terça-feira, 23 de agosto de 2011

23 de agosto - Santa Rosa de Lima (virgem)

Escola cuzquenha - séc XVII
Museu de Lima

Isabel Flores y de Oliva nasceu na cidade de Lima, capital do Peru, em 20 de abril de 1586, a décima dos treze filhos de Gaspar Flores e Maria de Oliva. À medida que crescia com o rosto rosado e belo, recebeu dos familiares o apelido de Rosa, como ficou conhecida. Seus pais eram ricos espanhóis que haviam se mudado para a próspera colônia do Peru, mas os negócios declinaram e eles ficaram na miséria.

Ainda criança, Rosa teve grande inclinação à oração e à meditação, sendo dotada de dons especiais de profecia. Já adolescente, enquanto rezava diante da imagem da Virgem Maria, decidiu entregar sua vida somente a Cristo. Apesar dos apelos da família, que contava com sua ajuda para o sustento, ela ingressou na Ordem Terceira Dominicana, tomando como exemplo de vida Santa Catarina de Siena. Dedicou-se, então, ao jejum, às severas penitências e à oração contemplativa, aumentando seus dons de profecia e prodígios. E, para perder a vaidade, cortou os cabelos e engrossou as mãos, trabalhando na lavoura com os pais.
Anônimo espanhol do séc. XVIII
Museu de Santa Clara - Bogotá

Aos vinte anos, pediu e obteve licença para emitir os votos religiosos em casa e não no convento, como terciária dominicana. Quando vestiu o hábito e se consagrou, mudou o nome para Rosa e acrescentou Santa Maria, por causa de sua grande devoção à Virgem Maria, passando a ser chamada Rosa de Santa Maria.
Claudio Coello - 1690

Construiu uma pequena cela no fundo do quintal da casa de seus pais, levando uma vida de austeridade, de mortificação e de abandono à vontade de Deus. A partir do hábito, ela imprimiu ainda mais rigor às penitências. Começou a usar, na cabeça, uma coroa de metal espinhento, disfarçada com botões de rosas. Aumentou os dias de jejum e dormia sobre uma tábua com pregos. Passou a sustentar a família com as rendas e bordados que fazia, pois seu confessor consentiu que ela não saísse mais de sua cela, exceto para receber a eucaristia. Vivendo em contínuo contato com Deus, atingiu um alto grau de vida contemplativa e experiência mística, compreendendo em profundidade o mistério da Paixão e Morte de Jesus.
Bento Coelho da Silveira - séc. XVII
Museu Quinta das Cruzes

Rosa cumpriu sua vocação, devotando-se à eucaristia e à Virgem Maria, cuidando para afastar o pecado do seu coração, conforme a espiritualidade da época. Aos trinta e um anos de idade, foi acometida por uma grave doença, que lhe causou sofrimentos e danos físicos. Assim, retirou-se para a casa de sua benfeitora, Maria de Uzátegui, hoje Mosteiro de Santa Rosa, para cumprir a profecia de sua morte. Todo ano, ela passava o Dia de São Bartolomeu em oração, pois, dizia: "este é o dia das minhas núpcias eternas". E assim foi até morrer no dia 24 de agosto de 1617. O seu sepultamento parou toda a cidade de Lima.

Muitos milagres aconteceram por sua intercessão após sua morte. Rosa foi beatificada em 1667 e tornou-se a primeira santa da América Latina a ser canonizada, em 1671, pelo papa Clemente X.

Dois anos depois, foi proclamada Padroeira da América Latina, das Filipinas e das Índias Orientais, com a festa litúrgica marcada para o dia 23 de agosto. A devoção a santa Rosa de Lima propagou-se rapidamente nos países latino-americanos, sendo venerada pelos fiéis como Padroeira dos Jardineiros e dos Floristas.
Escola colonial espanhola - séc. XVIII
Robert Simon Museum

Dela disse o Cardeal Ratzinger: De certa forma, essa mulher é uma personificação da Igreja da América Latina: imersa em sofrimentos, desprovida de meios materiais e de um poder significativos, mas tomada pelo íntimo ardor causado pela proximidade de Jesus Cristo. (Homilia no Santuário de Santa Rosa de Lima, Peru, em 19 de julho de 1986).

22 de agosto - Realeza de Nossa Senhora

Van Eyck

Nossa Senhora, verdadeira Mãe de Jesus Cristo, Rei do Universo, é invocada hoje com o título de Rainha do Céu e da Terra. Antigamente a festa da realeza de Nossa Senhora era celebrada no dia 31 de maio.

A liturgia já invoca a Mãe de Deus com os títulos de Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens, de todos os Santos, Rainha Imaculada, Rainha do Santíssimo Rosário, Rainha da Paz e Rainha Assunta ao Céu.

Este título de Rainha exprime então o pensamento de a Santíssima Virgem se avantajar a todas as ordens de santidade e de virtude, Rainha dos meios que levam a Jesus Cristo, e de que, sendo Rainha assunta ao Céu, já era sobre a terra, isto é, Rainha reconhecida pela terra e pelo céu como sendo a criatura mais perfeita e mais avantajada em toda a santidade e semelhança de Deus Criador!

Mas, quando falamos no título da Realeza de Maria Santíssima, trata-se da Realeza que Lhe cabe por direito como Soberana, deduzida das suas relações com Jesus Cristo, Rei por direito de tudo o criado, visível e invisível, no céu e na terra.
Anônimo catalão - 1220

Efetivamente as prerrogativas de Jesus Cristo tem todas os seus reflexos na Santíssima Virgem, Sua Mãe admirável: Assim Jesus Cristo é o Autor da graça, e Sua Mãe é a dispenseira e intercessora de todas as graças; Jesus Cristo está unido à Santíssima Virgem pelas suas relações de Filho e nós, corpo místico de Jesus Cristo, estamos também unidos a Sua Mãe pelas relações que Ela tem conosco como Mãe dos homens. E assim, pelo reflexo da Realeza de Jesus Cristo, seu filho, Ela é Rainha do céu e da terra, dos Anjos e dos homens, das famílias e dos corações, dos justos e dos pecadores que, na Sua Misericórdia real, encontram perdão e refúgio.


Todas as heresias foram, em todos os tempos, vencidas pelo cetro da Santíssima Mãe de Deus. Nesses nossos tempos, tão conturbados pelas sumas das heresias, os homens debatem-se numa pavorosa luta em que vemos e apalpamos, da maneira mais trágica, serem insuficientes os meios humanos para restabelecer a paz na sociedade humana! De resto, demasiado puderam os homens a sua confiança nos sistemas sociais, nos meios do progresso científico, no poder das armas de destruição, no terrorismo, e tudo isso só serviu para o mundo assistir agora desorientado à maldição profetizada aos homens que põem a sua confiança nos homens, afastando-se de Deus e da ordem sobrenatural da graça!
Fra Angélico - 1430
Museu Nacional de São Marcos - Florença

Maria Santíssima, Rainha do Céu e da terra, foi sempre a vencedora de todas as batalhas de Deus: Voltem-se os governantes do mundo para Ela e o Seu cetro fará triunfar a causa do bem, com o triunfo da Igreja e do Reino de Deus!

ENCÍCLICA DO PAPA PIO XII SOBRE A FESTA DE NOSSA SENHORA RAINHA

O Papa Pio XII, em encíclica dirigida aos membros do episcopado a respeito da Realeza de Maria, recorda que o povo cristão sempre se dirigiu à Rainha do céu nas circunstâncias felizes e sobretudo nos períodos graves da história da Igreja.

Antes de anunciar a sua decisão de instituir a festa litúrgica da “Santa Virgem Maria Rainha”, assinalou o Papa: “Não queremos propor com isso ao povo cristão uma nova verdade e acreditar, porque o próprio título e os argumentos que justificam a dignidade real de Maria já foram abundantemente formulados em todos os tempos e encontram nos documentos antigos da Igreja e nos livros litúrgicos. Tencionamos apenas chamá-lo com esta encíclica a renovar os louvores à nossa Mãe do céu, para reanimar em todos os espíritos uma devoção mais ardente e contribuir assim para o seu bem espiritual”
Carlo Crivelli - 1493

Pio XII cita em seguida as palavras dos doutores e santos que desde a origem do Novo testamento até os nossos dias salientaram o caráter soberano, real, da Mãe de Deus, co-redentora: Santo Efrém, São Gregório de Nazianzeno, Orígenes, Epifânio, Bispo de Constantinopla, São Germano, São João Damasceno, até Santo Afonso Maria de Ligório.

Acentua o Santo Padre que o povo cristão através das idades, tanto no oriente quanto no ocidente, nas mais diversas liturgias, cantou os louvores de Maria, Rainha dos Céus.
Rodolfo Guirlandaio
Museu do Petit Palais de Avignon

“A iconografia, disse o Papa, para traduzir a dignidade real da bem-aventurada Virgem Maria, enriqueceu-se em todas as épocas com obras de arte do maior valor. Ela chegou mesmo a representar o divino Redentor cingindo a fronte de sua Mãe com uma coroa refulgente”.
Gentile da Fabriano - 1422
Getty Museum

Na última parte do documento o Papa declara que tendo adquirido, após longas e maduras reflexões, a convicção de que decorrerão para a Igreja grandes vantagens dessa verdade solidamente demonstrada”, decreta e institui a festa de Maria Rainha, e ordena que nesse dia se renove a consagração do gênero humano do Coração Imaculado na Bem-Aventurada Virgem Maria “porque nessa consagração repousa uma viva esperança de ver surgir uma era de felicidade que a paz cristã e o triunfo da religião alegrarão”.

Guido Reni - 1626

* Referências bibliográficas:
Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas Gerais, 1959.

Jacopo Toritti - séc. XIII
Basílica de Santa Maria Maggiore, Roma

Sermão de São Pedro Canísio:

"Por que não haveríamos de chamar Rainha a beatíssima Virgem Maria, como fizeram o Damasceno, Atanásio e outros, sendo que o Seu pai, Davi, gloriosamente honrado como rei, e o Seu Filho, como Rei dos reis e Senhor dos senhores imperando sem fim, são louvados sobremaneira pelas Escrituras? É Rainha, sobretudo, se comparada com aqueles [Santos] postos como reis no reino celeste, com Cristo, sumo Rei, como seus co-herdeiros, e colocados como no mesmo trono que Ele, como diz a Escritura. E, como Rainha, ela não está abaixo de nenhum dos eleitos, mas elevada em dignidade tão alta sobre tanto Anjos como homens que nada pode ser maior ou mais alto que Ela, só a Qual tem o mesmo Filho que Deus Pai, e que acima de Si só vê a Deus e Cristo, e abaixo, todas as demais criaturas.
Botticelli - detalhe da Madonna do Magnificat

O grande Atanásio disse claramente: Maria não é somente a Mãe de Deus, mas também pode ser chamada em verdade Rainha e Senhora, visto que o Cristo Que nasceu da Virgem Mãe é Deus e Senhor e também Rei. É a Esta Rainha, portanto, que se aplicam as palavras do Salmista: À Vossa destra estava a Rainha num vestido de ouro. Assim, Maria é retamente chamada Rainha, não só do céu mas também dos céus, como Mãe do Rei dos Anjos, e como Esposa e amada do Rei dos céus. Ó Maria, augustíssima Rainha e fidelíssima Mãe, a Quem ninguém reza em vão se reza devotamente, e a Quem todos os homens mortais estão ligados pela memória duradoura de tantos benefícios, repetidamente Vos imploro que aceiteis e Vos agradeis com todas as demonstrações da minha devoção para conVosco, deis valor ao pobre dom que eu ofereço de acordo com o zelo com que é oferecido, e o recomendeis ao Vosso Filho onipotente."

São Pedro Canísio, Presbítero e Doutor da Igreja (1521-1597). Da incomparável Virgem Maria Mãe de Deus, livro 15, c. 13.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

20 de agosto - São Bernardo de Claraval (abade)

manuscrito iluminado do séc. XIII

Bernardo de Claraval ou de Fontaine (1090 – Dijon, França / 1153 – Abadia de Claraval, França), abade cisterciense, santo e Doutor da Igreja. É o maior impulsionador da Ordem de Cister e uma das personalidades eclesiásticas mais influentes do século XII.

Oriundo de uma família nobre da Borgonha, nascido no castelo de Fontaine-lès-Dijon, Bernardo foi o terceiro filho de Tescelin o Vermelho e de Aleth de Montbard. Aos noves anos é enviado para a Escola Canônica de Châtillon-sur-Seine, onde revela especial aptidão para a Literatura.
Castelo de Fontaine - casa natal do Santo

Em 1112 entra para a Abadia de Cister, da qual Santo Estêvão Harding havia acabado de ser eleito abade.
Convencido por este, o jovem Bernardo, funda com um grupo de trinta monges, uma nova casa cisterciense em 1115 no Vale de Langres, chamada “Vale Claro” ou “Clairvaux” – Claraval. A esta grande abadia-mãe, ficaram ligadas a maioria das abadias européias.


Durante os 38 anos que durará o seu abaciado, a ação de Bernardo marca definitivamente a política de França e do próprio ocidente medieval, enquanto Cister atinge 165 mosteiros, tendo o próprio fundado cerca de 68.
Ribalta

Homem de constituição frágil, exigente quanto ao cumprimento da Regra e da penitência, dividia as horas entre a oração e o trabalho manual. Pretendia fazer reviver aos cistercienses a austeridade e pureza monástica no seu hábito branco e a vida em comunidade no mais absoluto silêncio.
Filipino Lippi - Badia Fiorentina

Como Doutor da Igreja destacam-se os seus escritos, sermões, planos e projetos que estruturavam as suas ideias dentro da própria Ordem.

Bernardo de Claraval é o autor de diversos escritos onde ressalta a doçura e a dedicação a Deus como entidade de amor e caridade, mas evidenciou-se sobretudo por ser o grande impulsionador do culto e contemplação de Maria, bem como o autor da Regra para a Ordem dos Cavaleiros Templários.
Giovanni Benedetto Castiglione - 1645
Igreja de Sampierdarena, Itália

Percorreu grande parte da Europa, frequentou Concílios e foi um brilhante orador. Foi a “alma” da Segunda Cruzada à Terra Santa.

Morreu em 1153, aos 63 anos. Foi canonizado em 18 de Julho de 1174 por Alexandre III e declarado Doutor da Igreja por Pio VIII em 1830.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

18 de agosto - Santa Helena (imperatriz)


Lucas Cranach - 1525

Helena, ou Flavia Iulia Elena, parece ter nascido em Drepanum na Bitínia, no golfo de Nicomédia (atual Turquia); seu filho Constantino renomeou a cidade, em sua homenagem, como Helenópolis.
O bispo e historiador Eusébio de Cesaréia, autor da Vida de Constantino, afirma que Helena tiunha 80 anos quando do seu retorno da Palestina, referindo-se a uma viagem ocorrida entre 226 e 228. Portanto, ela teria nascido em 248 ou 250.
Fontes do século que seguem o “Breviarum ab Urbe condita” de Eutrópio, afirmam que era de baixa condição social, filha de um estalajadeiro. Conheceu o tribuno Constâncio Cloro que a tomou como esposa e a levou para Roma; todavia, a exata natureza de sua ligação é desconhecida. As fontes não são concordes a esse ponto; algumas delas declaram que Helena era mulher de Costâncio, outras delas referem-se como sua concubina.  e alle volte riferendosi a lei come "concubina". Alguns estudiosos afirmam que os pais de Conastantino fossem ligados por um matrimônio verdadeiro, porém não reconhecido legalmente, e outros afirmam que era um matrimônio em todos os sentidos, civil e religioso.
Cima da Conegliano - 1495
National Gallery de Londres

Helena deu a luz a Constantino em 272. Em 293 Costâncio abandonou Helena por desejo e ordem de Diocleciano, para desposar a enteada do imperador Maximiliano, Teodora, com a finalidade de consolidar, com um casamento dinástico, a elevação de Constâncio a César de Maximiliano, na tetrarquia.
 Helena não se casou novamente, e viveu longe das cortes imperiais, embora sempre próxima a Constantino, que por ela nutria muito afeto. Constantino foi proclamado imperador em 306, após a morte de Constâncio. Ela se converteu ao cristianismo, e a seguir ao edito de tolerância religiosa proclamado pelo filho, em 313, todas as honrarias lhe foram dadas. Foi declarada augusta em 324.

ícone bizantino do séc. XI

Aos 78 anos, em 326, Helena iniciou uma peregrinação penitencial aos Lugares Santos da Palestina. Iniciou a construção da Basílica da Natividade em Belém e da Ascenção no Monte das Oliveiras., posteriormente enriquecidas e adornadas artisticamente por Constantino.
A tradição narra que Helena, tendo subido ao Gólgota para purificar aquele santo lugar dos edifícios pagãos construídos pelos romanos, descobriu a Cruz de Cristo assim que o cadáver de um homem foi colocado sobre ela, e, imediatamente, voltou a viver.
O milagre da Verdadeira Cruz
escola flamenga - sécu. XV
Museu do Louvre

Tal episódio lendário foi representado por diversos artistas, mas o mais importante deles encontra-se na Basilica di Santa Croce in Gerusalemme de Roma e no famoso ciclo de São Francisco em Arezzo, de autoria de Piero della Francesca.
Junto da Cruz foram encontrados, também, três cravos que foram dados ao filho Constantino; um deles foi utilizado para forjar a sela do cavalo do imperador, outro foi utilizado como material para a fabricação da famosa Coroa de Ferro, hoje conservada na Catedral de  Monza.

Helena morreu com quase 80 anos, assistida pelo filho, por volta de 329 em local não determinado. Seu corpo, porém, foi transportado para Roma e sepultado na via Labicana, hoje Torpignattara, em um sarcófago de pórfido, mais tarde transportado no século XI para Laterano, e hoje conservado nos Musei Vaticani.
Sarcófago de Helena - Museu Vaticano
É considerada a protetora dos fabricantes de pregos e agulhas, é invocada para que sejam encontrados objetos perdidos, na Rússia a sua festa coincide com o dia da semeadura do linho, para que cresca belo como os cabelos da santa.
Paolo Veronese - 1580
A Visão de Santa Helena

Na Basílica de São Pedro no Vaticano, Santa Helena é lembrada com uma colossal estátua de mármore como a de Santo André, de Verônica e de São Longino, na base dos quatro enormes pilares que sustentam a cúpula de Michelangelo e coroam o altar da Confissão, sob o qual está a tumba de São Pedro.
Andrea Bolgi
Basílica de São Pedro

Atributos

É comum representá-la como uma mulher madura, com as insígnias reais, mas encontram-se também representações da santa mais jovem, como uma bela mulher, seguindo as descrições da Leggenda Aurea. Usa roupas suntuosas, capa e coroa real, e segura uma cruz muito grande nas mãos. Por vezes carrega, também, três cravos e um martelo. Segura o modelo de uma igreja recordando a sua atividade de edificação. Certas vezes segura o Santo Sepulcro, e muitas vezes, está acompanhada do filho Constantino. Comum, também, é a representação da sua visão, com anjos que levam aos céus uma cruz.
Helena e Constantino
Vasily Sazanovo - 1870

Relicário com a cabeça da santa
Catedral de Trier

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

17 de agosto - São Jacinto (apóstolo da Polônia)


 São Jacinto nasceu em 1183 na Polônia, entre as cidades de Breslau e Cracóvia (antiga Kramien). Seu nome de batismo é Jacko, que quer dizer João. Alguns biógrafos dizem que pertencia a piedosa família Odrovaz, da pequena nobreza local.
Por volta do ano de 1218, ingressou na Ordem Dominicana em Roma, retornando à sua terra logo em seguida. Na Polônia fundou diversos conventos como os de Breslau, Sandomir e Dantzig, tendo criado no ano de 1228 a Província Dominicana Polaca, cuja influência dominicana alcançou a Rússia, os Balcãs, a Prússia e a Lituânia. Percorreu aproximadamente quatro mil léguas anunciando o Evangelho.


Desde novo descobriu a sua vocação religiosa. Antes de ingressar na Ordem dos Pregadores, ele era canônico na sua cidade natal. Em Roma conheceu Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores. Pediu seu ingresso e foi aceito na nova congregação. Depois de um breve noviciado concluído em Bolonha, em 1221, ele vestiu o hábito dominicano e tomou o nome de frei Jacinto. Na ocasião foi o próprio São Domingos que o enviou de volta à sua pátria com um companheiro, frei Henrique da Morávia.
Vitral do Colégio de Santa Inês, Buenos Aires

Assim iniciou sua missão de grande pregador. O trabalho que ele teria de desenvolver na Polônia, fora claramente fixado pelo fundador. Jacinto fundou em Cracóvia um mosteiro da Ordem de São Domingos. Depois de pregar por toda esta diocese, mandou alguns dominicanos missionários para a Prússia, Suécia e Dinamarca, pois estes países pagãos careciam de evangelização. Em 1228, após participar no Capítulo Geral da Ordem, em Paris, instalou-se na cidade de Kiev, na atual Ucrânia, onde continuou a sua ação missionária.
Escola do Alto Perú, sec XVIII

Jacinto foi um incansável pregador da Palavra de Cristo e um dos mais pródigos colaboradores do estabelecimento da nova Ordem, naquelas regiões tão distantes de Roma. Foram quarenta anos de intensa vida missionária. No ano dia 15 de agosto 1257, ele morreu aos setenta e dois anos, no mosteiro de Cravóvia, consumido pelas fadigas. Considerado pelos biógrafos, uma das glórias da Ordem Dominicana. Foi canonizado em 1524 pelo Papa Clemente VII.
Escola hispano-americana, séc. XVIII

Narra a história que, durante o ataque dos tártaros à sua cidade, Jacinto teria tomado nas mãos o ostensório, e ao começar a empreender a sua fuga, a Virgem teria lhe aparecido e pedido que levasse consigo também a sua imagem. Esta é a iconografia mais comum do santo.
Juan Bautista Maíno - 1620
Universidade Castilla-La Mancha, Toledo

A festa de São Jacinto, o "Apóstolo da Polônia" era tradicionalmente celebrada no dia 16 de agosto, um dia após da sua morte, em razão da veneração da Assunção de Maria, foi transferida para o dia 17 de agosto.
Ludovico Caracci - 1594
Museu do Louvre

terça-feira, 16 de agosto de 2011

16 de agosto - São Roque (taumaturgo e peregrino)

São Roque em glória
Giuseppe Angeli - Scuola Grande di San Rocco, Veneza

Muitos santos medievais, pertencentes à nobreza, renunciam inteiramente a sua condição social - e este é bem o caso de São Roque - para praticarem a perfeição da virtude cristã no despojamento completo dos bens deste mundo. E isto o Santo realizou como peregrino, que faz lembrar o Bom Samaritano, socorrendo as vítimas da peste negra que então grassava em várias regiões da Itália e também da França, sua terra natal. Pode-se dizer que, à época de São Roque (1295-1327), o mundo cristão vivia uma situação duplamente pestilencial: no sentido espiritual, e também no material.
Pesava sobre a Igreja Católica a luta entre o Papado, o Império e o Reino da França. As divisões daí decorrentes influenciaram o Sacro Colégio dos Caldeais. Em conseqüência, os Papas deixaram a Cidade Eterna e se estabeleceram em Avinhão (sudeste da França, próximo de Montpellier, cidade natal de São Roque).
Em 1304, morria o bem-aventurado Bento XI, e no ano seguinte, num conclave trabalhoso foi eleito na França, como Papa, o Arcebispo de Bordéus, Dom Bertrand de Got, com o nome de Clemente V (1305 a 1314). O novo Papa estabeleceu-se em Avinhão, onde levantou palácios, corte e fortalezas. Durante 70 anos os Papas ali residiram.
Entre os católicos, as heresias faziam suas vítimas, afastando o povo da verdadeira doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo: valdenses, cátaros e albigenses, patarinos, os beguardos.
E, para acréscimo de sofrimento, a peste negra afugentava as populações das cidades e dizimava com morte dolorosa.
Guido Reni - 1617
Galeria Estense - Módena

São Roque nasceu em 1295 no sudeste da França, em Montpellier, cidade rica de história religiosa, cultural e artística. Sua família, profundamente católica, pertencia à nobreza e fazia parte do governo da cidade. O pai chamava-se João Rog (de onde vem o nome Roque) e a mãe, Líbera.
O Santo, com toda certeza, cursou as escolas de sua cidade, especialmente a célebre Faculdade de Medicina. E este estudo não foi inútil para seu futuro aposto lado entre os doentes e empestados, em favor dos quais operou incontáveis milagres. Ele ficou órfão ainda jovem, e quando atingiu os 20 anos de idade, devia assumir a direção do palácio familiar e a administração de vastas terras. Lembrou-se da passagem do Evangelho sobre o moço rico, e do apelo que fizera Nosso Senhor quando lhe respondeu como deveria fazer para ser perfeito. Então, Rogue renunciou à sua nobreza e distribuiu aos pobres o seu rico patrimônio. Saiu ocultamente de sua cidade, dirigindo-se, como peregrino, a Roma, onde haveria de permanecer três anos, e à Terra Santa, em peregrinação penitencial.
São Roque entre as vítimas da peste
Tintoretto - 1594
Scuola Grande di San Rocco- Venezia

Seu percurso, entretanto, foi enormemente tumultuado, pois teve de interrompê-lo repetidas vezes para socorrer os acometidos pela peste negra em torno de Roma e em diversas localidades da Província da Romanha (Cesena, Rimini e Forli).
Na própria Cidade Eterna, quando ali chegou, São Roque encontrou o povo da cidade sobressaltado por causa da peste, que ali grassava.
São Roque entre os pestilentos
Jacoppo Bassano - 1575
Pinacoteca de Brera, Milão

Ao passar por Piacenza cuidando dos enfermos, também ele contraiu a peste negra. Para não molestar ninguém e poder tratar-se por si próprio, retirou-se para um bosque, habitando uma cabana situada à beira de uma nascente. Curado milagrosamente por um anjo, passou a ser alimentado por um cachorro que todos os dias lhe trazia um pedaço de pão.
Assim, durante oito anos, a Itália tornou-se sua pátria de adoção, como santo protetor contra as epidemias. Ele chegou à sua cidade natal em trajes de peregrino, sem revelar sua identidade, e foi tomado por vagabundo e espião, pois Montpellier vivia momentos de grande agitação política. Por ordem do próprio tio, Bartolomeu Rog, foi encarcerado, sofrendo durante cinco anos os vexames da prisão, sua solidão e incômodos. E morreu no cárcere, no dia 16 de agosto de 1327, com 32 anos de idade. Só então é que se soube quem era ele, pois deixara sob sua cabeça uma tabuinha com o seu nome escrito.
Giovanni Battista Pittoni
Museu de Belas Artes de Budapest

A notícia despertou entre os habitantes da cidade uma emoção profunda. Clero, nobreza e povo, também das cidades vizinhas, acorreram para venerar seus despojos expostos à visitação pública, primeiro no palácio da família, e depois na igreja de Nossa Senhora des Tables. Para reparar a injustiça, seu tio Bartolomeu mandou erigir, na cidade vizinha de Miguelone, artístico mausoléu em forma de capela. E o povo proclamou-o Santo Padroeiro contra epidemias e doenças graves.
Lorenzo Lotto, séc. XVI
col. particular

Em 1485, a maior parte de suas veneráveis relíquias foram transferidas para Veneza, guardadas pela Irmandade, instituída sob seu patrocínio. A Sereníssima República, rainha dos mares, haveria de ser o foco de irradiação da devoção e de seu culto para o mundo inteiro.
Escola francesa do séc. XVI

Iconografia

Seus atributos inconfundíveis são:
-  o cão, sinal tangível da Divina Providência que o socorria nos momentos de necessidade, símbolo da sua fidelidade ao chamado divino;
- a concha, que recorda a sua peregrinação a Santiago de Compostela, símbolo da perseverança;
- a chaga, símbolo da peste que contraiu perto de Piacenza ao dedicar-se a cuidar dos doentes, símbolo da caridade cristã;
- o anjo (fig.2), símbolo da ligação com o Divino, e que infunde coragem especialmente nos momentos de solidão e sofrimento;
- o bastão como símbolo da peregrinação terrena e daquela em direção ao caminho divino (fig.6)
- a cruz vermelha recordando o sinal que ele tinha no peito desde seu nascimento, símbolo do seu apostolado da caridade;
- o pão, símbolo da Eucaristia, aquele mesmo pão que o cão lhe trazia, em Piacenza, roubando-o da mesa de seu patrão (fig.5)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

15 de Agosto - Assunção de Nossa Senhora


Egid Quirin Assam - 1772
Altar da Igreja da Assunção em Rohr, Baviera

A Igreja Católica prega o dogma de que a Virgem Maria "ao concluir o curso de sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma para a glória celestial." Isto significa que Maria foi transportada para o céu com o seu corpo e alma unidos. Esta doutrina foi dogmaticamente e infalivelmente definida pelo Papa Pio XII, em 1 de novembro de 1950, na sua Constituição Apostólica Munificentissimus Deus. A festa da Assunção aos Céus da Virgem Maria é celebrada como a "Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria" pelos católicos, e como a Dormição por cristãos ortodoxos. Nestas denominações a Assunção de Maria é uma grande festa, normalmente comemorada no dia 15 de agosto.


 
Guido Reni - 1607
National Gallery de Londres

Oração composta pela Papa Pio XII
“Oh Virgem Imaculada, Mãe de Deus e dos Homens. Cremos com todo o fervor de nossa fé em Tua triunfante Assunção em alma e corpo ao céu, onde és aclamada rainha por todo o coro dos anjos e por todos os Santos, e a eles nos unimos para louvar e bendizer o Senhor que Te exaltou sobre todas as demais criaturas: para oferecer-se a veemência de nossa devoção e de nosso amor. Sabemos que Teu olhar, que maternalmente acaricia a humilde e sofredora humanidade de Cristo na terra, se sacia no céu na contemplação da gloriosa humanidade da sabedoria não criada, e que o gozo da tua alma, ao contemplar face a face a adorável Trindade faz com que teu coração palpite com beatífica ternura. E nós, pobres pecadores, nós, a quem o corpo se sobrepõe aos anseios da alma, nós Te imploramos que purifique nossos sentidos, de maneira a que aprendamos, cá em baixo, a deleitar-nos em Deus, tão somente em Deus, no encanto das criaturas. Estamos certos de que Teus olhos misericordiosos fixar-se-ão em nossas misérias e em nossas angústias: em nossas lutas e em nossas fraquezas; que Teus lábios sorrirão sobre nossas alegrias e em nossas vitórias; que Tu ouvirás a voz de Jesus dizer-Te de todos nós, como o fez Ele de seu amado discípulo: Aqui está teu filho.
“E nós, que Te invocamos, Mãe nossa, nós Te tomamos como o fez João, como guia forte e consolo de nossa mortal vida. Nós temos a vivificante certeza de que teus olhos, que choraram na terra, banhada pelo sangue de Jesus, voltar-se-ão uma vez mais para este mundo presa da guerra, de perseguições, de opressão dos justos e dos fracos. E, com meio à escuridão deste vale de lágrimas, nós esperamos de Tua luz celestial e de Tua doce piedade, consolo para as aflições de nossos corações, para atribulações da Igreja e de nosso país.
Cremos finalmente que na glória, na qual Tu reinas, vestida de sol e coroada de estrelas Tu és, depois de Jesus, o gozo de todos os anjos e todos Santos. E nós, que nesta terra passamos como peregrinos, animados pela fé na futura ressurreição, olhamos para Ti, nossa vida, nossa doçura, nossa esperança. Atrai-nos para Ti com a mansidão de tua voz, para ensinar-nos um dia, depois de nosso exílio, a Jesus, bendito fruto de Teu seio, ó graciosa, ó piedosa, ó doce Virgem Maria”.

Juan Martin Canezalero - 1665
Museu do Prado

Pinturicchio
Capela Basso della Rovere
Pietro Negroni
Galeria Nacional de Cosenza

Andrea Casali - col. particular