amizades que não a levavam à santidade.
As Carmelitas, como a maioria das religiosas, desde os princípios do século XVI, já haviam perdido o primeiro fervor. Já vimos que os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros de toda a cidade. As religiosas saíam da clausura pelo menor pretexto.
Já que esta situação era aceita como normal, as religiosas não se davam conta de que seu modo de vida estava muito distante do espírito de seus fundadores. Assim, quando uma sobrinha de Santa Teresa, também religiosa no Convento da Encarnação, deu-lhe a ideia de fundar uma comunidade reduzida, a santa, que já estava há 25 anos naquele convento, resolveu colocar em prática o plano. Teresa estabeleceu em seu convento a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. A comunidade vivia na maior pobreza. As religiosas vestiam hábitos toscos, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas ”descalças”) e eram obrigadas a abstinência perpétua de carne. A grande mística Teresa não descuidava das coisas práticas. Sabia utilizar as coisas materiais para o serviço de Deus. Certa ocasião disse: ”Teresa sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma fortaleza; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência”. Encontrou certo dia em Medina del Campo dois frades carmelitas que estavam dispostos a abraçar a Reforma: Antonio de Jesús de Heredia, superior, e Juan de Yepes, que seria o futuro São João da Cruz.
Aproveitando a primeira oportunidade, ela fundou um conventinho de frades em Duruelo em 1568. Em 1569 fundou o de Pastrana. Em ambos reinava a maior pobreza e austeridade. Teresa deixou o resto das fundações de conventos de frades a cargo de São João da Cruz. Depois de muitas lutas, incompreensões e perseguições, obteve de Roma uma ordem que eximia os Carmelitas Descalços da jurisdição do Provincial dos Calçados.
Êxtase de Santa Teresa
Gianlorenzo Bernini - 1652
Igreja de Santa Maria della Vittoria - Rioma

Em 1580, quando estabeleceu-se a separação entre os dois ramos do Carmelo, Teresa tinha 65 anos e sua saúde estava muito debilitada. Ela morreu às 9 horas da noite de 4 de outubro de 1582. Exatamente no dia seguinte efetuou-se a Mudança para o calendário gregoriano, que suprimiu dez dias, de modo que a festa da santa foi fixada, mais tarde, para o dia 15 de outubro. Foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam suas relíquias.
detalhe da escultura de Bernini

Teresa é uma das maiores personalidades da mística católica de todos os tempos. Suas obras, especialmente as mais conhecidas (Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas e Fundações), contém uma doutrina que abraça toda a vida da alma, desde os primeiros passos até à intimidade com Deus no centro do Castelo Interior. Foi canonizada em 1622. No dia 27 de setembro de 1970, o papa Paulo VI conferiu-lhe o título de Doutora da Igreja.
Santa Teresa de Ávila é considerada um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Mesmo ateus e livres-pensadores são obrigados a enaltecer sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e atraente e seu profundo bom senso.
detalhe da escultura de Bernini

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

14 de Outubro - São Calisto (Papa)


Papa (217-222) e santo da Igreja Romana nascido em Roma, foi sucessor do papa Zeferino, cujo pontificado foi marcado pelo início do cisma que colocou Hipólito de Roma como antipapa. Era diácono durante o pontificado de São Zeferino e, eleito (217), durante cinco anos, lutou contra a heresia do presbítero e teólogo Hipólito, para preservar a doutrina. Mandou construir as famosas catacumbas da Via Apia, onde foram enterrados 46 Papas e uns 200.000 mártires. Foi acusado por Tertuliano e Hipólito de ser demasiado indulgente ao administrar o sacramento da penitência, quando o papa concedeu a absolvição aos pecadores de adultério, homicídio e apostasia. Até então esta absolvição só era dada uma vez na vida e após uma dura penitência pública, enquanto os reincidentes eram excluídos da comunhão eclesial. Acrescentaram-se às divergências pessoais de oposição, a inveja de Hipólito, que nunca se conformou em ser preferido a ele como sucessor do Papa Zeferino. Hipólito chegou mesmo à ruptura total e fez-se ordenar bispo e fundou uma igreja própria, arrastando no cisma parte do clero e do povo de Roma, defendendo sua radical condenação em relação aos adúlteros, para os quais não aceitava a reconciliação e o perdão, que por sua vez eram concedidos pelo Papa. Inconformado continuou fomentando as acusações, calúnias e interpretações de desprezo à pessoa e ao trabalho do papa. Assim, durante uma rebelião popular, o papa foi espancado e, ainda vivo, jogado em um poço onde hoje se acha a Igreja de Santa Maria em Trastevere. Enterrado como mártir, em Roma, o local de seu sepulcro gerou o histórico sítio denominado de Catacumbas de São Calisto. 


O termo catacumba é a denominação dos primitivos cemitérios cristãos, constituídas por galerias, cubículos e outras cavidades. Escavados sob os cemitérios ou terrenos baldios situados fora dos muros das cidades, as catacumbas, numerosas sobretudo em Roma como as de Calisto, Domitilae Priscila, também são encontradas em outras localidades do Império Romano, como Marselha, Sevilha, Siracusa, Poitiers. O cisma continuou durante o pontificado de Ponciano, que contudo conseguiu, com a sua magnanimidade trazer Hipólito e o seu grupo de volta à Igreja, depois de 20 anos de separação.



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

13 de Outubro - Nossa Senhora de Fátima

Três crianças, Lúcia de Jesus dos Santos (de 10 anos), Francisco Marto (de 9 anos) e Jacinta Marto (de 7 anos), afirmaram ter visto Nossa Senhora no dia 13 de Maio de 1917 quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Aljustrel, pertencente ao concelho de Ourém, Portugal.
Os pastorinhos de Fátima - 1917

Segundo relatos posteriores aos acontecimentos, por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, as crianças teriam visto uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo depois, outro clarão teria iluminado o espaço. Nessa altura, teriam visto, em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma "Senhora mais brilhante que o sol".
Segundo os testemunhos recolhidos na época, a senhora disse às três crianças que era necessário rezar muito e que aprendessem a ler. Convidou-as a voltarem ao mesmo sítio no dia 13 dos próximos cinco meses. As três crianças assistiram a outras aparições no mesmo local em 13 de junho, 13 de julho e 13 de setembro. Em agosto, a aparição ocorreu no dia 19, no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque as crianças tinham sido presas e levadas para Vila Nova de Ourém pelo administrador do Concelho no dia 13 de agosto.

A 13 de outubro, estando presentes na Cova da Iria cerca de 50 mil pessoas, Nossa Senhora teria dito às crianças: "Eu sou a Senhora do Rosário" e teria pedido que fizessem ali uma capela em sua honra (que atualmente é a parte central do Santuário de Fátima). Muitos dos presentes afirmaram ter observado o chamado milagre do sol, prometido às três crianças em julho e setembro. Segundo os testemunhos recolhidos na época, o sol, assemelhando-se a um disco de prata fosca, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra. Tal fenómeno foi testemunhado por muitas pessoas, até mesmo distantes do lugar da aparição. O relato foi publicado na imprensa por vários jornalistas que ali se deslocaram e que foram testemunhas do fenómeno. Contudo, há testemunhos de pessoas que afirmaram nada ter visto, como é o caso do escritor António Sérgio, que esteve presente no local e testemunhou que nada se passara de extraordinário com o sol, e do militante católico Domingos Pinto Coelho, que escreveu na imprensa que não vira nada de sobrenatural. Entretanto, testemunhas da época afirmaram que o facto não aconteceu com o sol (este ficou do mesmo tamanho) mas sim com um objeto luminoso que se destacou no céu, girando sobre si próprio e mudando de cor.

Posteriormente, sendo Lúcia religiosa , Nossa Senhora ter-lhe-á aparecido novamente em Espanha (10 de Dezembro de 1925 e 15 de Fevereiro de 1926, no Convento de Pontevedra, e na noite de 13 para 14 de Junho de 1929, no Convento de Tui), pedindo a devoção dos cinco primeiros sábados (rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria) e a Consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração.
Anos mais tarde, nas suas Memórias, Lúcia contou ainda que, entre abril e outubro de 1916, teria já aparecido um anjo aos três pastorinhos, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa de Lúcia, convidando-os à oração e penitência, e afirmando ser o "Anjo de Portugal".
Este anjo teria ensinado aos pastorinhos duas orações, conhecidas por Orações do Anjo, que entraram na piedade popular e são utilizadas sobretudo na adoração eucarística.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

12 de Outubro - Nossa Senhora Aparecida (Padroeira do Brasil)


A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada por dois pescadores do Rio Paraíba do Sul, na região de Guaratinguetá, estado de São Paulo, por volta do ano de 1717. Os pescadores Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe  Pedroso já pescavam há bastante tempo, sem que conseguissem tirar peixe algum das águas do rio. Foi quando João trouxe em sua rede a parte correspondente ao corpo da imagem e, depois, lançando a rede um pouco mais distante, trouxe nela a cabeça da Senhora. Dali por diante, a pescaria tornou-se copiosa e, receosos de que a quantidade de peixe trazida para os barcos ocasionasse um naufrágio, os três amigos voltaram para casa, trazendo a imagem e contando a todos o prodígio que haviam vivido.
 O culto à Senhora não tardou a tomar vulto. À imagem, que representa Nossa Senhora da Conceição, logo foi dado o nome de Aparecida, por ter aparecido do meio das águas nas mãos dos pescadores. Inicialmente instalada em uma capela na vila dos pescadores, já por volta do ano de 1745 teve sua primeira igreja oficial, em torno da qual viria a nascer o povoado e o santuário de Aparecida.

A consagração de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil ocorreu em 31 de maio de 1931, em uma celebração que reuniu, já naquela época, um milhão de pessoas. Os padres redentoristas, responsáveis pelo Santuário Nacional de Aparecida, foram os grandes animadores da construção da Basílica que hoje abriga a imagem da Senhora.
 O projeto grandioso teve início em 1955, com a concretagem da nave norte. Construído em forma de cruz, possui capacidade para abrigar 45.000 pessoas e possui uma infraestrutura especial para o atendimento de romeiros que procuram o lugar durante todo o ano para prestar culto à Padroeira.

No dia 04 de julho de 1980, o papa João Paulo II, em missa celebrada no Santuário, consagrou a Basílica, que recebeu o título de Basílica Menor.
A Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é de argila, mede 40 centímetros de altura, de estilo seiscentista, como atestam alguns especialistas que a estudaram. Em 1978, após o atentado que a reduzira em quase duzentos fragmentos, foi encaminhada ao Prof. Pietro Maria Bardi, que a examinou com o Dr. João Marinho, colecionador de imagens brasileiras. Foi totalmente reconstituída pela artista plástica Maria Helena Chartuni.
Coroa oferecida pela Princesa Isabel em 1889

A partir de 8 de setembro de 1904, quando foi coroada, a imagem passou a usar oficialmente a coroa ofertada pela Princesa Isabel em 1884, juntamente com o manto azul-marinho.