terça-feira, 6 de setembro de 2011

6 de Setembro - São Zacarias (profeta)

ícone bizantino - séc. XVI

Aparição do anjo a Zacarias
Domenico Ghirlandaio - 1486
Capela Tornabuoni - Igreja de Santa Maria Novella - Florença

Michelangelo - abóbada da Capela Sistina - Roma

São Zacarias nasceu em Galaad, membro da tribo de Levi. Zacarias cujo nome significa “o Senhor lembra”, é o profeta mais citado no Novo Testemento, depois de Isaías, penúltimo dos profetas menores, foi chamado ao ministério profético no mesmo ano de Ageu, em 520. O seu ministério durou provavelmente até o término da construção do Templo de Jerusalém, tema das suas exortações. Mediante visões e parábolas, anuncia o convite de Deus à penitência, condição para que se realizem as promessas: “Assim fala o Senhor dos exércitos: Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós.” Sua caracteristica é o messianismo, suas profecias referem-se ao futuro do povo Israel, futuro próximo entendido como tempo de benevolêncio do Senhor para com Israel.
“Eis que eu libertarei o meu povo. Reconduzi-lo-ei para habitar em Jerusalém: será o meu povo e eu serei o seu Deus, na fidelidade e na justiça.” Será um tempo de paz e de alegria e as injustiças serão eliminadas da face da terra. Zacarias teria feito muitos prodígios, acompanhado-os com profecias de conteúdo apocalíptico. Morreu muito velho e, provavelmente, foi sepultado ao lado do túmulo de Ageu.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

5 de setembro - São Lourenço Justiniano (confessor)

Vida de Lourenço Justiniano - azulejaria portuguesa, séc. XVIII
Convento de São João Batista de Évora

Filho da nobre família Justiniano, Lourenço nasceu em Veneza, no dia 01 de julho de1380. Desde cedo já manifestava seu repúdio ao orgulho, à ganância e corrupção que havia em sua terra natal. Na adolescência teve uma visão da Sabedoria Eterna e decidiu se dedicar à vida religiosa.
Sua única ambição era amar e servir a Deus. Procurando o aprimoramento espiritual, tornou-se um mendigo em sua cidade, chegando a esmolar na porta da casa de seus próprios pais. A vanguardista Veneza do século XV era um efervescente laboratório de reforma católica, destinado a produzir frutos preciosos. Um deles foi Lourenço Justiniano. Aos dezenove anos de idade ele era considerado um modelo de virtude, austeridade e humildade. Em 1404, já diácono se uniu a outros sacerdotes e ingressou no Mosteiro de São Jorge em Alga, para viver em comunidade com eles, depois reconhecidos como "Companhia dos cônegos seculares", pioneiros do esforço reformador. Tornou-se sacerdote em 1407 e dois anos depois foi eleito superior da comunidade de São Jorge em Alga.
Giovanni Bellini - 1465
Galeria da Accademia - Veneza

Não era um bom orador, em contrapartida tornava sua pregação eficiente com sua dedicação ao mistério do confessionário, seu exemplo de humilde mendicante e seu trabalho de escritor incansavelmente. Sua obra inclui livros para doutores e leigos, incluindo tratados teológicos e simples manuais de catequese. Os seus escritos trazem a matriz da idéia da "Sabedoria Eterna" eixo da sua mística, tanto para a perfeição interior como para a retidão da vida episcopal.
A contragosto, em 1433 foi consagrado Bispo de Castelo, uma pequena diocese. Em 1451 o Papa Nicolau V extinguiu esta diocese e consagrou Lourenço Justiniano o primeiro Patriarca de Veneza. Nestas administrações deixou sua marca singular impressa com suas virtudes, sendo considerado um homem sábio, piedoso e caridoso, principalmente com os mais pecadores. Nestes cargos ergueu mais de quinze conventos e muitas igrejas, aumentando assim seu já enorme rebanho. Tornou-se um exemplo de pastor, amado por todos os fiéis, que obedeciam a sua pregação e exemplo no seguimento de Cristo.
Rodeado por seus amigos do clero em seu leito de morte, no dia 08 de janeiro de 1456. Lourenço Justiniano deixou como mensagem aos cristãos: "Observai os mandamentos da lei de Deus". Depois de sua morte, muitos milagres foram atribuídos à intercessão de São Lourenço Justiniano, por isso, foi canonizado em 1690 pelo Papa Alexandre VIII.
São Lourenço e outros santos
Pordenon - 1532
Galeria da Accademia de Veneza

“Nenhuma língua humana poderá enumerar os favores que se correlacionam com a Santa Missa. O pecador se reconcilia com Deus, o justo fica mais reto, os pecados são apagados, os vícios eliminados, a virtude e os méritos crescem e as artimanhas do demônio são frustradas.”     São Lourenço Justiniano

domingo, 4 de setembro de 2011

4 de setembro - Santa Rosália (eremita)

Rosália nasceu no ano 1125 em Palermo, na Sicília, Itália. Era filha de Sinibaldo, rico feudatário, senhor da região dos Montes "da Quisquinia e das Rosas", e de Maria Guiscarda, sobrinha do rei normando Rogério II. Era muito rica e vivia numa corte muito importante da época, uma família nobre do sul da Itália e mesmo distantemente, era descendente do grande imperador Carlos Magno.
imagem francesa do séc. XIX

Durante a adolescência foi ser dama da corte da rainha Margarida, esposa do rei Guilherme I da Sicília, que apreciava sua companhia amável e generosa. Porém, nada disso a atraia ou estimulava. Sabia que sua vocação era servir a Deus e ansiava pela vida monástica. Aos catorze anos, levando consigo apenas um crucifixo, abandonou de vez a corte e se refugiou solitária numa caverna nos arredores de Palermo. O local pertencia ao feudo paterno e era um local ideal para a reclusão monástica. Ficava próximo do convento dos beneditinos que possuía uma pequena igreja anexa. Assim mesmo vivendo isolada, podia participar as funções litúrgicas e receber orientação espiritual.
Triunfo de Rosália
Van Eyck

Depois a jovem ermitã se transferiu para uma gruta no alto do Monte Pelegrino, que lhe fora doado pela amiga a rainha Margarida. Alí já existia uma pequena capela bizantina e, também, nos arredores os beneditinos com outro convento. Eles puderam acompanhar e testemunhar com seus registros a vida eremítica de Rosália, que viveu em oração, solidão e penitência. Muitos habitantes do povoado subiam o Monte, atraídos pela fama de santidade da ermitã. Até que no dia 04 de setembro de 1160 Rosália morreu na sua gruta de Monte Pellegrino em Palermo.
anônimo siciliano do séc. XVII

Vários milagres foram atribuídos a intercessão de Santa Rosália, como a extinção da peste que no século XII devastava a Sicília. O seu culto se difundiu enormemente entre os fiéis que invocavam como padroeira de Palermo. Embora para muitos esta celebração era apenas uma antiga tradição oral cristã, por falta de sinais reais da vida da Santa. Sinais estes que o estudioso Otávio Gaietani não conseguiu encontrar antes de morrer em 1620. Só três anos depois tudo foi esclarecido, parece que pela própria Santa Rosália. Consta que ela teria aparecido à uma mulher doente e lhe contou onde estavam escondidos os seus restos mortais. Esta mulher comunicou aos frades franciscanos do convento próximo de Monte Pelegrino, os quais de fato encontraram suas relíquias no local indicado, no dia 15 de junho de 1624.
anônimo do séc. XVIII - 1703

Quarenta dias após a descoberta dos ossos, dois pedreiros, trabalhando no convento dos dominicanos de Santo Estêvão de Quisquina, acharam numa gruta uma inscrição latina, muito antiga, que dizia: "Eu, Rosália Sinibaldi, filha das rosas do Senhor, pelo amor de meu Senhor Jesus Cristo decidi morar nesta gruta de Quisquina." Isto confirmou todos os dados pesquisados pelo falecido Gaietani.
túmulo da santa
gravura frances aquarelada - 1841

A autenticidade das relíquias e da inscrição foi comprovada por uma Comissão científica, reacendendo o culto à Santa Rosália, padroeira de Palermo. Contribuiu para isto também o Papa Ubaldo VIII que incluiu as duas datas no Martirológio Romano, em 1630. Assim, Santa Rosália é festejada em 15 de junho, data que suas relíquias foram encontradas e em 04 de setembro, data de sua morte. A urna com os restos mortais de Santa Rosália está guardada no Duomo de Palermo, na Sicília, Itália.
escultura de Gregorio Tedeschi - 1625
Santuário de Santa Rosália - Palermo

sábado, 3 de setembro de 2011

3 de setembro - São Gregório Magno (papa)


São Gregório nasceu em Roma no ano 540, numa família nobre que o motivou à vida pública.
Gregório, cujo nome significa "vigilante", chegou a ser um ótimo prefeito de Roma, pois era desapegado dos próprios interesses devido à sua constante renúncia de si mesmo. Atingido pela graça de Deus, São Gregório chegou a vender tudo o que tinha para auxiliar os pobres e a Igreja.
São Bento exercia forte influência na vida de Gregório, por isso, além de ajudar a construir muitos mosteiros, entrou para a vida religiosa do "Ora et labora".
Antonello de Messina
Museu Nacional de Palermo

Homem certo, no lugar certo, este foi Gregório que era alguém de senso de dever, de medida e dignidade. Além de intensa vida interior, bem percebida quando escreveu sobre o 'ideal do pastor': "O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento. sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus."
Com a morte do Papa da época, São Gregório foi escolhido para "sentar" na Cátedra de Pedro no ano de 590, e assim chefiar com segurança a Igreja num tempo em que o mundo romano passava para o mundo medieval.
Giorgio Vasari - 1540
Pinacoteca Nacional de Bolonha

São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja que conquistou o Céu com 65 anos de idade (em 604), deixou marcas em todos os campos, valendo lembrar que na liturgia há o Canto Gregoriano, o qual eleva as orações a Deus, fonte e autor de toda santidade.
O episódio da peste em Roma
  Era o ano 590, em Roma. Já devastada por um transbordamento do Tibre, que havia alagado a cidade reduzindo-a à fome, irrompeu uma terrível peste.
Para aplacar a cólera divina, o Papa São Gregório Magno ordenou uma litania septiforme. Isto é, uma procissão geral do clero e da população romana, formada por sete cortejos que confluíram para a Basílica Vaticana.
Enquanto a grande multidão caminhava pela cidade, a pestilência chegou a um tal furor, que no breve espaço de uma hora oitenta pessoas caíram mortas ao chão. Mas São Gregório não cessou um instante de exortar o povo para que continuasse a rezar, e que diante do cortejo fosse levado o quadro da Virgem que chora, da Ara Coeli, pintado pelo evangelista São Lucas.
Junto da ponte que une a cidade ao castelo, inesperadamente ouviu-se um coro que cantava, por cima da sagrada imagem: “Regina Coeli, laetare, Alleluia!”, ao qual São Gregório respondeu: “Ora pro nobis Deum, Alleluia!”. Assim nasceu o Regina Coeli. Após o canto, os anjos se colocaram em círculo em torno do quadro. São Gregório Magno, erguendo os olhos, viu sobre o alto do castelo um anjo exterminador que, após enxugar a espada, da qual escorria sangue, colocou-a na bainha, como sinal do cessamento do castigo.
Como recordação, o castelo ficou conhecido com o nome de Sant’Angelo. Em sua mais alta torre foi posta a célebre imagem de São Miguel, o anjo exterminador.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

2 de setembro - São Justo de Lion (bispo)

São Justo de Lion (... – 390) bispo latino, bispo de Lion entre 374 e 381. É venerado como santo pelas igrejas católica e ortodoxa.
Participou como bispo de Lion no Concílio de Valence (374) e de Aquiléia (381). Após este último, junbto ao leitor Viatore, retirou-se para uma ermida no deserto egípcio, onde viveu os últimos anos de sua vida. Após sua morte,  o corpo foi levado para Lion onde é venerado.

Relicário com o braço do santo
ourivessaria francesa - séc. XIII
Museu Opera del Duomo - Florença

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

1 de setembro - Santo Egídio (abade)

Mestre de St. Giles - 1500
National Gallery - Londres

Antes da célebre vitória sobre os sarracenos em Poitiers, Carlos Martello tinha cometido um pecado de incesto com a irmã. Cheio de remorsos, ele não ousava confessar o seu próprio pecado, tanto era infame a ação cometida.
Decide então dirigir-se a Provença, à presença de um abade muito conhecido na época, Santo Egídio, para pedir-lhe a absolvição deste pecado, porém, sem ousar confessá-lo e mantendo segredo sobre o crime cometido.
A absolvição de Carlos Martello - 1500
Mestre de St. Giles - National Gallery de Londres

Egídio celebrou uma Missa com essa intenção, quando, eis que aparece um anjo, que se colocou próximo ao altar com um livro na mão, sobre o qual estava escrita a culpa não confessada. Enquanto a celebração avançava, a escrita do livro ia-se desbotando, até desaparecer completamente e Carlos Martello encontrou-se absolvido. A história deste pecado e desta absolvição miraculosa era tão famosa, que o fervor popular frequentemente a atribui a Carlos Magno e não a Carlo Martello, como se o protagonista real do caso não fosse também bastante respeitável.
Miguel Alcañiz - 1420
Metropolitan - Nova York

A notoriedade de Santo Egídio era muito grande, mesmo antes de levar a cabo este Milagre. Ateniense de origem, tinha-se tornado eremita numa floresta do Gard, aonde um pequeno veado se dirigia todos os dias, para alimentá-lo com o seu próprio leite. Um dia, durante uma batida de caça, o rei dos Visigodos seguiu o animal até ao limiar da gruta onde vivia o eremita, e feriu o pequeno veado. Para reparar o sacrilégio cometido, o rei mandou construir um grande mosteiro, que tomou o nome de Saint-Gilles-du-Gard e que se tornaria uma etapa importante para o caminho dos peregrinos ao voltarem de Compostela, antes de tornar-se, ele mesmo, meta de peregrinação. Santo Egídio é invocado em ajuda às confissões difíceis.
Anônimo alemão do xéc. XIV
Museu Pushkin - Moscou

Menológio de Setembro

Menológio russo do mês de setembro
Moscou - séc. XIX

O culto aos santos é comum entre os católicos e os ortodoxos, culto esse, vivido na Igreja "una" do primeiro milênio e perpetuado até os nossos dias, nos quais de uma e de outra parte continuam acontecendo as canonizações, infelizmente, por enquanto, sem o recíproco reconhecimento.
Não podemos falar em Ano Litúrgico sem indicar os santos celebrados a cada dia: por isso nos propomos elencá-los, mês por mês, apresentando os nomes geralmente mais celebrados. Evidentemente existem comemorações locais, quiçá de um grande santo festejado em toda uma nação. Como exemplo, mencionamos, na área bizantina, Santa Nina, a Iluminadora (séc. IV), celebrada pela Igreja da Geórgia em 14 de janeiro; São João de Rila (†946), celebrado pela Igreja da Bulgária em 19 de outubro; o santo arcebispo Sava (†1235), celebrado pela Igreja da Sérvia em 12 de janeiro; os vários "Novos mártires" gregos durante a opressão otomana.
Confrontando um calendário latino com um bizantino, podemos constatar quão numerosos são os santos inscritos em ambos e, com freqüência, celebrados na mesma data. Outros, porém, têm datas diferentes, por vezes próximas (para os católicos, por exemplo, São Basílio Magno é festejado no dia 2 de janeiro e Santo Estevão, mártir em 26 de dezembro, já os ortodoxos os celebram, respectivamente, no dia 1º de janeiro e em 27 de dezembro), por vezes em datas bem distanciadas (por exemplo, o Arcanjo São Miguel no Ocidente é celebrado em 29 de setembro e no Oriente em 8 de novembro).
Dos quatro evangelistas, Marcos (25 de abril) e Lucas (18 de outubro) têm datas iguais, para os outros dois já as datas diferem. Os santos do Antigo Testamento são mais numerosos no calendário oriental; lembramos os profetas comemorados em dezembro: no dia 1º, São Naum, no dia 2, Santo Habacuc, no dia 3, São Sofonias, no dia 16, Santo Ageu, no dia 17, São Daniel e os três Jovens, enquanto o Santo Jó, o justo, é celebrado no dia 6 de maio e São Moisés, profeta, no dia 4 de setembro. A mesma coisa pode-se afirmar dos mártires, dos quais, de alguns, se conhece quase somente o nome e a época provável da morte; mas o Oriente bizantino gosta de apresentá-los qual exemplo de generoso testemunho no oferecimento a Deus de suas vidas. Outras categorias de santos são iguais nos dois calendários: apóstolos, bispos, confessores, virgens, santas mulheres. Além dessas categorias, na tradição constantinopolitana costuma-se celebrar os grupos dos santos iconógrafos, dos santos "loucos por Cristo" dos "anárgiros" (que curavam os doentes gratuitamente), ou então grupos de santos com os nomes compostos: "ieromártir" é o sacerdote que foi martirizado por amor a Cristo. O mesmo termo "santo" possui uma forma dúplice: a mais comum, no grego é ágios e no eslavo é sviatyi, mas para os monjes e/ou religiosos(as) usa-se, no grego, a palavra hósios e no eslavo prepodóbnyi, isto é, "muito semelhante," ao Cristo, bem entendido.
Nas páginas que se seguem para cada mês, após a lista dos nomes dos santos de cada dia, nos deteremos sobre uma ou duas datas para tornar um pouco conhecidos os textos do Ofício do dia. São todos santos do primeiro milênio, de tipos variados, bem conhecidos também no Ocidente: são homens e mulheres, mártires e bispos, celebrados individualmente ou em grupo... A apresentação fornecida pelos livros litúrgicos bizantinos, as orações a eles dirigidas porão mais uma vez em evidência a complementaridade das duas tradições — oriental e ocidental — e a riqueza espiritual da qual desfrutamos ao tê-las ambas presentes.
 "Os santos são os nossos intercessores e protetores no céu e portanto membros vivos e ativos da nossa Igreja. A presença de graça deles na Igreja, visível também através dos ícones e das relíquias, nos envolve como uma nuvem orante da glória de Deus. Os santos não nos separam do Cristo, mas nos aproximam dele, a ele nos unem; não são -como os protestantes pensam — os mediadores entre Deus e os homens que ofuscam o único Mediador Jesus Cristo; eles são suplicantes conosco, são os nossos amigos e ajudantes no nosso serviço a Cristo e na nossa união com ele."
Quem escreveu a citação acima é um teólogo ortodoxo, mas é também a convicção dos católicos. Por isso, juntos continuamos a cultuar os santos e esse culto faz com que se crie um ambiente de família nas nossas assembléias litúrgicas: são irmãos e irmãs que nos precederam na fidelidade total a Cristo, que nos aguardam no Reino celestial e que podemos invocar também para o restabelecimento da unidade eclesial entre nós na sua plenitude.
No calendário bizantino, como no romano, além dos santos estão indicadas também as celebrações do Cristo e da Virgem que, mesmo não pertencendo às Doze grandes festas, são festas de notável importância, como por exemplo: a Circuncisão de Cristo do 1º de janeiro ou a Concepção de Maria Santíssima por parte de Ana no dia 9 de dezembro. Mormente no calendário eslavo são inúmeras as festas ligadas a ícones marianos (só a "Mãe de Deus de Vladimir" é celebrada três vezes: 21 de maio, 23 de junho e 26 de agosto). Os santos, porém, são a grande maioria e a eles são reservados os textos ilustrativos mês por mês.
Merecem ser assinaladas as festas de Todos os Santos de uma nação ou de uma região que nos últimos anos foram multiplicando-se entre os ortodoxos. No segundo domingo depois da Páscoa — sucessiva, pois, à festa universal de Todos os Santos -, no monte Athos se celebram os santos monges que ali alcançaram a máxima perfeição cristã e na Rússia se celebram "todos os santos que floreceram na terra russa," dia significativamente escolhido em 1988 ao concluir as celebrações do Milênio do Batismo da Rus'.
O Menológio ou Santoral tem seu início, como já dito, no dia 12 de setembro e o próprio de cada mês é contido no Minéon, o livro litúrgico das celebrações com data fixa.